Necessidades Básicas

03/08/2012

Namorido vai até à cozinha, abre a geladeira, fica contemplativo e volta para o quarto,. Vira-se então para mim e diz, todo sério:

“-Eu gosto muito da nossa geladeira! Tem tudo o que precisamos dentro dela: água, pudim e bebidas alcóolicas! Não poderia ser melhor!”

Eu sorrio e tenho de concordar.

Cada um sabe bem quais as suas necessidades básicas e prioridades nessa vida, não é mesmo! As nossas, pelo menos por enquanto, estão mais que satisfeitas com água, pudim e bebidas alcóolicas diversas!

Estão servidos?


A Visita dos Pais

06/02/2012

Minha relação com meus pais sempre foi amigável. Apesar de minha mãe sonhar com uma família de comercial de margarina, a gente sempre foi muito prático. Sempre houve amor, mas também sempre existiu uma boa dose de comedimento. Pelo que me lembre, eu só disse ao meu pai, claramente, que o amava tem poucos anos. Desde que saí de casa, entretanto, meu relacionamento com ambos melhorou muito. Sem aquela coisa de viver sobre o mesmo teto e, teoricamente, viver debaixo de regras que não eram suas, o relacionamento passou a fluir de forma bem mais agradável.

Mesmo assim, o assunto homossexualidade ainda é um tabu. O que acaba sendo ridículo, uma vez que eu não namoro nenhuma mulher há anos e, atualmente, moro com meu namorado. O que vivo com meus pais é como a política don’t ask, don’t tell em família. A coisa está lá, explícita, e eles não se tocam – ou fingem não se tocar – da realidade.

Nesse fim de semana eles estiveram no Rio para me visitar. Tinham pendências a tratar no Rio na segunda de manhã, uniram o útil ao agradável e chegaram na minha casa no sábado. Meus pais são apaixonados por sol e praia, dessa forma, me visitar é como relembrar os tempos em que eu era criança e passávamos férias na região dos Lagos. Só que, claro, eu não moro sozinho e eles, claro, não “sabem” que namorido não é apenas um roomate. Cenas de humor involuntário, a gente viveu no fim de semana.

Quando comuniquei que ia me mudar, minha mãe torceu o nariz, mas não emitiu comentários. Ela já aprendeu a não dar palpites na minha vida tem tempos. Como ela é toda cheia de frescuras, não imaginei que fosse aparecer no meu novo lar tão cedo. Mas eis que há algumas semanas aconteceu o casamento do meu amigo em JF, namorido e eu acabamos desviando nossa rota de retorno para o Rio para um almoço com meus pais e, com um convite oficial do namorido para que eles ficassem à vontade para nos visitar, eles não hesitaram muito.

O problema é a hipocrisia da situação que te obriga a vestir uma máscara para as pessoas que você mais ama. O apartamento é enorme, tem dois quartos, eles ficaram bem alojados, mas eu, para evitar conflitos e a exposição de um tema que para eles seria doloroso, saí da minha cama com o namorado e fui dormir na sala. Motivo que, certeza, vai fazer o namorado me sacanear por anos a fio.

O engraçado, entretanto, era ver o namorado desesperado para não cometer nenhuma gafe. Somos um casal, temos nossa intimidade, as pessoas que frequentam nossa casa são nossos amigos. Logo, estamos mais que habitudos a nos tratar de forma carinhosa e há muito que não usamos nossos nomes para chamar a atenção um do outro. E o medo de dar um vacilo e soltar um “gostoso” na frente dos meus pais? Mas ele se saiu muito bem e conquistou ainda mais os meus pais que o consideram uma ótima pessoa. Acho que eu não poderia ter encontrado um roomate melhor pra partilhar a vida 😛

Fico pensando em como seria prático se essa merda de preconceito não existisse e tudo pudesse ser tratado às claras, como deve ser. Infelizmente, porém, há uma porção de detalhes que te obrigam a usar uma máscara pelo bem das relações interpessoais. Meus pais já passaram dos 50, tem um conceito sobre “moral” todo próprio e moldado pela religião (alguém me perguntou em outro post qual era a religião deles, digo agora, Testemunhas de Jeová), além do fato de que a minha saída de Nárnia pra eles soaria mais como agressão do que me faria sentir livre.

