Cliques do Cotidiano

27/02/2012

Nas minhas corridas/caminhadas cotidianas pelo Aterro do Flamengo, normalmente me deparo com paisagens deslumbrantes em dias belíssimos. A Praia do Flamengo, o Pão de Açúcar, a pista do Aterro, tudo me parece digno de prender o olhar e a atenção. E se no dia a dia a gente acaba deixando de notar a beleza de paisagens tão comuns, quando apuramos o olhar, vemos quanta coisa bonita estamos deixando de apreciar.

Esses cliques nasceram entre uma corrida e outra, entre goles de água de coco e nos momentos em que parar para descansar era mais que convidativo. Não são todas do mesmo dia, mas sempre tiradas com meu celular, por isso a qualidade não lá das melhores. E são todas dali, do Aterro do Flamengo, o meu quintal de casa.

Concordam comigo que até vale a pena deixar a preguiça um pouco de lado só pra apreciar a paisagem, né?


Aleatoriedades de Férias

23/02/2012

O carnaval já passou, a quarta-feira de cinzas (e a quinta, e a sexta…) chegou e as minhas reflexões sobre a folia nesse ano podem ser conferidas na minha coluna no site True Love, clicando aqui. Só tenho algo a dizer: acho que estou ficando velho e chato. Ou apenas mais cansado de muvuca e gente suada e sem educação.

Acabou que nem contei  essa novidade, né? O True Love, um site dedicado à cultura LGBT (e todas as demais letras dessa sigla que só aumenta), mas com foco diferente dos sites gays mais conhecidos (voltado aos novos casais e famílias que se desenham com as uniões entre pessoas do mesmo sexo), me convidou para ser um dos seus colunistas, com um blog dentro do site, o Pontos e Vírgulas. Por isso, agora estou lá também, falando sobre assuntos aleatórios, nada muito diferente do que já acontece por aqui. Estão todos convidados a conferir!

Já que acabei falando sobre o True Love, aproveito para indicar dois outros blogs, nos quais tenho um pouco a ver com a administração. É 2012 e eu inserido em diversos novos projetos:

Blog do Stanford – o amigo gay do público feminino – e, por que não, do público gay e dos homens hétero -, que conta diariamente com colunas divertidas e cheias de um humor todo peculiar do personagem em questão. Um ahazo, como ele mesmo diz!

Pop de Botequim – Cultura pop em geral, com uma pitada de cinismo e ironia. No Pop de Botequim você encontra de resenha de livros, filmes e séries até mesmo notícias quaisquer ligadas ao universo pop. Você pode curtir a página do Pop de Botequim no Facebook e ainda concorrer a promoções já planejadas.

Férias para que te quero. Porque sim, estou novamente de férias, graças a Deus. Aos espertinhos que vão dizer “mas de novo?”, já adianto: tenho culpa de saber otimizar as minhas férias e aproveitar vários períodos de descanso durante o ano?

Dessa vez nada de viagens; apenas descanso, sombra e água fresca. E quero curtir bastante a praia porque sou filho de Deus, mesmo que tenha lá minhas dúvidas sobre a sua existência.

Viagem agora, só em setembro, nas minhas próximas férias (sim, de novo, em setembro, me deixa!). O destino?

“In New York, concrete jungle where dreams are made of
Here’s nothing you can’t do, 
Now you’re in New York,
These streets will make you feel brand new,
Big lights will inspire you,
Let’s hear it for New York, New York, New York…”

Projetos para o pós-férias:

  • Curso de crítica e análise cinematografica – check!
  • Voltar para academia e corridas no Aterro – pendente
  • Ficar rico – em andamento! rs
  • Jogar na loteria para antecipar o item acima – check

É isso. Volto a qualquer hora, com um post qualquer. See ya, folks!


Gastroenterite

14/02/2012

Não gosto de ficar doente. Aliás, acredito que essa seja uma frase bem idiota, porque não consigo imaginar alguém que, conscientemente, goste de ficar doente. Claro que os hipocondríacos ficam de fora dessa conta, porque a hipocondria acaba sendo por si só uma doença. E acho tão paradoxal isso de ter mania de doença e achar que se está sempre doente que, imagino, deva ser uma felicidade quando se está efetivamente doente. Mas, divaguei lindamente nesse primeiro parágrafo, apenas porque eu, obviamente, não gosto de ficar doente.

