3.0

26/07/2011

Nunca fui de me importar muito com essa coisa de aniversário. Na minha família, dia de aniversário sempre foi considerado um dia comum, já que por motivos religiosos a data não era comemorada. Apesar dos traumas infantis de depois dos nove anos nunca mais ter tido uma festa de aniversário e muito menos poder ter ido em uma, acabei me acostumando com o fato. Só fui voltar a frequentar aniversários e até mesmo a comemorar os meus quando atingi a minha independência financeira.

Por isso, apesar de gostar dos mimos que a data sempre oferece, eu nunca fico ansioso por ela, inclusive porque tenho lá as minhas crises com a idade. Pode parecer idiotice, mas crise a gente não explica, resolve na análise (que eu não faço). Esse ano em específico o negócio era ainda mais preocupante: sair do vinte e entrar nos trinta não me era nada convidativo.

Mas o dia chegou e foi mais do que agradável. Nenhuma grande comemoração, mas algumas pequenas e especiais, ao lado de algumas das pessoas que eu mais amo, os meus amigos. Isso sem contar o carinho e a preocupação de todos que, mesmo distantes, estiveram próximos, seja por meio de uma mensagem no Facebook ou de um email bonitinho; tive até post dedicado em blog. Carinho, a gente vê por aqui.

Os 29 se foram, os 30 chegaram e nada efetivamente mudou. A vida segue e a gente vai levando-a, aos trancos e barrancos, eventualmente comemorando uma nova conquista e esperando por novas e impressionantes surpresas.

Aos 30 anos eu tenho um emprego estável, amigos sensacionais, um namorado maravilhoso e uma vida inteira pela frente. Quem precisa de mais?

As entradas do meu rosto
E os meus cabelos brancos
Aparecem a cada ano
No final do mês de julho*…

Amanhã é 23 (Kid Abelha) 

*de agosto, eu sei, mas pode mudar a letra pra música fazer um pouco mais de sentido pra gente mesmo, né?

Smallville

11/07/2011

Eu sou do interior do estado do RJ. Sul do estado, quase na divisa com MG. Imagine uma cidade pequena, com uma praça grande, igreja e prefeitura, onde todo mundo conhece todo mundo e eu nunca tive identidade, sempre fui o filho do meu pai. Lembro que desde sempre a minha intenção era sair de Smallville, me mudar, ganhar o mundo.

Meus pais fazem o estilo sonhadores, daqueles que gostariam de viver num comercial de margarina e nunca enxergaram os problemas que tinham dentro de casa. Tapar os olhos sempre foi um mantra lá em casa. Sabe aquela situação em que a coisa está explícita, mas não se pode tocar no assunto? É assim desde sempre e não estou falando especificamente sobre a minha sexualidade.

O tempo passou e, com ele, meu plano de sair da cidade deu certo. Da cidade pequena pra uma um pouco maior, na serra; e da serra pro Rio. Hoje vivo aqui, apaixonado desde sempre pelo carioca way of life, sem me imaginar vivendo em algum outro lugar. Mas meus pais continuam lá, em Smallville, onde todo mundo conhece todo mundo. E, eventualmente, eu me despenco até lá, para visitá-los.

Acho incrível o sentimento de não adequação que a cidade exerce em mim. Eu morro de saudade dos meus pais, mas basta eu botar os pés lá, vê-los por cinco minutos para desejar estar de volta ao Rio. Lá eu me sinto mentiroso, fake, desajustado. Pra completar, quase não tenho amigos e os que ainda restaram lá, tem suas vidas e ocupações.

Nesse fim de semana eu estive lá. Dessa vez, a sensação foi ainda mais forte. O frio intenso e a falta do que fazer me mantiveram trancado em casa, comendo e dormindo. Não que tenha sido ruim, pois mimo é sempre bom, mas apenas atestou o que eu sempre soube: lá não é meu lugar.

Pra completar, a saudade do namorado era avassaladora. Nesse tempo que estamos juntos criamos hábitos tão nossos, referências que fazem todo o sentido pra nós e que devem ser totalmente nonsense  para os de fora. Tudo que eu via me remetia a ele.

No domingo à noite, já chegando ao Rio, eu chorei no ônibus. De felicidade, por aqui eu poder ser quem eu sou. De saber que tenho alguém que gosta de mim, do jeito exato que sou, sem máscaras. De ter amigos que me acolhem e me fazem bem. De pensar que aquele garoto que sempre quis sair de Smallville e ganhar o mundo conseguiu isso, de forma que nem ele um dia imaginou ser possível.

Why is everybody so serious?
Acting so damn mysterious
You got your shades on your eyes
And your heels so high
That you can’t even have a good time
Price Tag (Xenia) 

Eu Vou Bem, Obrigado!

01/07/2011

A frase que mais tenho ouvido nos últimos tempos tem sido:

“Nossa, você está sumido. Como você está?”

O que mais acho engraçado é que nem estou tão sumido assim. Mesmo namorando, tenho saído, ido à festas, visto meus amigos, mesmo que com uma frequência menor. Só que como não carrego mais comigo o status de Solteiro, as pessoas tem a impressão de que eu sumi da vida social, só porque saí do mercado.

Analiso isso de outra forma: fui eu quem sumi ou os outros que se afastaram? Porque mesmo que eu negue um ou outro convite, estou quase sempre disponível para um bom papo e algum momento de descontração junto às pessoas que gosto. Conciliar as agendas pode não ser fácil, mas não é lá uma tarefa das mais difíceis.

Aos mais curiosos, como diz o tema do post, eu vou bem, obrigado! Ando feliz, redescobrindo que a rotina de uma vida a dois pode ser das mais interessantes e me ocupando com a felicidade. Aquela fase de paixão desenfreada de início de namoro vai dando uma abrandada e a gente vai apreciando as pequenas sutilezas do sentimento pelo outro. Do peso de um sorriso, das características de um olhar, do simbolismo de fazer as refeições juntos.

E tem os planos. Tantos e tão aguardados. Em outubro férias a dois, passeando por um roteiro especial que envolve Itália e Espanha. E a vida a dois, pelo visto, vai ser oficializada. Se não por papéis, mas pelas ações, que, a cada dia, vão se tornando mais concretas e objetivas. Mas isso é assunto pra outra hora.

Àqueles que se importam, estou bem. Feliz e meio ocupado e/ou sem vontade de postar aqui. Gosto desse espaço, do blog, de dividir as coisas e ficar bem ao exercitar a escrita, mas já faço tanto isso ultimamente. Escrever, há tempos, deixou de ser um hobby e ganhou contornos mais sérios para mim. Projetos surgiram, foram postos em prática e eu não fugi do desafio. Mas não abro mão de ter esse blog que um dia já abrigou um lado B e que hoje, provavelmente, me revela com mais nuances que um dia achei que revelaria.

A vida, a doce vida, vai seguindo seu curso e a gente se adequando, moldando, vivendo. Mas, como o papo é de amigos, depois de saber de mim, pergunto: e vocês, como estão?

😉

 

Happiness hit her like a train on a track
Coming towards her stuck still no turning back
She hid around corners and she hid under beds
She killed it with kisses and from it she fled
With every bubble she sank with her drink
And washed it away down the kitchen sink…
Dog Days Are Over (Florence + The Machine)