O Que Fazer Para Não Morrer

01/08/2012

Caminhando de volta para casa na noite da última terça-feira ao lado do namorido, logo depois de assistirmos ao filme Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (que é muito bom, por sinal), eu lamentava o fim de mais uma franquia, ao mesmo tempo em que demonstrava preocupação. E  minha explicação para o namorido do motivo da minha preocupação é que originou esse post.

É bem simples e eu achava que todo mundo fazia isso: eu leio livros e assisto filmes e séries para não morrer, oras! Isso não é evidente?  Mas vou tentar explicar para quem não pegou a sutileza da parada.

Quando eu lia Harry Potter, logo nos primeiros livros, eu cheguei à uma brilhante conclusão: eu não podia morrer antes de saber o final daquela história. Mais tarde, comecei a acompanhar Lost na televisão e era óbvio que eu não poderia morrer sem entender o que se passava naquela ilha (eu não morri, a série acabou e, mesmo assim, algumas coisas da série ninguém entendeu, nem mesmo os roteiristas).

Com o tempo, fui me viciando em outras histórias, literárias ou audiovisuais, que, por suas estruturas episódicas, me obrigavam a esperar o lançamento de capítulos futuros. Claro que eu não poderia morrer antes de descobrir o final dessas histórias, afinal, se eu morrer, acabou-se tudo, inclusive o resto do mundo, não?

Então, é por isso que eu leio e assisto a filmes e séries: para me manter vivo!

Ao explicar isso ao namorido, ele, com sua sutileza peculiar e uma cara que sempre faz quando quer dizer algo solene, me disse apenas uma frase:

“Você me preocupa, deveria procurar um analista!”

Poxa, ninguém me entende!
😦


Retórica

08/05/2012

Domingo, 06/05/2012. Prova da Petrobrás.

Sabem aquelas provas que você nem sabe pra que se inscreveu? Então que eu sou meio assim: me inscrevo para provas e vou para elas com uma fé no “vai que…” que chega a me comover. Porque, vou ser bem sincero: eu nunca estudei na vida. É feio, eu sei, mas nunca tive o hábito, essa coisa de chegar em casa, sentar com os livros, aprender as coisas, saca? Sempre prestei atenção nas aulas e pronto, me virava bem, fazia as provas, passava.

E olha que sempre fui bom aluno, sempre entre as três melhores notas da sala. Pelo menos até a faculdade, quando relaxei de vez e estar na média já estava bom, essas coisas que a rebeldia universitária faz com você.

Aliás, entrei na faculdade assim, bem nas coxas mesmo. Me inscrevi no vestibular, fiz a prova e acabei aprovado pra uma federal. Vamos cursar, né?

Teve também o meu emprego público. Por sorte ou azar, passei muito bem pra um concurso que sequer me lembrava que tinha me inscrito. O salário nunca foi ruim, os benefícios sempre foram muito bons e vamos nessa, já há quase 10 anos na mesma empresa e sem reclamar muito. Porque quando paro e penso que tudo poderia ser bem pior, desisto de reclamar.

Mas a prova de domingo me deixou pensativo. Para situar vocês: fui para a prova depois de ter bebido todas na comemoração de aniversário de um amigo na véspera. Fui dormir tarde, acordei sem nenhum pique e, pra completar, não via a matéria do concurso desde que terminei a faculdade, no distante ano de 2007.

Saí do Humaitá, onde realizei a prova, exatamente 1h30min depois dela ter começado, certo que tinha ido MUITO mal. Mas então saiu o gabarito e me assustei: mandei benzaço em português e inglês e nas específicas nem fui tão ruim quanto imaginei. Na verdade, acho que até passei na bendita prova. Tudo bem, vou passar naquele ponto de corte e tal, mas vou passar.

Foi então que fiquei pensando: porra, por que eu não estudo? Porque se cinco anos depois de ter terminado a faculdade eu encarei uma prova com matérias que eu não vejo há tanto tempo e nem fui tão ruim assim, se eu tivesse estudado era bem capaz de eu passar numa porcaria dessas. Então, por que não tomo vergonha na cara e não estudo?

Pois é, eis uma boa retórica.


O Que Vem Depois?

02/04/2012

Mesmo sendo de família religiosa, acho que nunca parei muito pra pensar no que viria pela frente, no depois que essa existência chegasse ao seu final.

Para meus pais e sua crença (que hoje vejo muito claramente, nunca foi a minha), estamos aqui apenas esperando que Deus acerte suas contas com o Diabo e a Terra vire um paraíso. Para os espíritas (e não sei muito bem a divisão entre um e outro), a reencarnação é uma possibilidade; enquanto para os católicos e alguns evangélicos, o céu ou o inferno nos aguardam.