Se o mundo não pode ser ideal, não sou eu que vou tornar a vida de outras pessoas (e a minha própria) mais dolorosa. E vamos vivendo, com nossas capas distorcidas da realidade. Afinal, assim é, se assim lhe parece.


2011, Seu Lindo!

16/12/2011

“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”
(Carlos Drummond de Andrade) 

Nunca fui de fazer balanços. Sei lá porque, sempre deixei a vida seguir seu fluxo, fazendo as alterações devidas pelo meio do caminho, não esperando o final do ano para pontuar sucessos e fracassos. Mas pouco depois da meia-noite, na virada do último ano, no meio da Champs-Élysées, eu parei e refleti. Pensei em como 2010 havia sido ingrato e desregrado, desperdiçado com sentimentos que eu insistia em não deixar morrer, impossibilitando que eu seguisse em frente, que eu pudesse cultivar meu novo jardim. E ali, em silêncio no meio da algazarra, vendo pessoas de todo o mundo bebendo champagne escondidos, eu apenas pensei, de mim para comigo, que 2011 seria diferente. E foi!

Minha viagem à Europa no início do ano foi intensa e divertida. Era a primeira vez que eu cruzava o Atlântico, que mergulhava em outras culturas, que me misturava à imagens antes só vistas em cartões postais. Mas o retorno ao Rio foi tão esperado e comemorado! E mal sabia eu que ao voltar pra casa, a minha vida mudaria. Aliás, como é clichê dizer que sua vida pode mudar de uma hora pra outra, não é mesmo? Mas os clichês quase sempre são tão adequados; acho que por isso mesmo viram clichês.

Quando o conheci, no último dia de janeiro, eu não esperava nada. Nem ele. Éramos dois errantes aproveitando algumas horas de tesão, com a única promessa de não termos a obrigação de nos ver novamente. Tolinhos nós dois, que em menos de uma semana nos veríamos de novo. E de novo. E de novo.

A cada dia, a cada encontro, a cada palavra trocada, eu suspirava até que me rendi: estava apaixonado. O bom é que a vida da gente nem sempre precisa ser uma longa novela e ele também dava todas as dicas que também estava envolvido. Foi assim que de “suspeitos de um crime perfeito” nos rendemos e, entregues, logo no primeiro dia de carnaval começarmos a namorar. Apesar de para muitos isso ser impensável, para mim foi a coisa mais mais natural do mundo passar os dias de Momo em sua companhia, conhecendo-o, ao invés de ficar perdido à procura de ninguém. Eu já havia me achado.

E desde o primeiro dia de namoro não mais nos desgrudamos. Dormir separados? Apenas quando estávamos fora do Rio, cada um visitando seus próprios pais em cidades fora daqui. E a que custo, meu Deus! A cama, não importando o tamanho, ficava imensa sem ele ali do meu lado, apenas a um esticar de braços para ser alcançado. Fosse no meu apartamento ou no dele, construíamos algo só nosso, perfeito e especial.

Então, de supetão, ele me chamou para morar com ele.

-Quando?
-Ah, um dia, temos tanta coisa para resolver. Ano que vem?
-Sim, é claro que sim, eu quero morar com você. Um dia. 

Mas existiam os aluguéis, os incômodos de se ser adulto, as contas. E driblando tantos inconvenientes chatos que ambos tínhamos para arcar, a possibilidade de antecipar uma vida em conjunto. E no meio do caminho, em outubro, uma viagem, essa planejada com esmero, para a Itália e a Espanha.

Em Roma, de brincadeira, ele me perguntou onde eu queria casar. Também de brincadeira, eu disse que seria mais romântico em Capri. E na ilha italiana ele me surpreendeu da forma mais doce e emocionante, com direito à champagne, troca de alianças e a um dos dias mais felizes da minha vida.

Na volta pra casa, os preparativos, a mudança, os parabéns dos amigos. E a vida a dois, que vem se mostrando tão simples e, ao mesmo tempo, tão enriquecedora.

Esse ano de 2011 mudou realmente a minha vida, colocando-a de cabeça pra baixo e me fazendo enxergar o mundo pelo avesso de uma forma encantadora. Quem sou eu para reclamar?

