Restaurant Week

31/05/2012

Sempre fui MUITO chato pra comer. Aliás, ainda sou bastante chato pra comer. Mimado, enjoado, chame como quiser, mas nunca me imaginei experimentando alguns sabores ou me permitindo comer algo mais exótico. A aparência sempre foi, antes de tudo, o mais importante na comida para mim. Se eu não ia com a cara de alguma coisa, nunca sequer que iria nem mesmo experimentar.

Mas como o hábito faz o monge, tudo é questão de costume. E apesar de ainda ser meio reticente a alguns sabores, tenho andado propenso a pelo menos experimentar antes de dizer que não gosto. A gente cresce, né?

E comer bem é tão bom! Adoro restaurantes e comida requintada. Pena que isso às vezes  sempre sai um pouco bastante caro. Principalmente no Rio. Ô lugarzinho pra ter restaurante caro. E bom!

Foi por acaso que descobri a Restaurant Week. Uma amiga enviou o email com o link e convidando para almoçarmos todos juntos (a grande família feliz de amigos fofos, owwww!) num dia. Claro que fui desvendar a parada e acabei adorando a ideia.

A Restaurant Week nasceu em Nova York, mas essa já é a sexta edição (no Rio). Trata-se de um evento que reune uma série de restaurantes de algumas cidades brasileiras e, durante um período (esse ano, de 21/05 a 03/06), busca-se popularizar a gastronomia. Nesse ano, os menus custam R$ 31,90 no almoço e R$ 43,90 no jantar, incluindo entrada + prato principal + sobremesa. Acredite, uma senhora economia já que nesses mesmos restaurantes, muitas vezes nem mesmo somente o prato principal custa esse preço.

Por isso, na última semana eu já fui a três restaurantes dentro do evento e comi maravilhosamente bem. Branche, Marinado e Amaranto foram os meus escolhidos até o momento e, posso garantir, foram experiências maravilhosas. Pratos deliciosos, ambiente agradável e preço acessível, quer coisa melhor? Fora que fica o desejo de voltar em uma outra ocasião, o que é excelente para os restaurantes.

Por isso, fica a dica: se na sua cidade está tendo o evento culinário, vale a pena conferir. Seu paladar agradece!

E isso nem foi um post patrocinado (e poderia ser que eu nem ficaria incomodado em ganhar dinheiro pra indicar o que realmente acho bom, hehehe).

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Cenas do Metrô Carioca

25/05/2012

Metrô do Rio, Estação Glória, 08:40 da manhã.

Sonolento, entro no vagão em sentido à General Osório, para mais um dia de trabalho. Distraído, vou pensando na minha cama quentinha e na série de pendências que eu tinha de regularizar. Seria mais um dia normal, se não tivesse minha atenção desviada para um casal encostado na parede do vagão, bem próximos a mim.

Descrição inevitável. Ela: periguete, calça beeeem justa, blusinha de alça, alguns muitos quilos a mais saltando da calça justa e da blusinha, com o vocabulário pontuado pelas expressões nem e no meio das frases. Ele: alto e magro, roupa que se pretendia social (mas que deixava o observador na dúvida se ele era um crente, um porteiro ou alguém apenas com mal gosto), cordão e pulseiras douradas.

O casal parecia fazer uma limpeza nas paredes do vagão, tamanho era o esfrega-esfrega em que se encontravam. ÀS.OITO.HORAS.DA.MANHÃ.DENTRO.DO.METRÔ. As pessoas, constrangidas, fingiam não olhar, mas observavam de rabo de olho tamanha paixão matutina, com direito a beijos cinematográficos, mãos bobas bem ousadas e alguns gemidos abafados.

Foi ali pela estação Flamengo que tudo desandou. O que era fogo e paixão virou, à princípio, uma pequena discussão entre os dois. Aos poucos, a conversa alterada foi ganhando mais volume e começaram a chover expresões como viado vagabunda. E as pessoas próximas, inclusive eu, começaram a dar disfarçados passinhos para o lado, procurando uma distância segura dos dois.

Um dedo dele apontado na cara dela começou a confusão. Os gritos tomaram o ambiente e vários tapas foram dados no rapaz, que só conseguia reagir chamando-a de puta e vagabunda. O pessoal do “calma, calma” resolveu se manifestar e um silêncio constrangedor tomou conta do vagão. Até que na estação Cardeal Arcoverde a moça saiu intempestivamente do vagão e o rapaz foi atrás dela.

Dentro do vagão, todos acompanhávamos a cena que se desenrolava na plataforma com um bizarro interesse. Puxada pelo braço pelo rapaz, a periguete se revoltou e virou um sonoro tapa na cara de seu stalker amoroso. Vexatoriamente exposto para todos no metrô, o jovem reagiu, segurando a garota pelos braços, que começou a gritar por socorro, chamando a segurança e se dizendo atacada.

Foi exatamente nessa hora que o vagão fechou suas portas e seguiu viagem. Na cara de todos os passageiros, a decepção de não conseguir acompanhar até o fim o primeiro barraco do dia. E, tenho de confessar, fiquei curioso para saber como tudo aquilo se desenrolaria.

Pois é, curiosidade é foda! Principalmente se você é apenas um mero espectador da vida alheia.


Laços Sanguíneos

23/05/2012

E então que tem o meu irmão. Pois é, surpresa pra grande parte da nação que, graças ao meu egocentrismo e comportamento mimado jura que sou filho único. Isso mesmo, frustrei todos vocês, eu tenho um irmão.

