Coisas Que Não Tem Preço

26/04/2011

– Entrar na Zara e ver um cidadão comprando um tênis idêntico ao que você está nos pés e pagando por ele R$ 99, sendo que você pagou, pelo mesmo tênis, em Londres, £ 9. Dá vontade de dizer ao cidadão: “O meu foi mais barato, o meu foi mais barato!” Mas, né? Você fica só na vontade e se deliciando por se achar mais esperto e econômico.

– Dizer “É assim!” e ouvir em resposta “Não, não é assim, é do outro jeito.”. Assentir com um “Tudo bem, vai lá!” com direito a tapinha no ombro e tudo. Só pra ver que era exatamente do jeito que você falou que era e poder falar no final: “Eu não disse?”

Ouvir aquela música linda, só pegar um trechinho dela, ficar o dia inteiro repetindo-a na cabeça, chegar em casa, jogar no Google o trechinho e descobrir o nome da dita cuja só pra conseguir baixá-la e ouví-la até enjoar!

– Beber demais, literalmente “apagar”, mas continuar falando tudo que lhe vem à mente, para se esquecer de tudo que foi dito segundos depois. Acordar no dia seguinte vendo o sorriso mais lindo do mundo só porque você falou apenas a verdade num momento de embriaguez e que isso contou MUITO para o outro que pode ver, blame it on the alcohol, você como verdadeiramente é e pensa.

– Entrar no cinema, pegar aquele livro, começar a ouvir uma música, sem nenhuma pretensão e ser surpreendido de um jeito bom, exatamente porque você não tinha nenhuma expectativa para aquilo que lhe aguardava.

– Dormir junto todo dia e, a cada dia que não se dorme junto, sentir falta daquele braço sobre você, daquele abraço matinal e daquele “ah, vou ficar dormindo por mais 10 minutinhos, você se importa?” que você sabe que durará até as 11h, mas, que problema tem? Ele pode, né!

– Sentir saudade de alguém. Muita. Forte. Avassaladoramente! Mas ter a certeza que ao revê-la, essa pessoa irá sorrir para você e toda a saudade terá valido a pena.

– Mandar alguém pro quinto dos infernos. E ficar feliz, porque apesar de você nem acreditar no inferno, tem gente que merece muito ir pra lá e nunca mais voltar! E se fantasmas existem, que fiquem por lá, no quinto dos infernos!

– Sem querer, cair na página de um cidadão por quem você já foi completamente apaixonado – e que te fez sofrer pra caralho – no Facebook e, com aquela curiosidade do tipo “ok, foi um acidente de carro, mas eu não consigo parar de olhar” se dar conta de que o tempo passou e que ele está MUITO feio e acabado. Enquanto você? Você deu uma senhora melhorada e tá muito bem acompanhado.
Revenge – silenciosa e sem motivos -, a gente vê por aqui!

There are secrets that we still have left to find
There have been mysteries from the beginning of time
There are answers we’re not wise enough to see
He said… You looking for a clue, I Love You free…
The Riddle (Five For Fighting)


Drops Autorais

19/04/2011

As luzes se apagaram e o filme começou. Aos poucos fui sendo pego por aquela história que não esperava que me tocasse tanto. Verdade seja dita, eu não sabia NADA sobre o filme e descobrí-lo ali, enquanto o assistia, foi uma experiência arrebatadora.

Um pescador, sua esposa grávida, um pintor. Um triângulo amoroso no meio de tantas tradições locais de uma aldeia praiana do Peru. Uma paixão ‘diferente’, três protagonistas sensacionais e uma história que cativa e nos deixa pensativos, empáticos.

Contracorrente, que dispensa o rótulo de filme gay. Contracorrente, uma história sobre pessoas e sentimentos, um filme sobre a hipocrisia que tantos de nós já/ainda vivemos. Contracorrente, um filme imperdível – maiores informações aqui.

Depois de muito tempo entrei no MSN. Vida corrida, sentimentos à flor da pele, falta de tempo/vontade de estar ali, naquela vida virtual, se a real estava aqui, tão presente. Olhei os contatos e, enquanto fazia uma limpa naquela lista, a janela piscou. Eu ignorei e ela continuava lá, piscando.

Abri, li, ri.

Block. Del.

Ando assim. Prático.

Chego na portaria do meu prédio e sou interpelado por um dos meus porteiros – o mais bonitinho:

-V0cê conhece Buenos Aires, né? Vou passar férias lá, você pode me dar umas dicas?

Então, né? Fui pego de surpresa, mas enumerei uns pontos turísticos interessantes e recomendei um ou outro lugar legal pra se comer em Puerto Madero.

Dois dias depois, entro no elevador e o mesmo porteiro está lá, vindo de um dos últimos andares.

