Precisamos Falar Sobre o Kevin

30/01/2012

Baseado no livro homônimo de Lionel Shiver, Precisamos Falar Sobre o Kevin é um daqueles filmes incômodos, que nos acompanham mesmo depois que os créditos sobem, as luzes se acendem e você sai do cinema. Um filme sobre a natureza humana que, muitas vezes, não tem nada de bonitinha.

O filme da diretora escocesa Lynne Ramsay utiliza-se de flashbacks para contar a história de Eva Khatchadourian, a mãe do Kevin do título. Vivida magistralmente por Tilda Swinton, inexplicavelmente esquecida pelo Oscar nesse ano, Eva aparentemente nunca teve uma relação maternal com o filho. Sabe aquele sentimento de amor incondicional que é sempre atribuído às mães? O que Eva sempre sentiu foi um estranhamento, principalmente ao se dar conta de que, desde pequeno, Kevin vivia uma verdadeira disputa com ela. Dessa forma, é interessante notar que o conceito de família feliz de comercial de margarina não é o que vemos na tela, já que a única família feliz existente ali é a que mora na cabeça de Franklin (John C. Reilly), o marido e pai da família.

Já Kevin é retratado, desde pequeno, como um sociopata em miniatura. O jovem, que aparentemente utiliza-se da máxima de dividir para conquistar, leva a mãe a seus limites, adotando uma postura terrível quando vista numa criança. Os atores que vivem o personagem – Rock Duer, quando pequeno, e Ezra Miller, quando adolescente – seguram bem a peteca, não ficando intimidados ao lado de Tilda Swinton, nos convencendo da veracidade daquela história, que poderia muito bem ter acontecido em qualquer lugar do mundo.

Fugindo do estereótipo de famílias funcionais e felizes, capazes de tudo pelo bem estar mútuo, Precisamos Falar Sobre o Kevin quebra o tabu ao mostrar algumas famílias que podem sim ser reais, mesmo que os sentimentos apresentados na tela sejam aqueles que ninguém tem coragem de externar. Afinal, apesar de isso soar como blasfêmia para os defensores da moral e da família, muitas vezes, os laços de parentesco são apenas sangue e nada mais.

Eu, que já havia lido e adorado o livro, tenho um sério problema com filmes baseados em livros. Apesar de saber que são mídias diferentes contando a mesma história, não consigo simplesmente não comparar. Então, sinto falta de determinadas partes, me incomodo quando algum detalhe é sutilmente distorcido e, pior, tenho dificuldade em aceitar quando um ator não corresponde à imagem mental que eu tinha de determinado personagem. Coisa de gente chata, admito. O filme é bom, mas ainda prefiro o livro, com sua história mais rica em detalhes, principalmente àquela que mais interessa, que é o massacre em si, que fica apenas sugerido no filme.

Foi Precisamos Falar Sobre o Kevin que me apresentou à Lionel Shiver e à sua obra. Além do história do pequeno psicopata, a autora tem lançados no Brasil outros dois livros: O Mundo Pós-Aniversário e Dupla Falta. O primeiro ainda não li, mas já está na minha lista. Já o segundo retrata com maestria a história de um relacionamento entre dois atletas do mundo do tênis, desde aquele momento em que duas almas se encontram e sentem-se predestinadas a permanecerem juntas, até o doloroso fim quando ambos se dão conta de que não viviam uma parceria e sim uma disputa de egos. Mais um excelente livro da autora, que toca numa ferida que muitas vezes insistimos em fingir que não existe.

Precisamos Falar Sobre o Kevin, livro e filme, são obras excelentes e que fazem pensar. Mas que não são indicadas para qualquer um. Afinal, muita gente prefere viver num mundo colorido, ignorando o cinza que está à nossa volta. Se você não faz parte desse clube, tenho certeza: irá apreciar!

OBS: Pois é, pode ser que, vez por outra, eu agora comente aqui o que tenho assistido e lido por aí. Só pra não perder o hábito de brincar de resenhar. Coitados de vocês. 😉

Fragmentos de um Fim de Semana

27/01/2012

Na semana passada aconteceu o casamento de um dos meus melhores amigos, que conheci nos tempos da faculdade. A princípio não éramos tão próximos, mas do meio do curso pra lá, criamos uma amizade interessante e ele se tornou um dos caras que eu respeito e por quem sempre torci. O carinho sempre foi recíproco e ele demonstrou isso ao me convidar para ser um dos padrinhos do casamento. Assim, como a noiva era mineira de Juiz de Fora, partimos para lá, namorido e eu, para o casamento.