E o que eu efetivamente penso disso tudo? Nunca me importei, na verdade. Se estamos aqui de passagem; se existe um depois que vamos descobrir quando enfim morrermos; se ao fecharmos os olhos e nosso cérebro parar de funcionar,  é um simples puft, acabou! Para mim, até então, isso era assunto filosófico-particular e que, sinceramente, não me interessava. Mas, de uns tempos para cá, tenho sido surpreendido com pensamentos do tipo: o que vem depois? Será apenas isso realmente?

Antes de mais nada, deixo claro que não acredito no conceito de Deus da maioria das pessoas. Não que eu desacredite de algo superior, mas é forçar demais a barra o que nos empurram goela abaixo desde sempre. O tal Deus de Amor pregado pelas pessoas não condiz com o Deus rancoroso do Velho Testamento e que promete mandar tudo pro espaço no livro de Apocalipse. Desculpa ae, mas acho que se Deus existe de verdade, ele deve estar muito ocupado (ou curtindo umas boas férias no infinito de sua onipresença) pra se preocupar pessoalmente com cada um dos bilhões de pessoas que vivem hoje na terra, fora aqueles que por aqui já passaram. Além disso, se esse Deus realmente existisse, porra, tremendo de um fanfarrão, todo trabalhado em observar o grande Big Brother chamado Terra, não é não?

Ao mesmo tempo, não consigo desacreditar de tudo também. Sei lá, é muita pretensão achar que estamos nesse universo em expansão sozinhos, sendo os únicos seres pensantes por aí. Deus, deuses, extraterrestres, inteligências superiores. Sei lá, eu devo acreditar em alguma coisa que ainda não faço ideia do que seja. Quando a corda aperta pro meu lado, não tem jeito, inconscientemente eu peço por ajuda. Vai que na hora tem alguém olhando praquela câmera que me filma o tempo todo nesse reality chamado vida e me dá um help de última hora?

Não sei se é a idade, mas tenho parado cada vez mais para me perguntar: para que tanto conhecimento, trabalho, conforto e situação financeira se uma hora ou outra eu vou deixar de existir. E então, o que há de vir?

Não, não quero ser convertido. Muito pelo contrário, tenho verdadeiro ASCO de quem tenta me converter a aceitar as suas crenças particulares, ainda mais se vier com o papo furado de Bíblia pro meu lado. Eu posso acreditar em alguma coisa, mas é certo: na Bíblia eu NÃO acredito.

Dessa forma, não pense que esse texto é um pedido de socorro de uma alma desesperada, porque não é. São apenas palavras avulsas sobre um assunto que passou pela minha cabeça enquanto não tinha nada de mais importante para pensar, como por exemplo: o que será que terei para o jantar?


Improbabilidades

06/10/2011

Pensando sobre a vida e em como algumas coisas tão improváveis algumas vezes acontecem e você faz cara de caneca pro universo, agradecendo por tudo aquilo que, às vezes, parece conspirar a seu favor. Porque aquilo que você nem poderia pensar, algumas vezes, passa a fazer parte da sua rotina, te molda e vira parte de você.

Em minha vida de garoto nascido no interior, em que achava que o mundo era uma cidade de 60 mil habitantes, meu sonho sempre foi sair dali e desbravar a imensidão que eu via pela televisão. E, apesar de improvável – afinal, sou filho de pais religiosos que achavam o máximo as grandes famílias formadas por filhos crescendo, casando-se, tendo filhos e morando próximos -, eu saí, pouco a pouco, daquele lugar em que não me sentia completo. Gradualmente fui me afastando, conquistando novos horizontes até chegar na cidade que é hoje é minha e que amo como um nativo. Além disso, viajei o mundo, conheci pessoas e culturas, experimentei sabores e cores. E ainda hoje, quando volto para Smallville, ouço: mas como é metido, precisava mesmo sair daqui? Sim, precisava. NECESSITAVA.

Da mesma forma, apesar de reclamar, consquistei um emprego público improvável e que me permite viver relativamente bem. Quem pensava que uma inscrição feita no impulso para uma prova para a qual não estudei e fui fazer sem nenhum preparo seria a responsável por fazer eu me movimentar e não fincar raízes indesejadas?

Assim como o vestibular para a federal para o qual eu sequer li uma linha, mas passei e me graduei e me abriu portas interessantes. Tanto a faculdade como o emprego moldaram o Autor que sou hoje, com os amigos que tenho e com as escolhas que fiz.

