Sedução. Só Que Ao Contrário!

30/07/2012

Tem uma coisa que eu chamo de Síndrome da Aliança, que consiste basicamente em você passar a ser notado pelas pessoas quando é comprometido. Se, quando solteiro, você não era lá muito cantado ou percebido, quando começa a namorar ou muda seu status de relacionamento, pessoas começam a surgir do nada, insinuando-se ou te cantando na cara dura.

Claro, faz bem pro ego sentir-se desejado, mas tem situações que chegam a ser bizarras. E, claro, são essas que eventualmente acontecem comigo. O bom é que, passado o choque, essas situações sempre rendem boas gargalhadas, seja pelo inusitado da situação, seja pela bizarrice generalizada.

Por isso, divido com vocês, duas “cantadas” que levei na última semana:

> Situação 01

Na minha rua tem uma igreja católica. Apesar de morar bem perto do centro do Rio, logo no comecinho da zona sul, minha rua tem aquele ar de vizinhança, onde todo mundo meio que se conhece, mesmo que seja de vista.

Como tenho investido no hábito de caminhar na Praia do Flamengo ao final da tarde,  passo frequentemente em frente à igreja onde, por volta das 18h, o padre responsável, encontra-se de pé em frente ao portão de acesso. Imaginem um homem de, aproximadamente, seus 40 anos, sem batina, mas com uma camisa com aquele característico colarinho dos religiosos. Nem feio, mas também não bonito, um homem normal.

Já havia observado que ele me encarava e, eventualmente, me desejava boa noite quando passava. Até que na última semana, eu passando em frente à Igreja com fones de ouvido, mas com o som desligado, ouvi a seguinte frase dirigida à minha pessoa:

“Deus abençoe tamanha formosura!”

Juro, eu ri. Porque, né? Super moderna e sedutora essa cantada.

 

> Situação 02

Sexta-feira, aproximadamente 19h. Entro no metrô da Glória, indo para o centro, onde iria encontrar com namorado e amigos para assistirmos ao musical O Mágico de Oz, no teatro João Caetano. Como seriam apenas duas estações, qualquer linha do metrô me atenderia e acabei pegando um vagão do trem Botafogo-Pavuna.

Em pé, mexendo no celular e distraído, minha atenção foi chamada por duas meninas sentadas um pouco à minha frente que me olhavam e riam. Claro que achei que estava sujo, amarrotado ou com algum problema. Foi quando uma delas se levantou e foi falar comigo, com o seguinte texto:

“Oi, meu nome é fulana e minha amiga adorou você e quer te conhecer melhor.”

Caralho, o que fazer? Me lembrei muito de quando se tem 15 anos e é necessário que um(a) amigo(a) chegue em alguém pra você. Ainda bem que já estávamos na Cinelândia e minha única resposta foi:

“Desculpa, eu vou descer na Carioca!”

E desci.

Sinceramente? Preferia ser meio invisível do que ter ganhado esses elogios. Afinal, nem pra causar aquele ciuminho gostoso no namorado serviram, só o fizeram rir! Dá pra entender, né?

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Essas Coisas Inusitadas do Nosso Dia a Dia

05/11/2010

Domingo, tardezinha, a caminho da zona sul. Na estação, fone de ouvido, pensamentos perdidos. O vagão chegou, eu conferi “Destino: Estação General Ozório – Ipanema”, entrei. Alguns lugares vagos, e eu escolhi um ao lado de um menino muito bonitinho, que segurava uma bola de futebol e trajava roupas esportivas, provavelmente vindo de algum jogo.

Preciso descrevê-lo, mesmo tendo o encarado brevemente: olhos azuis, cabelos castanhos escuros e bagunçados, fone no ouvido, cara séria.

Sentado ao lado do menino, eu cantarolava e o observava pelo reflexo na janela à nossa frente. Foi quando vi que ele também me olhava disfarçadamente e sorria. Eu, que fico tenso nessas situações, comecei a rir.

O menino, com uma tranquilidade tremenda, tirou o casaco esportivo que usava, e jogou sobre as pernas e, com a mão debaixo do casaco, começou a deslizar os dedos pelo lado da minha coxa. Eu olhei pro lado e ele riu, o que me deixou mais constrangido. Sem se importar, ele colocou o casaco também sobre a minha perna e pousou a mão sobre a minha coxa e ficou com ela parada ali, fazendo um leve carinho.

Não trocávamos nenhuma palavra, mas a excitação pairava sobre nós. Quando os alto falantes anunciaram a estação Cardeal Arcoverde, em Copacabana, ele se virou para mim e disse:

-Me dá seu telefone.

Vou parecer estúpido, mas o que fiz? Eu dei o telefone. Mas não, não dei o número, não falei nada. Simplesmente peguei meu aparelho de celular e dei na mão dele, achando que todas as demais pessoas no vagão olhavam para nós. Ele riu, digitou um nome e um número no meu aparelho, salvou e deu um toque para o seu próprio celular. Piscou para mim, se levantou e, ao chegar na estação Siqueira Campos, saiu do vagão.

Alguns minutos depois recebi uma SMS:

“Adoro esse tipo de coisa inusitada que acontece nos lugares mais improváveis. Prazer!”

Eu ri da situação, respondi a mensagem passando meu MSN para ele e segui meu caminho.

Dias depois ele me adicionou no MSN e finalmente conversamos. Que menino simpático, divertido, ousado e tão… jovem! Todo o tesão que eu senti com a situação foi embora quando ele me disse que tinha 17 anos. Pois é, sou bobo, medroso e quero distância de problemas, por isso dei uma desculpa para ele que estava viajando para a França (ok, antecipei a viagem para ele em 2 meses) e que só voltaria em janeiro e o bloqueei no meu MSN.

Melhor manter a tentação em stand by, não é mesmo? Mas em janeiro, quando eu já tiver voltado de férias, ele já terá completado 18 anos. E então, quem sabe?

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar,
Cores de Frida Kahlo, cores…
Esquadros (Adriana Calcanhoto)