O bom dessas viagens acaba sendo a possibilidade de sair da rotina. Como era feriado no Rio na sexta-feira, aproveitamos o dia para descansar e dormir até tarde e só pegamos o carro e partimos para JF no fim do dia. A BR 040 é uma delícia para dirigir, sempre bem conservada, mas chegamos cansados na cidade, o que nos levou a um “pequeno” descanso antes do que tínhamos pensado para a noite em JF. Tolinhos nós dois: dormimos até o dia seguinte.

Sábado foi dia de fazer porra nenhuma, saindo para almoçar com outro amigo querido de Belo Horizonte, que também foi para JF para o casamento. E o dia acabou passando até que rápido até a hora da cerimônia, onde eu era um daqueles padrinhos de verdade, que até assinam papel na frente do padre. Confesso: acho cerimônias religiosas, em sua maioria, sacais e intermináveis. O casamento não foi diferente e eu não via a hora de acabar. Mas me comportei direitinho, sem cometer nenhuma grande gafe. E se você estava curioso, garanto: sobrevivi e nem peguei fogo ao entrar dentro da igreja! 😛

Se não tenho paciência para cerimônias religiosas, para festas eu vou amarradão. E a festa foi excelente. Comida à vontade e bem servida, muita bebida e, claro, diversão até dizer chega. Comemos muito, entornei todas (como há muito eu não bebia… Diz namorido que até beijo na boca dele eu dei, na frente de todo mundo, mas, divago) e dancei tanto, que fomos um dos últimos a sair da festa.

No dia seguinte, como Smallville fica entre JF e o Rio, avisei meus pais e almoçamos lá. Tão bonitinho o namorado nervoso ao conhecer meus pais, morrendo de medo de dar algum fora. Mas ele se comportou direitinho, não me chamou de “gostoso” nenhuma vez e ganhou a simpatia dos dois, que foram até que muito simpáticos com ele. Adoro essa política familiar de “não conte que eu não vou te perguntar”, mas com as coisas sempre tão às claras. É assim, a vida da gente, e nem é novela.

A merda se deu no retorno pra casa. O que eu considerava uma ressaca era um pouquinho mais grave, já que veio junto com febre que não cedia e me obrigou a parar no hospital no domingo à noite. Atendimento de emergência, soro na veia pra hidratar e o diagnóstico: gastroenterite bacteriana. Alguma coisa que comi estava contaminada e eu me fudi! Passei alguns dias com febre e dor abdominal, tendo de levar uma vida chatíssima, me alimentando com coisas leves e sem graça. Como é que esse povo consegue viver de dieta balanceada? Eu, heim, isso não é de Deus não!

Mas como nada é para sempre, já estou melhor, voltando a me alimentar como alguém normal, mas nem de longe pronto pra outra. Porque se tem algo que me dá arrepio, é imaginar de novo todo aquele desconforto, e remédios no horário e refeições sem graça e sem gosto.

Saúde para nós! E tenho dito!


Água Para Gatos

17/01/2012

E então que nossos gatos gostam de água. Tudo bem, você pode pensar, como pessoas que são meio lesadas poderiam ter gatos normais? É, você tem razão. Em minha defesa posso dizer que os gatos já eram do namorido antes de eu entrar na vida dele(s). Mas o que fazer se eles são tão adoravelmente amados?

O lance da água chega a ser divertido. Sempre tive a crença de que gatos eram avessos à água, mas eis que Philip e Wolfgang estão aí todos os dias para me provar o contrário. A parada é a seguinte: basta entrarmos em casa para que eles nos rodeiem e nos guiem miando até o banheiro. Uma vez lá, pulam (mais o Wolfgang, tenho de dizer) em cima da pia e aguardam ansiosos que a torneira seja aberta para ficar lá, enfiando a cabeça embaixo, virando-se como podem para beber a água. É engraçado e merece uma foto, que não sei porque ainda não tirei.

Mas Wolfgang e Philip tem modi operandi (aprendi o plural de modus operandi em latim graças ao namorado, tá?) diferentes. Enquanto Wolfgang pula desesperado na pia e mete a cabeça embaixo da torneira, se molhando todo para beber a água, Philip fica olhando para a água, esperando que coloquemos a mão embaixo da torneira para que ele beba a água em nossas mãos, enquanto fazemos uma bica para ele. Pois é, eles são assim, bem desse tipinho.