Acontece que logo depois do casamento do meu amigo em Juiz de Fora, acabei pegando uma gastroenterite. Coisa chata, passei mal, fui parar no hospital, saí com receita médica, fiquei um dia em casa e tudo bem, certo? Errado, porque pra mim nada pode ser assim, preto no branco e, três semanas depois caí novamente de cama com outra gastroenterite, essa segunda bem pior que a primeira.

Enjôo, diarréia, moleza e quase uma semana em casa. Uma semana que eu literalmente perdi, porque me lembro de pouca coisa do que aconteceu, já que passei boa parte dela dormindo ou enjoando. De acordo com a segunda médica, uma bactéria permaneceu no meu organismo e numa brecha qualquer resolveu se agitar dentro de mim, provocando um golpe do estado e me destituindo do comando do meu próprio corpo, causando todos os sintomas. Moral da história: tratamento com dois antibióticos diferentes para ver se dessa vez ela era expulsa de vez do meu organismo.

Acho um saco serviço médico, essa coisa de ficar esperando para ser atendido, depois sendo furado para fazer exames, esperando horas por resultados que farão que você acabe tendo de tomar mil remédios. Fora que mesmo você sendo atendido dentro de um plano de saúde o atendimento nunca é 100% e fico realmente puto em como as pessoas são despreparadas para lidar com o público em geral.

No fim das contas, o que mais me irritava eram os enjôos intermináveis, que só iam embora depois que eu tomava Dramin, sei lá porque motivo. O que acabava me deixando grogue de sono. Ou seja, não sei se era mesmo o Dramin que cortava o enjôo ou se o sono era tanto que eu nem conseguia enjoar.

Como namorido lindo bem falou quando me recuperei minimamente, eu fiquei dopado por alguns bons dias, sem vê-lo chegar em casa e sem consciência de tempo decorrido. Fora que, segundo ele, eu dei certo trabalho aprontando coisas que ele jura que aconteceram e eu não lembro nem remotamente de ter feito, como sair da cama no meio da noite para ir deitar olhando para o céu no meio do terraço. Expliquei já pra ele: se eu não lembro, eu não fiz.

Ainda estou tomando os antibióticos, mas já novamente restabelecido. Só espero que essa tenha sido a última crise, porque já decretei: em 2012, já deu! Nada de doença de novo nesse ano. E tenho dito!


A Visita dos Pais

06/02/2012

Minha relação com meus pais sempre foi amigável. Apesar de minha mãe sonhar com uma família de comercial de margarina, a gente sempre foi muito prático. Sempre houve amor, mas também sempre existiu uma boa dose de comedimento. Pelo que me lembre, eu só disse ao meu pai, claramente, que o amava tem poucos anos. Desde que saí de casa, entretanto, meu relacionamento com ambos melhorou muito. Sem aquela coisa de viver sobre o mesmo teto e, teoricamente, viver debaixo de regras que não eram suas, o relacionamento passou a fluir de forma bem mais agradável.

Mesmo assim, o assunto homossexualidade ainda é um tabu. O que acaba sendo ridículo, uma vez que eu não namoro nenhuma mulher há anos e, atualmente, moro com meu namorado. O que vivo com meus pais é como a política don’t ask, don’t tell em família. A coisa está lá, explícita, e eles não se tocam – ou fingem não se tocar – da realidade.

Nesse fim de semana eles estiveram no Rio para me visitar. Tinham pendências a tratar no Rio na segunda de manhã, uniram o útil ao agradável e chegaram na minha casa no sábado. Meus pais são apaixonados por sol e praia, dessa forma, me visitar é como relembrar os tempos em que eu era criança e passávamos férias na região dos Lagos. Só que, claro, eu não moro sozinho e eles, claro, não “sabem” que namorido não é apenas um roomate. Cenas de humor involuntário, a gente viveu no fim de semana.

Quando comuniquei que ia me mudar, minha mãe torceu o nariz, mas não emitiu comentários. Ela já aprendeu a não dar palpites na minha vida tem tempos. Como ela é toda cheia de frescuras, não imaginei que fosse aparecer no meu novo lar tão cedo. Mas eis que há algumas semanas aconteceu o casamento do meu amigo em JF, namorido e eu acabamos desviando nossa rota de retorno para o Rio para um almoço com meus pais e, com um convite oficial do namorido para que eles ficassem à vontade para nos visitar, eles não hesitaram muito.

