Lamúrias Profissionais

27/05/2011

Eu quase não falo sobre o meu trabalho. Por um motivo simples: eu não gosto do que faço. Pra ser mais exato, eu acho que não gosto é de trabalhar. Mas, até aí, estou igual a todo mundo. Porque simplesmente não acredito que alguém realmente trabalhe por prazer. Lorota! Viajar pelo mundo, fazer qualquer outra coisa, tudo é mais interessante do que trabalhar.

Mas como não nasci rico e, apesar de tentar, eu não ganho na Mega-Sena, tenho de acordar todo dia, sair do meu lar (ou do lar do namorado) e enfrentar a jornada de trabalho. E faço no automático, porque não fico reclamando muito da vida. Apesar de não ser o melhor emprego do mundo, ganho relativamente bem (tô comparando com a maioria, às vezes fico deprimido ao comparar meu salário com alguns outros) e tenho uma disponibilidade (e estabilidade) que me são confortáveis. Pra compensar, arranjo prazer em outras formas que, felizmente, têm me rendido um ou outro centavo por fora, vez ou outra.

Entretanto, não sou sempre Pollyana e tenho meus arroubos de raiva e de me questionar sobre o que quero pra mim. De uns tempos pra cá tenho ouvido com uma certa frequência que devo voltar a estudar e encarar uma nova graduação, dessa vez em jornalismo. E cadê coragem? Só de pensar em estudar mais quatro anos pra conseguir um diploma eu broxo. Já encarei isso uma vez, já estou terminando a pós-graduação e me recuso a pagar para fazer uma outra particular. Da primeira vez fiz federal, estou pagando a pós a contragosto e, desculpe-me quem paga, mas não me vejo fazendo isso. Como encarar um vestibular para fazer outra faculdade pública (e aguentar todo o drama de greves e afins da primeira) não está nos planos, vamos empurrando a vida com a barriga.

E evitando reclamar, porque não tenho muito saco pra esse tipo de lamento. Sou um profissional dedicado, procuro fazer meu trabalho direitinho e, quase sempre, ganho até elogios. Mas depois das 17h eu esqueço completamente para quem trabalho e vou tocar minha vida, que é quando eu sou mais feliz. Passear por aí, ir ao cinema, comer num bom restaurante, compartilhar da companhia do melhor namorado, tudo isso me apraz. Mas para continuar usufruindo de tudo isso, lá vou eu, todo dia, acordando e trabalhando no automático, para ter como pagar as contas.

No final de tudo, sei é que sou bem acomodado. E isso, às vezes, me irrita um pouco. Mas penso em tanta gente que rala pra caralho pra ganhar salários vergonhosos, que me sinto até meio mal por reclamar da minha (quase boa) vida.

Terapia. Será que resolve?

Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não;
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão
Cotidiano (Chico Buarque)

OBS: Sei que os amigos próximos hão de sacanear a escolha da música. Eu não como feijão, tenho verdadeira ânsia só de imaginar. Mas, gosto da música.

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Leilão

23/05/2011

Eu tenho uma amiga viciada em leilões. Sim, leilões. A casa dela, brincamos, é quase um museu, cheia de móveis antigos e (originalmente) caros, arrematados nos leilões da vida, nos quais ela se especializou. Da mesa de jantar chiquérrima, passando por mil quadros e aparelhos de jantar, quase tudo na casa dela veio de leilões. Se bobear, até o marido ela conseguiu assim. 😛

Eis que um dia, falando dessa sua paixão durante um jantar, ela instigou meu namorado a conhecer o funcionamento de um leilão. Deu as dicas, os endereços e, conhecendo o lado colecionador dele de taças e copos, acendeu a chama do interesse do dito cujo pelo “evento”. Foi assim que numa noite chuvosa e feia de terça-feira estávamos num casarão de Laranjeiras, brincando de leilão. E, digo desde já, a brincadeira é pra gente grande!

A coisa toda é bem simples, na verdade. Antes do leilão em si, são disponibilizados os items que serão leiloados em catálogos e no site da casa na internet. Você dá uma olhada e, se houver interesse por algo, pode até conferir ao vivo antes do negócio realmente começar. Pode-se, inclusive, fazer lances antecipados, pela internet ou pedir para ser contatado, durante o leilão, pelo telefone, e acompanhar a disputa dessa forma.