Apesar de quererem isso toda hora, a gente não dá muita ideia para eles. Afinal, imagina o que é ficar em pé, no banheiro, olhando o gato beber água ou então com a mão estendida pra ele beber? Fazemos, às vezes, quando estamos de pé, próximos ao banheiro e olhe lá. E devo dizer, mais eu que o namorido, que já faz os mimos das “crianças” desde sempre, né?

O problema é que Wolfgang é inteligente. Ele percebeu que quando meu despertador toca de manhã significa que vou levantar e ir para o banheiro antes de começar a me preparar para ir para o trabalho. Então o que ele faz? O despertador do celular toca e ele coloca-se de pronto imediatamente. Se eu quero dormir mais cinco minutos? Ele fica lá, olhando pra minha cara, miando, e lambendo meu nariz, afinal, já é hora de eu ir trabalhar e, claro, dele se deliciar com a torneira do banheiro.

Fora isso tem os dias de chuva. Como esses dois gostam de ficar na área, com a chuva caindo e eles lá, deitados de barriga pra cima se molhando! E depois tentam se aconchegar sobre a gente totalmente molhados, nem se importando que EU não goste tanto de me molhar quanto eles.

Philip e Wolfgang, os donos da casa.

O engraçado é como a gente morde a língua e se afeiçoa a criaturinhas tão fofas. Eu, que nunca tive paciência pra bicho, fico lá, fazendo vontade de gato que quer ter a torneira aberta para beber e brincar na água. É a vida e, digo sem sombra de dúvidas, adoro essa intimidade com os bichanos que já são irremediavelmente amados por mim.


Sobre o Trabalho e Projetos

12/01/2012

Tenho trabalhado bastante. Em projetos particulares, na empresa que deposita salário na minha conta já por quase 10 anos, nos ajustes finais de um artigo de conclusão do meu MBA. E, tenho de confessar, é tão estranho ter coisas pra se fazer em janeiro.

Não sei se fui mal acostumado ou o quê, mas janeiro para mim, mesmo depois que comecei a trabalhar, significava vida mansa. Não gosto de tirar férias em janeiro, mas a vida no trabalho sempre foi uma calmaria nesse mês, já que todos os gerentões da empresa grande que trabalho preferem esse mês para seu descanso. O que dá pra entender, já que pais e mães de família preferem aproveitar os meses de férias escolares para viajar com a prole. Acho que eu faria o mesmo se tivesse uma criança pra cuidar, o que não é o caso, já que o namorido ajusta as férias dele com a minha e nossos gatos não viajam com a gente.

Mas esse ano está um atropelo. Tirei uns diazinhos de folga logo depois do reveillon, mas voltei ao trabalho e estou numa rotina cheia, normalmente das 8 às 18h, o que é uma coisa impensável para mim. Problemas de clientes, acertos de erros alheios, prospecções de novos clientes, enfim, uma correria danada. Pra melhorar, quem normalmente quebra meus galhos, me salvando quando eu preciso achar o caminho das pedras e sair dessas ciladas, adivinhem? Está de férias!

Nos projetos pessoais, motivo do assunto do post anterior, eu ando produzindo bastante para que tudo saia da forma mais adequada. E é tão complicado começar algo do zero! Mas acho que estou me saindo razoavelmente bem, construindo um degrau de cada vez. Minha avó já dizia: de grão em grão, a galinha enche o papo. Assim, vamos aos poucos que uma hora está tudo construído.

[É aqui que agradeço a todos que tem me ajudado, inclusive vocês, blogueiros, que conhecem o cara por trás do Autor e tão gentilmente tem feito a sua parte, já que eu, cara de pau que sou, mando email pedindo ajuda mesmo! E se você não recebeu email e quer ajudar, basta comentar com um email válido no fim desse post que eu digo do que se trata. 😉 ]

Entretanto, sabe que tenho gostado dessa rotina mais… pesada? As horas passam mais rápido, o dia parece se tornar mais produtivo e a ida pra casa é ainda mais aconchegante. Porque o melhor de tudo é saber que não importa quão corrido tenha sido o dia, quando chegar em casa, terei uma boa companhia para compartilhar as dores e alegrias desse mundo de adulto, para me fazer rir ao preparar o jantar ou apenas para ver televisão juntinho, sem pressa alguma da chegada do dia seguinte.