Enfim, a cereja do bolo: achar um grande amor pela internet. Ah, fala sério, isso é ilusão. Digo mais: no bate papo da UOL. Mas foi lá, de um lugar em que eu não esperava NADA além de uma fast foda que conheci o homem que hoje faz parte da minha vida, que divide seus sonhos e planos e que me faz sonhar ainda mais ao seu lado. O homem que escolhi para ser meu e que me escolheu. Improvável, eu sei. Mas que pra mim se mostrou possível.

E assim, virando as probabilidades pelo avesso, vamos sonhando, plantando e colhendo sonhos possíveis e improváveis. Vamos vivendo!

OBS: Sumido, eu sei. Mas a vida tem me presenteado com tantas possibilidades e afazeres que ando sem tempo e inspiração para escrever aqui. Nesse meio tempo, preparei dois “filhos” que em breve estarão dando as caras por aí, livros de que sou autor e co-autor e que me fazem muito feliz desde já. E agora, como sou merecedor, vou sumir de novo. Estou pelo mundo, meus caros, em merecidas férias no Velho Continente. De novo.

See ya! Carpe Diem!

Si es cuestión de confesar, nunca duermo antes de diez
Ni me baño los domingos
La verdad es que también lloro una vez al mes
sobre todo cuando hay frío
Conmigo nada es fácil, ya debes saber
Me conoces bien.
Inevitable (Shakira)


Do Que Eu Não Entendo

12/08/2011

Porque apesar de eu tentar, tem certas coisas que eu simplesmente não entendo.

– Eu odeio cebola. Na verdade, eu odeio o CRACK que a cebola faz quando eu estou comendo algo e tem um pedaço dela no meio da comida. Porque o sabor do tempero nem é ruim. Então, não seria mais fácil triturar a cebola antes de colocar nos alimentos? Assim, quem não suporta (e tem ânsia de vômito porque é fresco) morder um pedaço de cebola ficaria feliz e quem gosta da dita cuja não veria problema, afinal, é importante comer um pedaço de cebola ou ter a comida bem temperada por ela?

– Fila deveria ser uma coisa simples, né? Uma pessoa atrás da outra, esperando sua vez para ser atendido ou entrar em algum lugar, correto? Então, por que cargas d’água algumas pessoas parecem desconhecer TOTALMENTE um conceito tão simples como o de FILA?

– Se eu digo NÃO, eu quero dizer exatamente NÃO. Se eu digo SIM, eu quero dizer exatamente SIM. Por que algumas pessoas vivem numa realidade paralela em que dizer NÃO na verdade quer dizer SIM ou TALVEZ e onde o SIM não significa que algo será realmente cumprido como acordado?

– Eu estou namorando. Ando feliz, vivendo uma história muito legal e completamente realizado. Porque eu escolhi isso e topei embarcar nessa possibilidade. Se eu não quisesse, estaria solteiro e feliz com o meu estado. Por que algumas pessoas então se prendem a relacionamentos falidos apenas pelo medo de ficarem sozinhas? Ser feliz (sozinho ou acompanhado) não deveria ser o objetivo?

– Quem eu beijo, transo e durmo interessa a mais alguém?

– Coisinha idiota essa onda politicamente correta, viu! Ser desrespeitoso é uma coisa, mas a patrulha que popularizou o tal do bullying é de uma hipocrisia sem fim. Quando foi que o mundo ficou tão chato?

– Alguém realmente acha aquelas sandálias crocs bonitas? Convenhamos, além de dar chulé, acho que as ditas cujas se enquadram no mesmo grupo das calças saruel no quesito unanimidade: não fica bem pra ninguém!

Por que o fogo queima? Por que a lua é branca?
Por que a terra roda? Por que deitar agora?
Por que as cobras matam? Por que o vidro embaça?
Por que você se pinta? Por que o tempo passa?
Oito Anos (Paula Toller)


Eu Vou Bem, Obrigado!

01/07/2011

A frase que mais tenho ouvido nos últimos tempos tem sido:

“Nossa, você está sumido. Como você está?”

O que mais acho engraçado é que nem estou tão sumido assim. Mesmo namorando, tenho saído, ido à festas, visto meus amigos, mesmo que com uma frequência menor. Só que como não carrego mais comigo o status de Solteiro, as pessoas tem a impressão de que eu sumi da vida social, só porque saí do mercado.

Analiso isso de outra forma: fui eu quem sumi ou os outros que se afastaram? Porque mesmo que eu negue um ou outro convite, estou quase sempre disponível para um bom papo e algum momento de descontração junto às pessoas que gosto. Conciliar as agendas pode não ser fácil, mas não é lá uma tarefa das mais difíceis.