E não é só porque eu conheci o cara dos meus sonhos e porque ele fez questão de se inserir na minha vida. Nesse ano eu tive a oportunidade de me aproximar dos bons amigos, eliminar sem dó os parasitas que orbitavam à minha volta e de conhecer pessoas que podem vir a se tornar também importantes.

Em 2011 eu cantei, eu dancei, eu explorei. Eu li livros emocionantes e verdadeiras merdas. Assisti a filmes que me tocaram e outros que já me esqueci. Eu comi podrões e experimentei novos sabores. Eu briguei, bati boca, xinguei,  chorei. Mas também sorri, gargalhei até a barriga doer, contei piadas que só eu entendi, marquei pontos no meu placar imaginário e me senti o fodão por isso. Em 2011, se posso afirmar apenas uma coisa, digo categoricamente: eu vivi.

Assim, não tem jeito, eu preciso agradecer:

2011, seu lindo! Valeu!


Gatos

05/05/2011

Nunca fui muito fã de animais. Cresci numa casa espaçosa, com quintalzinho e cachorro, já que meus pais são apaixonados pelos bichos, mas eu nunca tive nenhuma paixão avassaladora por eles. Eles estavam lá, na deles; eu cá, na minha. Era uma relação cordial, mas sem carinhos exacerbados ou preocupação desenfreada. Sempre preferi os peixinhos no aquário, sem barulho e enfeitando o ambiente. Se eu não tivesse que ter o trabalho de limpar o aquário, era provável que eu até tivesse um hoje em dia na minha casa.

Morando sozinho, meio dado à minha solidão e melancolia, eventualmente ouvia a pergunta: “mas por quê você não arruma um bichinho?”. Simples: para mim, os melhores animais são os de pelúcia – silenciosos, inodoros e estáticos. Não que eu seja um sem coração que agrida os bichinhos, mas sempre preferi manter uma distância razoável de qualquer tipo de animal. Zoológico, por exemplo, nunca foi sinal de diversão para esse que vos escreve. Ver uma porção de bichos exóticos num mesmo lugar, pra quê?

Mas eis que o destino prega peças na vida da gente. E, para terem uma idéia, escrevo esse texto com um gato encostado em mim, querendo um pouco de carinho na cabeça. Pois sim, o namorado é apaixonado por gatos. Mais que isso, tem dois na sua casa, que são tratados como filhos, com todo o carinho que o namorado consegue dar aos dois. E eu, de quebra, aprendi a conviver com eles.

Confesso que torci o nariz na primeira vez que ele me falou deles. Pensei: “Putz, mas gatos?”. Mas quebrei a cara, pois hoje me vejo até que gostando dos bichinhos. Tudo bem, não morro de amores, não me penso de luto se por acaso morressem, mas também não os abomino nem mantenho distância. Estar com eles sobre mim é quase comum e, digo mais, agradável.

O interessante é que os bichanos tem temperamentos diferentes. Um – Wolfgang – é mais carinhoso, carente, adora se esfregar na gente e cobra atenção; é o meu preferido. O outro – Philip -, é arisco, passeia pela casa como se fosse seu proprietário, se aproxima unicamente quando quer ser mimado e mantém-se altivo, com postura de rei do pedaço; é o preferido (e primogênito) do namorado.

Esperto que sou, nunca entraria numa disputa com os dois, por exemplo, pedindo ao namorado que escolhesse entre nós. Eu perderia bonito, com grande vantagem pros bichinhos. Mas, essa nunca foi minha intenção e aprecio a forma como meu namorado se relaciona com eles. É um carinho tão puro e desinteressado que dá gosto de ver. E ele recebe tudo isso de volta, mesmo sabendo que os donos da casa são eles e que temos de nos considerar satisfeitos por nos permitirem estar em seu reino.

Além do quê, é possível não amar seres dotados de um super-poder? Porque sim, aprendi com meu namorado: gatos emitem partículas de preguiça e, se estamos num mesmo ambiente que eles, como por exemplo, jogados na cama, é impossível acordar facilmente, já que essas partículas agem sobre os humanos de forma cruel e determinante. Eu, preguiçoso que sou, nem tento lutar contra isso e fico lá, deitado, largado, apreciando os braços de Morpheu, induzido pelos bichanos.

