O "Sequestro"

20/06/2011

Fim de semana “viajando” (mais uma) vez com o namorado. Coisa simples, Rio mesmo, mas é tão longe e demora tanto pra chegar que eu chamo de viagem. Coisa gostosa, festa junina no “sítio”, comidas, bebidas, gente divertida. Como é bom sair da rotina!

Mas a gente volta pra nossa vidinha, pra nossa(s) casa(s) e tudo normal, lindo e como deve ser, certo? Seria, se não existisse tanta gente filha da puta no mundo, tanta gente sem ter o que fazer. Gente de má fé, sem escrúpulos, gente que quer se dar bem em cima de qualquer pessoa.

Domingo à tarde, eu acabando de colocar os pés no meu apartamento, telefone tocando. Meu pai, coitado! Afobado, assustado, feliz da vida ao ouvir minha voz. Porque sim, ligaram para casa dos meus pais dizendo que o filho dele havia sido sequestrado e estava na mão dos meliantes. Que o filho saía de um caixa eletrônico e foi rendido e estava lá, esperando o resgate de R$ 1.500,00 ser pago (minha cotação no mercado tá baixa!).

Eu teria achado graça do golpe estúpido, mas meu pai, tadinho, não está acostumado a lidar com a maldade humana. Se apavorou, tentou falar comigo e, como Murph é meu amigo, não conseguiu. Celular descarregado, eu fora de casa. E ele desesperado, “amarelo”, segundo disse minha mãe, pensando realmente que eu poderia ter sido sequestrado.

Os filhos da puta dão telefone (celular, pré-pago) pro meu pai, dizem que vão ligar de novo, passar conta para depósito para soltarem o filho dele. Nesse meio tempo, tenta mais uma vez ligar para minha casa e consegue falar comigo. Aliviado, ele ri do tragicômico, da filhadaputice alheia.

Penso em quanta gente cai nessas histórias, quanta gente mais que se desespera, passa mal, sofre com a ousadia de gente que merecia morrer de tanto apanhar e tomar soco na cara e no estômago e chutes e mil voadoras.

O mundo é um lugar estranho. As pessoas são muito estranhas.

Quando foi que deixamos de ser nós mesmos, humanos, para vivermos como bichos amedrontados, quando até mesmo atender um telefonema pode nos deixar apavorados?

Medo do mundo. Medo de gente.

Esse é o nosso mundo:
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos:
Os assassinos estão livres, nós não estamos.
Teatro dos Vampiros (Legião Urbana)

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Sexo e Intimidade

14/06/2011

Falávamos no almoço, minha amiga e eu, sobre sexo. Não sobre o ato em si, mas de como algumas pessoas gostam do ato e outras o abstraem totalmente de suas vidas. Mais precisamente, ela dizia sobre a interessante “curva de maturidade” que o sexo atingia em seus relacionamentos: depois de um ápice, ela perdia interesse no sexo com a pessoa. O comum, arroz com feijão, a faz perder a vontade. E isso não acontece com os anos, mas sim num curto período de meses. E com a perda de interesse no sexo, a inevitável perda de interesse na pessoa também acontece.

Eu pensava nas minhas experiências. Durante muito tempo achei que fosse viciado em sexo, que gostasse mais que o normal do ato. Hoje posso afirmar que estava é me relacionando com as pessoas erradas, com necessidades diferentes das minhas no que dizem respeito às relações sexuais. Pois o que pode satisfazer uma pessoa, pode apenas começar a provocar a outra.

Algumas pessoas dizem que tenho cara de safado. Não sei bem o que isso quer dizer, mas encaro como elogio. Sim, eu sei ser safado, gosto de ser safado e, modéstia à parte, tento fazer bem aquilo à que me predisponho. Mas, ao contrário dos demais, namorando, acho que o sexo pode ficar cada vez melhor. A intimidade aumenta, você passa a conhecer o (corpo d)o outro e o que lhe dá prazer. Além disso, a meu ver, é mais fácil experimentar novas possibilidades. Por que o sexo tem que ser monótono só porque você namora?

Para mim, sexo é diversão. Sei que a transa foi excelente, quando ao final, estão os dois esgotados e rindo, realizados por terem proporcionado um ao outro tamanha intimidade e prazer. Sexo aproxima.

Ao mesmo tempo, não encaro sexo como obrigação. Quando o casal está junto e tem tesão um no outro, ele acontece naturalmente. Em minha opinião, o auge da cumplicidade é ficar excitado apenas por olhar o outro na rua, depois de um café no meio da tarde; é falar as maiores baixarias por mensagens e ficar ansioso por ver aquele sorriso maroto de quem planeja pôr em prática tudo que foi prometido durante o dia; é dormir abraçado, sabendo que ao acordar, o outro vai estar ali, do lado, pronto para te desejar bom dia.

Sexo é dinâmica e cada casal desenvolve a sua. Só fico pensando em como algumas pessoas podem abrir mão de ter sexo bom e de qualidade apenas por falta de diálogo e intimidade, medo de dizer o que pensa e gosta, por ficar pensando no que o outro vai achar de suas fantasias.

Não sei se sou moderninho ou liberado. Sei é que sou feliz desse meu jeito desencanado.

Agora vem pra perto, vem
Vem depressa, vem sem fim, dentro de mim
Que eu quero sentir o seu corpo pesando sobre o meu
Vem meu amor, vem pra mim
Me abraça devagar, me beija e me faz esquecer…
Bem Que Se Quis (Marisa Monte)


Noites Gourmet

01/06/2011

Imagine uma semana qualquer, aleatória.

Segunda-Feira

Prato: Penne de vegetais ao molho bechamel
Bebida: Vinho Verde Casal Garcia Rosé

Terça-Feira

Prato: Bolo de carne e penne à carbonara
Bebida: Vinho Tinto Viña Pedrosa (presente do amigo lindo espanhol)

Quarta-Feira
(Jantar na Casa de Amigos)

Prato: Raclete (Batatas e Salsichão assados com MUITO queijo  – não necessariamente do tipo raclete, bom misturar muitos e variados)
Bebidas: Refrigerante, Cerveja e Vinho (Tinto e Rosé)

Quinta-Feira

Prato: Estrogonofe de carne, arroz de bacon e batata palha
Bebida: Refrigerante e suco

Sexta-Feira
(Happy Hour na Devassa)

Petisco: Só Tem Filé, Piu-Piu ou Afogada na Cachaça
Bebidas: Negras e Ruivas

Sábado

Petiscos diversos, frios. Mas também pode ser barzinho com os amigos. Ou um bom restaurante qualquer.
Bebidas: o que tiver.

Domingo

Lanche (porque certamente o almoço foi tarde e daqueles de nos deixar com preguiça o resto do dia)

A variação fica por conta de quem cozinha, o Namorado ou eu. E os pratos são os mais diversos, sendo os acima apenas uma amostra dos nossos dotes culinários. O bom de ter para/com quem cozinhar é inventar, imaginar mil combinações e apreciar a companhia num jantar delicioso.

Agora entendo porque dizem que namorar engorda. Eu que o diga!

(Só pra constar, meus pecados capitais favoritos, não necessariamente nessa ordem: luxúria, gula e preguiça)

Eu gosto de estar na Terra, cada vez mais
Minha boca se abre e espera
O direito, ainda que profano
Do mundo ser sempre mais humano…
Carne e Osso (Zélia Duncan)