O Motivo da Mudança (A Revolta do Dementador)

09/01/2012

Sou um cara relativamente pacífico e de boa fé. Confio nas pessoas, assim como espero que elas confiem em mim. Trata-se de uma equação simples para mim, uma via de mão dupla. Mas, às vezes, as pessoas nos surpreendem e isso não deveria ser novidade. Antes eu sofria cada perda, cada afastamento, cada rompante. Hoje em dia, abro mão de forma bem simples e natural. É triste, mas alguns relacionamentos tem prazo de validade. E tudo que passa da validade estraga.

Durante muito tempo eu prestei serviços para uma pessoa/empresa. Não era meu emprego principal e tudo começou por prazer, já que em minhas atribuições ali estavam diretamente ligadas a um dos meus hobbies favoritos. Com o tempo, o relacionamento acabou se estreitando e uma “amizade” nasceu. E mais projetos vieram.

Entretanto, na minha fase atual de simplificar a vida e ser mais feliz por isso, adotei a política de que se não te dá prazer e você não está ganhando nada com isso, abra mão. O que me dava tesão nas atribuições deixou de dar, tudo ficou chato e, somado a isso, a bipolaridade alheia passou a me incomodar. Eu não era um empregado, fazia de boa vontade, mas era tratado e cobrado como tal. Havia algo de errado na história.

Desde o início de dezembro avisei que a partir de fevereiro estaria largando algumas das funções que exercia, mas que continuaria exercendo outras, de menor responsabilidade. O tal do prazer voltaria a ser o foco e com diversão, tudo fluiria bem. Recebi um seco “Ok” e julguei ter tomado a decisão mais acertada.

Mas no meio do caminho existia outro projeto no qual estava envolvido e que julgava não estar recebendo a atenção devida. Dei sugestões e, como sou o realizador criativo de tudo, acreditei que poderíamos focar e melhorá-lo. A resposta seca e agressiva dizia apenas que se eu estava sem tempo para os demais, que era melhor não me comprometer com o dito cujo; que “de um jeito ou de outro” as coisas continuariam com ele. Posso ter a cara, mas de bobo não tenho nada. Pontuei abertamente o que eu havia criado e recebi como resposta: “fique à vontade para fazer com ele o que você quiser.” E foi o que fiz, simples assim.

Apesar do desgaste que esse tipo de embate causa, para mim estava tudo resolvido. Amizades vem e vão e se essa não resistiu ao que começou, de minha parte, a uma troca cotidiana de emails, que tivesse chegado ao fim sem grandes traumas. O que não contava era que a pessoa levasse o que para mim era uma questão de ordem “profissional” para o lado pessoal. Na verdade, eu esperava qualquer tipo de atitude, menos o que veio no pacote.

O Confissões a Esmo passou por um upgrade quando voltei a postar nele, em 2009. Por sugestão desse meu “amigo”, deixei que ele cuidasse da migração do WordPress para um domínio próprio e hospedagem. Depois da discussão mais acalorada, além de me limar de todos os projetos que fazia parte, cancelando logins e senhas, ele também SUSPENDEU o Confissões, me deixando sem acesso a todos os meus textos, inclusive para fazer backup de tudo. O que acho uma atitude infantil e baixa de alguém que se define como empresário e adulto. Quer dizer…

Apelei, logicamente. Lembrei de todas as pendências que ELE tinha para comigo e que não tinha quitado; que a visão de profissional que tentava passar com um novo projeto que atualmente implementa e envolve centenas de pessoas, não condizia com atitudes tão infantis como a que foi tomada. Ainda bem que no meio disso tudo achei uma voz da razão, que certamente não veio dele.

Foi assim que tive o Confissões reativado por três dias, para que pudesse salvar o que conseguisse. Dessa forma, fiz meu backup e consegui trazer tudo para esse novo endereço. Claro que existia a possibilidade de passar o domínio antigo para o meu nome, mas, sinceramente, achei que uma nova casa seria a ideal para um novo começo, livre de dementadores quaisquer que pairem à minha volta. E aprendi que mesmo confiando, fazer backup é preciso!