No geral, relacionamento é isso: descobrir que até mesmo suas certezas mais categóricas (“nunca gostarei de um gato!”) podem ser desmistificadas e modificadas. E agora, acariciando um lindo gatinho preto posso garantir que até é bem legal ser surpreendido e se deixar levar por uma simpatia por animais que lhe era desconhecida. Afinal, até o mais gelado dos corações pode ser surpreendido e se ver derretido por um bichinho.

OBS: Na foto que abre o post, da esquerda para a direita, eles, os donos da casa: Philip e Wolfgang. São eles que mandam. Alguém duvida?

Se num novelo fica enroscado
Ouriça o pelo, mal humorado
Um preguiçoso é o que ele é
E gosta muito de cafuné…
O Gato (Marina Lima)


Coisas Que Não Tem Preço

26/04/2011

– Entrar na Zara e ver um cidadão comprando um tênis idêntico ao que você está nos pés e pagando por ele R$ 99, sendo que você pagou, pelo mesmo tênis, em Londres, £ 9. Dá vontade de dizer ao cidadão: “O meu foi mais barato, o meu foi mais barato!” Mas, né? Você fica só na vontade e se deliciando por se achar mais esperto e econômico.

– Dizer “É assim!” e ouvir em resposta “Não, não é assim, é do outro jeito.”. Assentir com um “Tudo bem, vai lá!” com direito a tapinha no ombro e tudo. Só pra ver que era exatamente do jeito que você falou que era e poder falar no final: “Eu não disse?”

Ouvir aquela música linda, só pegar um trechinho dela, ficar o dia inteiro repetindo-a na cabeça, chegar em casa, jogar no Google o trechinho e descobrir o nome da dita cuja só pra conseguir baixá-la e ouví-la até enjoar!

– Beber demais, literalmente “apagar”, mas continuar falando tudo que lhe vem à mente, para se esquecer de tudo que foi dito segundos depois. Acordar no dia seguinte vendo o sorriso mais lindo do mundo só porque você falou apenas a verdade num momento de embriaguez e que isso contou MUITO para o outro que pode ver, blame it on the alcohol, você como verdadeiramente é e pensa.

– Entrar no cinema, pegar aquele livro, começar a ouvir uma música, sem nenhuma pretensão e ser surpreendido de um jeito bom, exatamente porque você não tinha nenhuma expectativa para aquilo que lhe aguardava.

– Dormir junto todo dia e, a cada dia que não se dorme junto, sentir falta daquele braço sobre você, daquele abraço matinal e daquele “ah, vou ficar dormindo por mais 10 minutinhos, você se importa?” que você sabe que durará até as 11h, mas, que problema tem? Ele pode, né!

– Sentir saudade de alguém. Muita. Forte. Avassaladoramente! Mas ter a certeza que ao revê-la, essa pessoa irá sorrir para você e toda a saudade terá valido a pena.

– Mandar alguém pro quinto dos infernos. E ficar feliz, porque apesar de você nem acreditar no inferno, tem gente que merece muito ir pra lá e nunca mais voltar! E se fantasmas existem, que fiquem por lá, no quinto dos infernos!

– Sem querer, cair na página de um cidadão por quem você já foi completamente apaixonado – e que te fez sofrer pra caralho – no Facebook e, com aquela curiosidade do tipo “ok, foi um acidente de carro, mas eu não consigo parar de olhar” se dar conta de que o tempo passou e que ele está MUITO feio e acabado. Enquanto você? Você deu uma senhora melhorada e tá muito bem acompanhado.
Revenge – silenciosa e sem motivos -, a gente vê por aqui!

There are secrets that we still have left to find
There have been mysteries from the beginning of time
There are answers we’re not wise enough to see
He said… You looking for a clue, I Love You free…
The Riddle (Five For Fighting)


Drops Autorais

19/04/2011

As luzes se apagaram e o filme começou. Aos poucos fui sendo pego por aquela história que não esperava que me tocasse tanto. Verdade seja dita, eu não sabia NADA sobre o filme e descobrí-lo ali, enquanto o assistia, foi uma experiência arrebatadora.

Um pescador, sua esposa grávida, um pintor. Um triângulo amoroso no meio de tantas tradições locais de uma aldeia praiana do Peru. Uma paixão ‘diferente’, três protagonistas sensacionais e uma história que cativa e nos deixa pensativos, empáticos.