Aos mais curiosos, como diz o tema do post, eu vou bem, obrigado! Ando feliz, redescobrindo que a rotina de uma vida a dois pode ser das mais interessantes e me ocupando com a felicidade. Aquela fase de paixão desenfreada de início de namoro vai dando uma abrandada e a gente vai apreciando as pequenas sutilezas do sentimento pelo outro. Do peso de um sorriso, das características de um olhar, do simbolismo de fazer as refeições juntos.

E tem os planos. Tantos e tão aguardados. Em outubro férias a dois, passeando por um roteiro especial que envolve Itália e Espanha. E a vida a dois, pelo visto, vai ser oficializada. Se não por papéis, mas pelas ações, que, a cada dia, vão se tornando mais concretas e objetivas. Mas isso é assunto pra outra hora.

Àqueles que se importam, estou bem. Feliz e meio ocupado e/ou sem vontade de postar aqui. Gosto desse espaço, do blog, de dividir as coisas e ficar bem ao exercitar a escrita, mas já faço tanto isso ultimamente. Escrever, há tempos, deixou de ser um hobby e ganhou contornos mais sérios para mim. Projetos surgiram, foram postos em prática e eu não fugi do desafio. Mas não abro mão de ter esse blog que um dia já abrigou um lado B e que hoje, provavelmente, me revela com mais nuances que um dia achei que revelaria.

A vida, a doce vida, vai seguindo seu curso e a gente se adequando, moldando, vivendo. Mas, como o papo é de amigos, depois de saber de mim, pergunto: e vocês, como estão?

😉

 

Happiness hit her like a train on a track
Coming towards her stuck still no turning back
She hid around corners and she hid under beds
She killed it with kisses and from it she fled
With every bubble she sank with her drink
And washed it away down the kitchen sink…
Dog Days Are Over (Florence + The Machine)

Game Over

22/01/2011

Acabou há dois anos. Ou era pra ter acabado. Pelo menos, oficialmente, acabou há dois anos. Não dava mais, não nos entendíamos, o namoro já estava abalado e, como bons adultos que somos, terminamos. Seguimos a vida, o vi apenas uma única vez depois disso, mas o carinho enorme sempre existiu. Ele foi meu último referencial, meu último namorado, o cara (e a pessoa) que eu mais gostei na minha vida.

Muita coisa mudou, eu mudei, ele também, certamente. Mas, para mim, ele ainda era presente, uma certeza, algo ‘não resolvido’. Conheci caras maravilhosos, tive a oportunidade de namorar alguns, mas sempre que a situação ia ficando mais séria, eu recuava. Inconscientemente (ou conscientemente mesmo) eu achava que ainda ficaríamos juntos. Que era apenas um tempo, um stand by na nossa relação. Eu podia ficar com outros caras, eu podia transar, mas no fim, era com ele que eu voltaria a namorar, era ele o cara certo e a hora errada ia passar.

Até que agora, quase dois anos depois, eu o revi. Com aquele que eu sempre achei que fosse apaixonado por ele, o melhor amigo ‘hetero’ da faculdade, o que desabafava, o que ele confiava. O mesmo cara que ele não teve a coragem de me dizer, mas que apresentou para o meu amigo como o atual namorado.

Na minha cidade, porra! Na Gambiarra, que é a ‘minha’ festa no Rio. Meu território, meu lugar. Fiquei puto, irritado, fui infantil e quase fui embora pra casa. Minha noite acabou ali, cinco minutos depois que entrei na The Week. Por pouco não o mandei à merda, exigi que voltasse pra Petrópolis e nunca mais botasse os pés no Rio.

Mas amigos existem pra te colocar no eixo, pra te trazer pra realidade, pra deixar que você tenha suas crises, mas te poupam de um vexame. E eu segui minha noite. Me diverti, beijei, brinquei, dancei até o dia nascer. Não o vi mais e, na verdade, não queria vê-lo mais.

Por mais que tenha doído, que parecesse como se algo quebrasse em meu coração, era necessário. O game over uma hora precisa acontecer. Para você seguir em frente, para você se desvencilhar de histórias inexistentes, para você se permitir.

A história finalmente acabou. Ponto final. Game over!

E eu precisava ver para que minhas fichas caíssem. E agora, caídas, não há mais nada a fazer a não ser viver. Plenamente!

I’ve been roaming around always looking down at all I see
Painted faces, fill the places I can’t reach
You know that I could use somebody
Someone like you, and all you know, and how you speak
Countless lovers under cover of the street…
Use Somebody (Kings of Leon)