Quando o leilão começa de verdade é bem divertido. Todos sentados e os items vão sendo disputados, lote a lote. Alguns tem lances mínimos estabelecidos; em alguns casos, os lances são livres. E, por mais surreal que possa parecer, há disputas que são realmente emocionantes. Pelo que pude perceber, algumas pessoas levam a parada pro campo pessoal e os lances viram uma verdadeira guerra entre duas pessoas, em determinados momentos. Por exemplo, vi uma (vou chamar de) luminária de teto, cujo lance mínimo era de R$ 180 ser arrematada por uma senhora que pagou R$ 2.400 por ela, depois de uma disputa de lance a lance de R$ 10 até chegar no absurdo valor final. E, juro, ela ficou toda felizinha com a aquisição. #Medo

Para uns, o leilão é quase uma reunião social. Perto de nós, um grupo de senhores conversava animadamente, gargalhando (e atrapalhando), comendo e bebendo, como se estivessem na sala da própria casa. Porque sim, enquanto o leilão está rolando, ficam uns garçons circulando pelo salão, servindo salgadinhos (deliciosos, experimentei!) e bebidas (uisque, água e refrigerante). Para os pão duros (e caras de pau) de plantão, eis uma chance de comer e beber de graça.

No final, a noite acabou sendo divertida e proveitosa para o namorado e minha amiga. Ele arrematou dois lotes de taças e copos diversos (por um preço ótimo, segundo ele) pelo lance mínimo, sem nenhuma disputa emocionante, já que, pelo visto, só ele queria os itens. Já minha amiga levou um carrinho de chá que ela estava de olho, feliz da vida depois de ganhar uma disputa que foi aumentando e me enervando a cada lance.

Vale a experiência e, se você se interessou, minha amiga já detalhou todo o processo para novatos interessados em leilão aqui e aqui. É só conferir e esperar o martelo ser batido!

Eu vou fazer um leilão,
Quem da mais pelo meu coração?
Me ajude voltar a viver,
Eu prefiro que seja você
Leilão (César Menotti & Fabiano)


Inverno

19/05/2011

Gosto do inverno. Apesar de ser uma pessoa solar, de adorar os dias azuis e iluminados do Rio de Janeiro, de apreciar um delicioso e refrescante banho de mar no verão, vejo uma poesia tremenda nos dias cinzas de inverno.

Nasci no interior do Rio, numa cidade com as estações do ano bem definidas. Na primavera havia flores por todos os lados, no verão fazia calor (muito), no outono a temperatura caia um pouco e o chão se tingia de folhas, enquanto no inverno tínhamos frio de verdade, com direito a neblina pela manhã e fumacinha saindo da boca enquanto falávamos.

Mais tarde, já adulto e morando e trabalhando em Petrópolis, estreitei minha relação com o frio, marca da cidade. Nunca gostei dos dias chuvosos petropolitanos, mas o cinza e o frio, quase onipresentes em todo o canto, me fascinavam. Dormir enroscado num edredon, poder usar casaco de couro, sobretudo e cachecol sem parecer um idiota e ainda se achar chique. Petrópolis faz isso por você!

Em janeiro, em minhas férias pela Europa, senti frio DE VERDADE pela primeira vez na vida. Em Paris peguei -17º C e vi até neve (ok, derretendo nos gramados da EuroDisney, mas vi). Um frio doído, daquele de congelar as pontas dos dedos e das orelhas; de ficar sofrendo por antecipação ao pensar que ia ter que ficar pelado pra tomar banho. Em Londres, depois de uma semana congelando em Paris, eu já estava acostumado com a temperatura (doente, de garganta inflamada), mas não preparado para a chuva constante e fininha que caía sobre a cidade. Foi ótimo, mas prometi a mim mesmo que nunca mais volto na Europa no auge do inverno.

Dito isso, acho muito engraçado como os cariocas de verdade, os nascidos e criados na cidade, encaram o inverno. Dia desses, eu caminhando por Copacabana a caminho do trabalho, cruzei com uma menina de botas e cachecol. Quando comecei a pensar “Que louca!” vi um rapaz com um casaco de couro e mais algumas mulheres de sobretudo e cachecol. Olhei para o termômetro da rua e marcava 22º C. Eu ri, mas dá pra entender um pouco os moradores da cidade, principalmente ao se lembrar de uma piadinha já conhecida: “Ano passado, no Rio de Janeiro, o inverno caiu numa quinta-feira!”.