O problema é a hipocrisia da situação que te obriga a vestir uma máscara para as pessoas que você mais ama. O apartamento é enorme, tem dois quartos, eles ficaram bem alojados, mas eu, para evitar conflitos e a exposição de um tema que para eles seria doloroso, saí da minha cama com o namorado e fui dormir na sala. Motivo que, certeza, vai fazer o namorado me sacanear por anos a fio.

O engraçado, entretanto, era ver o namorado desesperado para não cometer nenhuma gafe. Somos um casal, temos nossa intimidade, as pessoas que frequentam nossa casa são nossos amigos. Logo, estamos mais que habitudos a nos tratar de forma carinhosa e há muito que não usamos nossos nomes para chamar a atenção um do outro. E o medo de dar um vacilo e soltar um “gostoso” na frente dos meus pais? Mas ele se saiu muito bem e conquistou ainda mais os meus pais que o consideram uma ótima pessoa. Acho que eu não poderia ter encontrado um roomate melhor pra partilhar a vida 😛

Fico pensando em como seria prático se essa merda de preconceito não existisse e tudo pudesse ser tratado às claras, como deve ser. Infelizmente, porém, há uma porção de detalhes que te obrigam a usar uma máscara pelo bem das relações interpessoais. Meus pais já passaram dos 50, tem um conceito sobre “moral” todo próprio e moldado pela religião (alguém me perguntou em outro post qual era a religião deles, digo agora, Testemunhas de Jeová), além do fato de que a minha saída de Nárnia pra eles soaria mais como agressão do que me faria sentir livre.

Se o mundo não pode ser ideal, não sou eu que vou tornar a vida de outras pessoas (e a minha própria) mais dolorosa. E vamos vivendo, com nossas capas distorcidas da realidade. Afinal, assim é, se assim lhe parece.


Um Ano

02/02/2012

Ainda tenho lembranças de como o tempo parecia demorar a passar quando eu era garoto. Os dias eram longos, os meses eternos, os anos então, nossa, como demoravam a passar! Mas a gente cresce, a rotina toma conta de nossa vida e parecem faltar horas, nem que seja para dormirmos um pouquinho a mais. Outro dia mesmo eu fazia 18 anos. Hoje, já passei dos 30.

E parece que foi ontem que conheci o namorido. Mas esse ontem acabou de completar um ano. Um ano de muitas alegrias e mudanças de vida, com um pouquinho de drama no início porque assim é mais gostoso. Um ano de projetos e sonhos realizados, de outros tantos em execução e de vários outros que um dia serão concretizados.

Quando nos conhecemos, no dia 31 de janeiro de 2011, eu não esperava nada e, tenho certeza, nem ele. Mas namorido foi marcando o terreno, ganhando o espaço, me conquistando e sendo conquistado. Um ano depois, cá estamos, “casados” e felizes, compartilhando a casa e o espaço, comemorando que nossas vidas se tenham entrelaçado de forma que nem imaginávamos quando nos conhecemos.

Em um ano eu mudei bastante. Aprendi a ser menos individualista e a ceder espaço. Vi que a solidão que eu tanto apreciava podia ser preenchida por uma companhia interessante e programas diversos, tornando a existência mais agradável e a vida mais colorida.

Em um ano, viajamos juntos, conhecemos culturas e lugares novos. Passamos perrengue, discutimos e aumentamos o tom em alguns momentos. Em um ano, pedimos desculpas sinceramente e fomos nos habituando com o jeito do outro, com as peculiaridades de cada um.

Em um ano eu aprendi a não me irritar tanto lidar melhor com a roupa jogada no chão, com alguma louça sobre a pia, com o tempo dele que pode ser bem diferente do meu.

Em um ano ele aprendeu a me ler com um único olhar, entendeu que sou péssimo para mentir e esconder sentimentos, exerceu sua paciência de formas que ele nunca imaginou ser possível. Aprendeu a lidar com alguém que pode ser irritantemente engraçadinho e que pode acordar ligado em 220 volts, enquanto ele mesmo precisa de tempo para entrar no próprio eixo.

Um ano se passou e sei que demos apenas os primeiros passos na arte da convivência e do companheirismo. E espero, sinceramente, que esse tenha sido o primeiro de muitos anos e que tenhamos ainda mais a comemorar pelo que há pela frente.

Um ano feliz. Um ano juntos.

Apenas um ano. O primeiro ano.