Contracorrente, que dispensa o rótulo de filme gay. Contracorrente, uma história sobre pessoas e sentimentos, um filme sobre a hipocrisia que tantos de nós já/ainda vivemos. Contracorrente, um filme imperdível – maiores informações aqui.

Depois de muito tempo entrei no MSN. Vida corrida, sentimentos à flor da pele, falta de tempo/vontade de estar ali, naquela vida virtual, se a real estava aqui, tão presente. Olhei os contatos e, enquanto fazia uma limpa naquela lista, a janela piscou. Eu ignorei e ela continuava lá, piscando.

Abri, li, ri.

Block. Del.

Ando assim. Prático.

Chego na portaria do meu prédio e sou interpelado por um dos meus porteiros – o mais bonitinho:

-V0cê conhece Buenos Aires, né? Vou passar férias lá, você pode me dar umas dicas?

Então, né? Fui pego de surpresa, mas enumerei uns pontos turísticos interessantes e recomendei um ou outro lugar legal pra se comer em Puerto Madero.

Dois dias depois, entro no elevador e o mesmo porteiro está lá, vindo de um dos últimos andares.

-Hum… One Million! Muito bom.

Eu, sem entender, demorei uns 30 segundos pra me dar conta que ele falava do meu perfume. Devido a minha cara de caneca, ele emendou:

-Eu gosto muito de perfumes. Coleciono. Paco Rabanne é excelente.

Assim, todos os meus preconceitos sociais vão pro espaço.

Acordei, como acordo todo dia. Virei para o lado, como viro todo dia. Olhei para ele, como olho todo dia. Sorri ao vê-lo dormir, como sorrio todo dia. Ele continuou preguiçoso, como o é todo dia. O beijei, como beijo todo dia.

E então, fiz algo que a há muito não fazia: agradeci a Deus, vejam a ironia.

Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã…
Cotidiano (Chico Buarque)


Aleatoriedades Pós-Férias

28/03/2011

Carnaval, férias, namoro, ócio – muito ócio! – e nenhuma vontade de escrever. Na verdade eu até pensava que poderia escrever algo para, logo em seguida, voltar para minha preguiça e ficar jogado assistindo a um episódio de Criminal Minds ou simplesmente lendo alguma coisa qualquer.

Mas como tudo que é bom dura pouco, cá estou eu de volta para minha rotina, doido novamente para tirar novas férias, mas ligeiramente mais animado para voltar para meus hábitos diários – incluindo escrever.

O namoro vai bem, MUITO obrigado. Passei tanto tempo curtindo a vibe solteiro no Rio de Janeiro que até tinha me esquecido como eu gosto de namorar, de ter alguém me esperando, me mimando, de fazer programas de casal . E eu dei a sorte de achar alguém que é quase uma cópia minha um pouco mais velha, com os mesmos gostos e aptidões, mas que mesmo assim consegue me surpreender ao me apresentar seu mundo, com algumas coisas tão novas para mim.

Há muito não me sentia tão feliz. A vida profissional vai bem, a sentimental excelente e não vivo grandes dilemas existenciais. Tenho vivido a serenidade de um mar tranquilo. Confesso que, às vezes, bate aquele medo do que pode vir – porque sou desses, que desconfiam quando tudo está muito bom e se depois de toda tempestade vem a bonança, o contrário também pode ser verdade, né?! -, mas tenho me deixado levar pela maré, que me sacode calmamente para lá e para cá, como se eu estivesse sendo, depois de muito tempo, ninado pela vida.

Alguns projetos paralelos ocupam meu tempo e minha criatividade, além de estar me divertindo fazendo um curso de MBA. Parece que tem alguém de bom humor para comigo e eu correspondo, sorrindo de volta.

Das coisas que meu namorado diz.

O assunto era American Idol e eu comentava sobre o tema das apresentações da semana.

Eu: Olha, o tema é o ano em que você nasceu!
Namorado: Jura, que legal! Vai ter muita coisa interessante!
Eu: Pois é, bastante material.
Namorado: Mas por que será que escolheram especificamente o ano de 1975?

Pergunto: tem como não amar? s2

It’s always been about me myself and I
I thought relationships were nothing but a waste of time
I never wanted to be anybody’s other half
I was happy saying that our love wouldn’t last
That was the only way I knew till I met you
I Do (Colbie Caillat)