Por isso, agora que sou um pseudo-carioca, vibro com dias mais friozinhos em que posso tirar do armário meus casacos mais quentes, me sentir um pouco mais bem vestido e tomar litros de café e chocolate quente sem achar que vou morrer de tanto suar.

E posso rir do povo na rua, que parece prestes a congelar, usando cachecóis, casacos pesados e sobretudos, muitas vezes até luvas. E tremendo. Aos 18º C.

No dia em que fui mais feliz eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir
De lá pra cá não sei, caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial…
Inverno (Adriana Calcanhoto)


Ouvidos de Aluguel

17/05/2011

Digamos que eu seja razoavelmente simpático. Estou quase sempre sorrindo e, apesar de ter os meus problemas, não vejo motivo de culpar o mundo por qualquer mazela que venha a me afligir. Mas também sei que isso é uma característica minha, faz parte da minha personalidade ser bem humorado e constantemente estar sorrindo para a vida e para o mundo. Apaixonado então, sou um sol radiante espalhando sorrisos e felicidade à minha volta. Uma coisa quase insuportável, na verdade.

Lembro que desde muito pequeno as pessoas sempre sentiram-se à vontade para conversar comigo. Na escola, no clube, na igreja, onde quer que eu fosse, sempre tinha um amiguinho ou até mesmo um conhecido que começava a falar e a falar de seus problemas para mim. Eu escutava, fazia um ou outro comentário e a pessoa se ia, feliz por ter desabafado.

Eu cresci e as confissões mudaram de tom. Deixaram de ser coisas frívolas para passar a ouvir desabafos amorosos, desgostos profissionais ou simplesmente reclamações do dia a dia. E não estou lametando esse “dom”, pois acho que para meus amigos sentirem-se à vontade para desabafar e falar de seus problemas para mim, significa que sou confiável e que ouvir minha opinião é importante para suas próprias decisões.

Mas, deixo bem claro, uma coisa é ouvir as confissões dos meus amigos, seus medos e anseios. Outra coisa é pegar um ônibus e ouvir do dito cujo que sentou do meu lado que tinha brigado com a mulher e que estava muito irritado. Porra, que merda de super-poder é esse o meu? Ao invés de ser imortal, controlar algum dos elementos ou ficar invisível, eu atraio lamentações de estranhos na rua? Shit!

Sacanagem deixada de lado, acabo me divertindo com certas situações inusitadas. Mas me pergunto: o que as pessoas vêem na minha cara para começarem a me contar as coisas? Ou será que existe uma necessidade de contar “segredos” para estranhos que toma conta de muitos e eu sou o escolhido para ouví-los aleatoriamente numa manobra do universo?

Na verdade, penso que as pessoas são é muito carentes. E como nem todo mundo tem um blog na internet – ops, como esse! – pra falar das suas futilidades e encher quem queira ler com suas baboseiras, quando vêem um rosto sorridente e simpático (mesmo não intencionalmente) ali dando bobeira, sentem-se à vontade para entabular uma conversa, descontrair e, talvez, até mesmo deixar o estresse um pouco de lado.

Eu, da minha parte, ouço. Fazer o quê, né? Como ensinaram pro Homem Aranha, super poderes trazem grandes responsabilidades e eu posso estar salvando a vida de várias pessoas por deixar um psicótico qualquer desabafar comigo ao invés de explodir lugares ou atirar aleatoriamente contra inocentes.

Viu só, vocês me devem essa! Faço do mundo um lugar mais seguro pra se viver!

😛

Let him know that you know best
Cause after all you do know best
Try to slip past his defense
Without granting innocence
Lay down a list of what is wrong
The things you’ve told him all along
And pray to God he hears you
How To Save a Life (The Fray)


Café

11/05/2011

O Nuno, do in.Constante, falou do assunto esses dias e, meio que inspirado pelo seu post, esse aqui acabou nascendo. Na verdade, o assunto ficou martelando na minha cabeça até que num domingo, depois do almoço, acompanhado do namorado e da melhor amiga, enquanto tomava um capuccino italiano numa cafeteria de um shopping, decidi que o escreveria. Porque comigo é assim, preciso decidir para partir pra ação.

Nunca fui chegado a café. Na minha família ele sempre esteve presente. Lembro que desde pequeno via meus pais tomando o dito cujo preto, de manhã e, às vezes, na parte da tarde. Eu, entretanto, apenas o ingeria misturado ao leite, mais clarinho, denunciando a proporção desleal: uns 80% de leite e uns 20% de café. Sei disso, porque minha mãe sempre tinha de aquecer a mistura, já que o leite esfriava o café, não importando se ele tivesse sido acabado de ser acabar de ser passado ou não.