Mas o fato é que eu cago e ando pro meu irmão, sempre caguei. Sete anos mais novo, todo errado (mas TODO num nível que vocês nem devem imaginar) e uma pessoa com quem eu não mantenho nenhum tipo de contato há aproximadamente cinco anos. Daí que os mais bobinhos puristas vão falar que tem os laços sanguíneos e eu vou rir, porque, né, convenhamos! Acho que já deu pra perceber tem tempos que eu tenho uns conceitos bem diferentes de muita coisa que é sagrado pra grande maioria.

Família a gente não escolhe e isso é uma merda. E eu falo isso com tanta tranquilidade, exatamente por causa do meu irmão. Somos tão diferentes, mas tão diferentes, que tenho até preguiça de começar a enumerar as disparidades. E nunca nos demos bem. N-U-N-C-A. O que assusta novamente aos mais família é exatamente o que digo a seguir: nunca senti falta desse “relacionamento”.

Primeiro que nunca quis ter um irmão. Eu nasci, estava lá todo feliz e ele surgiu anos depois. Simples assim. E não é porque temos os mesmos pai e mãe que devemos ser super amigos e ligados por alguma força invisível. Pra mim que duvido até de Deus, acreditar em Super Bonder genético é um pouco demais, não é?

A vida passa, a gente cresce e, algumas vezes, certas coisas se acertam. Outras, se definem permanentemente. É o caso do meu irmão e eu. Os caminhos se separaram há muito e fui privado de conviver com ele até agora, quando o filho pródigo retornou ao lar materno. E mesmo que eu não more com meus pais e viva distante mais de 200 kms deles, eventualmente eu tenho de ir visitá-los, que é algo que farei nesse fim de semana, pela primeira vez desde que meu irmão voltou a morar no mesmo teto que eles.

Alguns amigos (e até o namorido) olham pra mim com um ar de interrogação nos rostos querendo saber como pretendo “reencontrar” o dito cujo. E, de boa, acho que vai ser a coisa mais tranquila do mundo, como um estranho revendo outro. Porque poderia agora escrever que planejo sentar e conversar e aparar as arestas. Mas é óbvio que isso nem vai acontecer, porque não faço questão alguma de algo do tipo. Para mim, se meus pais estão felizes no momento é o que me basta. Meu irmão ser o responsável por essa felicidade é apenas um ônus aceitável.

O fim de semana passará, eu voltarei para casa e pra minha vida e ele continuará lá. Se tudo correr bem (e apesar de tudo, desejo que ele siga em frente e leve sua vida da melhor maneira possível, principalmente pelos meus pais), ele continuará lá e eu cá, tendo de muito eventualmente nos esbarrarmos quando eu for ver os meus pais.

Sem dor, sem culpa, sem grandes problemas ou dilemas. Ele é meu irmão, mas… e daí, né? Talvez Freud explique. Ou não.


Retórica

08/05/2012

Domingo, 06/05/2012. Prova da Petrobrás.

Sabem aquelas provas que você nem sabe pra que se inscreveu? Então que eu sou meio assim: me inscrevo para provas e vou para elas com uma fé no “vai que…” que chega a me comover. Porque, vou ser bem sincero: eu nunca estudei na vida. É feio, eu sei, mas nunca tive o hábito, essa coisa de chegar em casa, sentar com os livros, aprender as coisas, saca? Sempre prestei atenção nas aulas e pronto, me virava bem, fazia as provas, passava.

E olha que sempre fui bom aluno, sempre entre as três melhores notas da sala. Pelo menos até a faculdade, quando relaxei de vez e estar na média já estava bom, essas coisas que a rebeldia universitária faz com você.

Aliás, entrei na faculdade assim, bem nas coxas mesmo. Me inscrevi no vestibular, fiz a prova e acabei aprovado pra uma federal. Vamos cursar, né?

Teve também o meu emprego público. Por sorte ou azar, passei muito bem pra um concurso que sequer me lembrava que tinha me inscrito. O salário nunca foi ruim, os benefícios sempre foram muito bons e vamos nessa, já há quase 10 anos na mesma empresa e sem reclamar muito. Porque quando paro e penso que tudo poderia ser bem pior, desisto de reclamar.

Mas a prova de domingo me deixou pensativo. Para situar vocês: fui para a prova depois de ter bebido todas na comemoração de aniversário de um amigo na véspera. Fui dormir tarde, acordei sem nenhum pique e, pra completar, não via a matéria do concurso desde que terminei a faculdade, no distante ano de 2007.

Saí do Humaitá, onde realizei a prova, exatamente 1h30min depois dela ter começado, certo que tinha ido MUITO mal. Mas então saiu o gabarito e me assustei: mandei benzaço em português e inglês e nas específicas nem fui tão ruim quanto imaginei. Na verdade, acho que até passei na bendita prova. Tudo bem, vou passar naquele ponto de corte e tal, mas vou passar.

Foi então que fiquei pensando: porra, por que eu não estudo? Porque se cinco anos depois de ter terminado a faculdade eu encarei uma prova com matérias que eu não vejo há tanto tempo e nem fui tão ruim assim, se eu tivesse estudado era bem capaz de eu passar numa porcaria dessas. Então, por que não tomo vergonha na cara e não estudo?

Pois é, eis uma boa retórica.