E agora estamos aqui, nos Fragmentos do Autor, a nova casa do Confissões a Esmo. Posso perder eventuais leitores na mudança, já que nem todo mundo que me lia tem blogs, ou se tem, pode não ver que tenho um novo endereço. Deixei o aviso no Confissões antigo, mas em breve ele será desabilitado. Entretanto, acredito que esse seja o efeito indesejado de um bem maior: a minha liberdade.

Se você chegou até aqui e me reencontrou, fico muito feliz. Escrevo para desabafar, mas ser lido é tão bom. E trocar experiências e ler suas observações nos comentários, muito gratificante.

Só peço que atualizem seus links com o novo endereço e, se for o caso, assine o feed correto aqui do Fragmentos do Autor, que está atualizado ali naquele ícone do canto superior direito, ó.

Ainda não sei se vou manter esse layout mais clean ou inserir alguma outra imagem. Mas deixo isso para pensar numa outra hora. No momento, só estou feliz de ter tudo que já escrevi até hoje como Autor são e salvo e aos meus cuidados.

Porque algumas vezes, apesar de você não poder usar um bom Avada Kedavra para exterminar o que te aflige, existe sempre o bom e velho Expecto Patronum para iluminar seus caminhos. E a vida está aí, pronta pra ser iluminada.


Casa em Obras

07/01/2012

A casa é nova e esse post é apenas para não ter nada de novo para recepcionar os ocasionais visitantes!
Estamos em obra, mas é por tempo limitado. Logo, logo está tudo novamente em ordem!
Até breve!
Autor


Dia de Folga

05/01/2012

Quando moleque e ainda morando em Smallville, os dias mais aguardados do ano eram aqueles em que a família viajava junta para aproveitar o verão em Cabo Frio. Como eu curtia aqueles dias de praia e sol, livre por aquela cidade que eu, durante muito tempo, considerei a mais perfeita do mundo. O tempo passa, a gente cresce e essas pequenas coisas simples da vida vão sendo deixadas pra lá, guardadas na caixinha de lembranças. O que eu, particularmente, acho uma pena, pois ainda me considero o mesmo garoto de outrora, apaixonado pelo mar.

Assim, é quase um absurdo que eu trabalhe a uma quadra da praia, more a alguns minutos das praias mais famosas do mundo e quase nunca aproveite esse espetáculo de beleza que tenho de graça à minha disposição. Para terem uma ideia (e essa é a parte esnobe do post), a última vez que fui a praia foi em outubro, nas minhas férias em Ibiza.

Eis que hoje, plena primeira quinta-feira do ano, estou de folga e o dia lindo, de céu azul sem nuvens, um verdadeiro convite para se quitar minha dívida com a paisagem carioca. Acordei tarde, resolvi alguns assuntos domésticos, mas o bom do horário de verão é isso, já que o dia rende muito mais. Convoquei a amiga so cute que também está de folga e fomos lindos e morenos aproveitar a tarde em Ipanema.

Gordos que somos, chegamos em Ipanema e fomos logo comer um pastel de queijo maravilhoso antes de irmos para a praia propriamente dita. Afinal, saco vazio não pára em pé e nós precisaríamos estar de pé para curtir o dia. Somos desses, que procuram desculpas para comer sem culpa.

E que dia lindo! Os turistas – que infestam o Rio nessa época do ano – devem estar aproveitando. A praia estava lotada, o sol à pino e nós decidimos não parar em lugar nenhum. Chegamos até a beira do mar e fomos caminhando com os pés na água no sentido do Leblon. A água, a princípio fria, foi tornando-se tão convidativa que não resisti a dar alguns mergulhos para aplacar o calor. Caminhando e conversando, nem sentimos a distância: quando nos demos conta, já estávamos na divisa de Ipanema com o Leblon e, uma vez ali, sugeri que continuássemos a caminhada até o Mirante do Leblon, que nos brinca com uma das paisagens que mais gosto do Rio.

No Mirante do Leblon sentamos numa mesinha de um dos quiosques e apreciamos a vista. A visão da orla do Leblon até Ipanema era embalada pelas músicas cantadas por um cantor que fazia seu som num banquinho no meio do Mirante. E foi petiscando e bebendo que terminamos nossa tarde, com aquela vista à nossa frente e a sensação de dever cumprido que nos toma quando fazemos algo que nos dá prazer.

No retorno pra casa, as promessas de sempre. Vamos voltar a correr no Aterro, vamos passear mais, vamos aproveitar essas paisagens. Antes que a rotina nos atropele. Antes que a vida passe. Antes que o mundo se acabe.