Mas eu cresci (pelo menos no tamanho), comecei a trabalhar e ainda achava estranha a rotina no escritório: ir e voltar até a cafeteira era tão comum entre meus colegas de trabalho. E eu ainda resistia, não gostava do sabor, de queimar a língua, de precisar do café como combustível para trabalhar.

Até que um dia, não sei precisar quando, eu me rendi. Acho que foi lentamente, experimentando. Um dia tomei uma xicarazinha, no outro um pouco mais. O resultado é que aos poucos, bem lentamente, fui sendo fisgado por aquele sabor. Hoje em dia, não fico sem. Não sou um viciado, movido à café, mas aprecio muito a bebida. E, diferente das demais pessoas, não consigo tomar um golinho; bebo verdadeiros ‘baldes’ de café de uma vez só.

Mas, apesar de apreciar o ‘pretinho’ comum do dia a dia, gosto muito de alguns cafés especiais. O café, quando usado como ingrediente de outras bebidas, acaba me seduzindo ainda mais. Capuccinos, frappés e afins me deixam com água na boca. Ando especialmente apaixonado pelo frappuccino de avelã de uma cafeteria específica que gosto muito.  E, dia desses, o namorado me apresentou a uma sobremesa simples e sedutora que, disse-me ele, foi inventada por sua mãe: leite condensado aquecido com café solúvel. Tão bom!

Tomar um café, muito mais do que um ato, representa pra mim um motivo para me reunir com pessoas que gosto para papear. Depois de um almoço ou no meio da tarde, sentar e esperar o café chegar é sinônimo de boas histórias, gargalhadas e adoráveis companhias. Não importa se trata-se de um capuccino, de um expresso ou de um café gelado. O legal é estar bem acompanhado.

Eu demorei, mas acabei não resistindo a ele. Por isso, proponho um brinde. A ele. Com ele.

Ao café!

 

Brush your teeth and pour a cup of black coffee out
I love to watch you do that every day
The little things that you do
Each moment is new, freeze the moment
Each moment is cool, freeze the moment
Black Coffee (All Saints)

Gatos

05/05/2011

Nunca fui muito fã de animais. Cresci numa casa espaçosa, com quintalzinho e cachorro, já que meus pais são apaixonados pelos bichos, mas eu nunca tive nenhuma paixão avassaladora por eles. Eles estavam lá, na deles; eu cá, na minha. Era uma relação cordial, mas sem carinhos exacerbados ou preocupação desenfreada. Sempre preferi os peixinhos no aquário, sem barulho e enfeitando o ambiente. Se eu não tivesse que ter o trabalho de limpar o aquário, era provável que eu até tivesse um hoje em dia na minha casa.

Morando sozinho, meio dado à minha solidão e melancolia, eventualmente ouvia a pergunta: “mas por quê você não arruma um bichinho?”. Simples: para mim, os melhores animais são os de pelúcia – silenciosos, inodoros e estáticos. Não que eu seja um sem coração que agrida os bichinhos, mas sempre preferi manter uma distância razoável de qualquer tipo de animal. Zoológico, por exemplo, nunca foi sinal de diversão para esse que vos escreve. Ver uma porção de bichos exóticos num mesmo lugar, pra quê?

Mas eis que o destino prega peças na vida da gente. E, para terem uma idéia, escrevo esse texto com um gato encostado em mim, querendo um pouco de carinho na cabeça. Pois sim, o namorado é apaixonado por gatos. Mais que isso, tem dois na sua casa, que são tratados como filhos, com todo o carinho que o namorado consegue dar aos dois. E eu, de quebra, aprendi a conviver com eles.

Confesso que torci o nariz na primeira vez que ele me falou deles. Pensei: “Putz, mas gatos?”. Mas quebrei a cara, pois hoje me vejo até que gostando dos bichinhos. Tudo bem, não morro de amores, não me penso de luto se por acaso morressem, mas também não os abomino nem mantenho distância. Estar com eles sobre mim é quase comum e, digo mais, agradável.

O interessante é que os bichanos tem temperamentos diferentes. Um – Wolfgang – é mais carinhoso, carente, adora se esfregar na gente e cobra atenção; é o meu preferido. O outro – Philip -, é arisco, passeia pela casa como se fosse seu proprietário, se aproxima unicamente quando quer ser mimado e mantém-se altivo, com postura de rei do pedaço; é o preferido (e primogênito) do namorado.

