Grisalhos

15/03/2012

Quando moleque, me lembro claramente da sensação de que havia MUITO tempo pela frente. Os anos se arrastavam e, para chegar logo nas férias de verão, como demorava! O objetivo era fazer 18 anos logo e ser “adulto”. Como era inocente!

Mas o tempo, que depois de certa idade se torna cada dia mais implacável, passou, é claro. Primeiro os 18, depois os 20, os 25 e agora, cá estou, na casa dos 30. Se pudesse, sinceramente, escolher uma idade para me congelar nela, seria ali pelos 27 anos, quando a gente não é mais tão idiota como era aos 20, nem tão próximo da meia idade, pelo menos tendo essa sensação, quando se passa dos 30. Os 27 são fantásticos e eu poderia morar nessa idade por toda eternidade. Mas, né, isso é impossível.

E cá estou enrolando para falar do verdadeiro assunto desse post: os meus cabelos grisalhos. Porque eu me pergunto: como assim, cara pálida? Meu pai já passou dos 50 e tem um ou outro fio branco, e eu aqui, grisalhando total. Segundo minha mãe, para me consolar, ela começou a ter cabelos brancos aos 20 anos e, a partir daí, sempre pintou, o que não me é, nem de longe, uma alternativa. Podendo puxar meu pai ou minha mãe, quem foi que eu puxei?

Eles começaram aos pouquinhos, isolados, nas laterais da minha cabeça. Aliás, a bem da verdade, eu nem me importo muito com eles ali em cima. Pode ser pretensão, mas sei lá, gosto de pensar que posso ficar com um ar meio George Clooney, meio William Bonner, por ter os cabelos grisalhos. Ok, é pretensão e exagero, mas eu acho, ué. O blog é meu, os cabelos grisalhos também, logo, eu acho o que eu quiser.

O problema maior foi quando eles começaram a pipocar na minha barba. Sim, você leu direito: pelos brancos surgindo pelo meu rosto, como verdadeiras ervas daninhas! Tenho uma barba cerrada que, por sinal, até gosto de manter. Desde que estou com namorido então, que aprecia o visual, deixei de lado o rosto liso e mantenho os pelos aparados num tamanho que considero ideal. Mas eis que agora, em tufos, eles estão ficando brancos. Começou aos poucos, com um ou outro fio, e eu fiz a egípcia total. E acho que exatamente por isso eles se revoltaram e, tal qual Gremlins, resolveram se multiplicar a tal ponto, que já não consigo mais ignorar: estou ficando velho. E de barba branca!

Tenho uma amiga que tenta elevar meu astral e diz que acha os fios brancos na barba algo meio charmoso. Mas eu, de minha parte, se pudesse, manteria os fios em sua coloração original e fim de papo e assunto encerrado. O namorido lindo, por sua vez, parece gostar-ou-não-se-importar com a barba grisalha que se manifesta em meu rosto. Menos mal, porque a alternativa é voltar ao rosto liso e sem pelos, que eu não penso mais como uma opção.

E vamos assimilando as novidades que o tempo, sempre ele, senhor que nunca se atrasa, vai nos presenteando com o passar dos anos. Dessa forma:

  • fios grisalhos na cabeça: ok, eu aceito, me dá um ar meio galã (a-ham!)
  • fios grisalhos na barba: o que se pode fazer, né? tem quem goste (não sou eu, deixo claro)
  • fios brancos no peito e nas partes baixas: aí já é demais, né?

Porque no dia que eu olhar pra baixo e descobrí-los lá, povoando zonas que deveriam se manter negras, aí sim, fudeu! Eu piro! Melhor nem pensar nisso, porque como Murphy é meu amigo, eles podem surgir até mesmo hoje à noite. Só de sacanagem!

Mas, como dizem os franceses: C’est la vie!

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