Esperto que sou, nunca entraria numa disputa com os dois, por exemplo, pedindo ao namorado que escolhesse entre nós. Eu perderia bonito, com grande vantagem pros bichinhos. Mas, essa nunca foi minha intenção e aprecio a forma como meu namorado se relaciona com eles. É um carinho tão puro e desinteressado que dá gosto de ver. E ele recebe tudo isso de volta, mesmo sabendo que os donos da casa são eles e que temos de nos considerar satisfeitos por nos permitirem estar em seu reino.

Além do quê, é possível não amar seres dotados de um super-poder? Porque sim, aprendi com meu namorado: gatos emitem partículas de preguiça e, se estamos num mesmo ambiente que eles, como por exemplo, jogados na cama, é impossível acordar facilmente, já que essas partículas agem sobre os humanos de forma cruel e determinante. Eu, preguiçoso que sou, nem tento lutar contra isso e fico lá, deitado, largado, apreciando os braços de Morpheu, induzido pelos bichanos.

No geral, relacionamento é isso: descobrir que até mesmo suas certezas mais categóricas (“nunca gostarei de um gato!”) podem ser desmistificadas e modificadas. E agora, acariciando um lindo gatinho preto posso garantir que até é bem legal ser surpreendido e se deixar levar por uma simpatia por animais que lhe era desconhecida. Afinal, até o mais gelado dos corações pode ser surpreendido e se ver derretido por um bichinho.

OBS: Na foto que abre o post, da esquerda para a direita, eles, os donos da casa: Philip e Wolfgang. São eles que mandam. Alguém duvida?

Se num novelo fica enroscado
Ouriça o pelo, mal humorado
Um preguiçoso é o que ele é
E gosta muito de cafuné…
O Gato (Marina Lima)


Virtualidades

02/05/2011

A internet é hoje, sem sombra de dúvidas, uma realidade. Incorporamos ao nosso dia a dia tarefas banais como checar o email, ler blogs e atualizar nossas redes sociais. Acessamos a rede por smartphones e tabletes, no taxi ou nos ônibus, parados em aeroportos ou vendo televisão, e estamos cada vez mais hiperconectados. O mundo nunca antes esteve tão ao nosso alcance.

Conhecer pessoas, marcar um encontro, achar o amor da sua vida. Apostar alto, quebrar a cara e gastar muito dinheiro em golpes previamente testados. Na internet tudo isso é possível e acontece a todo instante. Nada mais comum do que conhecer um casal e descobrirmos que eles se conheceram pela internet ou então ouvir aquela história de alguém que comprou algo por um determinado site, pagou pelo dito cujo e nunca viu a cor do mesmo.

A internet é hoje parte do nosso cotidiano e antes de ser alçada como o mal do século ou categorizada como a maior invenção da humanidade no que diz respeito à comunicação, para mim a internet é um meio. Um meio de agilizar a vida, de conhecer pessoas, de ouvir opiniões diversas sobre qualquer tipo de assunto. E pronto.

Se somos pessoas com @ ou sem @, se conhecemos nossos parceiros na rede ou numa festa, se falamos com nossos amigos por chats online ou por telefone, isso, sinceramente, não me importa. Eu tenho a minha vida virtual bem ativa sem deixar de lado minha vida real, o contato físico, o tête-a-tête. Nunca deixei de lado a possibilidade de experimentar uma emoção pra ficar imaginando como ela seria, apenas online. Internet, para mim, sempre foi o canal para tornar o real mais dinâmico e divertido.

Em dias tão estranhos como os nossos, onde as pessoas cada vez mais se trancam em cascas, me considero sortudo. Na internet fiz bons amigos reais, conheci meu namorado e até mesmo consigo ganhar um dinheirinho, ora ou outra. Já quebrei a cara, fui enganado, mas vejo que a rede, tal qual o mundo real, é uma roleta russa, onde estamos sujeitos a nos dar bem ou não.

Jogador que sou, eu aposto. E, quase sempre, tenho lucrado com isso.

Mil acasos apontam a direção, desvios de rota é tão normal
Mil acasos me levam a você no mundo concreto ou virtual
Me levam a você de um jeito desigual
Quem sabe, então, por um acaso perdido no tempo ou no espaço
Seus passos queiram se juntar aos meus…
Mil Acasos (Skank)