-Hum… One Million! Muito bom.

Eu, sem entender, demorei uns 30 segundos pra me dar conta que ele falava do meu perfume. Devido a minha cara de caneca, ele emendou:

-Eu gosto muito de perfumes. Coleciono. Paco Rabanne é excelente.

Assim, todos os meus preconceitos sociais vão pro espaço.

Acordei, como acordo todo dia. Virei para o lado, como viro todo dia. Olhei para ele, como olho todo dia. Sorri ao vê-lo dormir, como sorrio todo dia. Ele continuou preguiçoso, como o é todo dia. O beijei, como beijo todo dia.

E então, fiz algo que a há muito não fazia: agradeci a Deus, vejam a ironia.

Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã…
Cotidiano (Chico Buarque)


Um Pouco Sobre Amizade

15/04/2011

Fico a pensar sobre o que rege as amizades. O que leva alguém a ser amigo de outra pessoa, a se doar, a querer compartilhar sua existência – regada a felicidades e tristezas – com outro alguém que, se não fosse a nossa escolha, nunca faria parte da nossa vida.

Amizade é, e eu já falei disso, afinidade. É se ver no outro, estar à vontade naquele meio, fazer parte de algo. É um relacionamento mais genuíno, porque você é amigo simplesmente porque é amigo. Diferentemente do amor ou da paixão, não há tesão regendo esse sentimento que, regado ou não, tende a ser tão belo.

Dias desses, numa terça-feira gastronômica, no meio de um verdadeiro orgasmo salivar, acompanhado de minhas quatro fiéis escudeiras e de meu namorado lindo eu pensava sobre o assunto. E, ao pensar sobre isso, me dei conta de que como, quase sempre, os iguais realmente se reconhecem.

Nesse grupo específico, somos todos bem parecidos, apesar das nossas muitas diferenças. O politicamente correto passa longe de nós e ninguém poupa o outro. Cínismo e ironia transbordam na nossa convivência e, sinceramente, não vejo como poderíamos ser mais amigos. Por essas quatro meninas, especificamente, eu seria capaz de fazer coisas que, desculpem-me a sinceridade, eu sequer cogitaria fazer para meu irmão.

Claro que as nossas diferenças às vezes saltam aos olhos, mas acredito que seja essa diferença em especial que dá a liga da relação. E me pergunto, muitas vezes, como entre tantos, acabamos nos escolhendo. Para, no final, deixar essa dúvida pra lá e curtir essa nossa relação, tão divertida, tão intensa, tão sincera. Mais divertido ainda é pensar que nos conhecemos e ficamos amigos no trabalho, logo lá, onde ferrar o outro é quase sempre a tônica existente.

Meninas, vocês sabem quem são e é pra vocês esse post bobo. Porque, querendo ou não, somos tão fofos!

Afinal, sem vocês, eu nem teria a oportunidade de me sentir TÃO normal. Obrigado por serem as minhas loucas preferidas do coração!

😛

Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou
Canção da América (Milton Nascimento)


(Falta de) Inspiração

04/04/2011

Engraçado como às vezes parece que as pessoas escrevem exatamente aquilo que você pensou. Estava eu com esse texto há dias na cabeça e sem vontade/tempo/paciência pra sentar aqui e escrevê-lo quando, passeando por blogs que leio e gosto, vi no Terra da Garo(t)a algo que eu poderia ter escrito, afinal, meio que vivo um momento bem semelhante ao dela.

Assim, a questão é:

Felicidade não gera bons posts?

Pode ser que sim, afinal, a dor de cotovelo (ou de corno) faz com que falemos mais, nos expressemos. Tristeza e dor de cotovelo rendem romances, novelas, músicas e poesias. Solidão e melancolia são combustíveis poderosos se usados de forma criativa e produtiva.

Eu mesmo, quando estou naqueles dias de carência, escrevo feito um louco, posto com mais frequência. E sim, esse é um blog do estilo diário, bem idiota e que, penso eu, não deveria interessar a ninguém. Mas interessa, assim como eu me interesso em ler a vida de pessoas que nem mesmo conheço e me sinto parte delas.

Mas eis que vivo um bom momento na vida, pleno, e não acho tempo para escrever aqui. O que é estranho, afinal, eu sempre fui de falar/escrever muito. Mas não pensem que é culpa (só) do namorado. Temos passado muito tempo juntos sim – ainda bem! -, mas me comprometi com alguns projetos que podem me dar algum retorno financeiro bem interessantes e estou meio que em falta com eles também. Então, já era hora de compensar isso e cumprir com minhas obrigações. Aliado à isso, voltei ao trabalho formal e estou envolto com alguns novos afazeres, além de ter de dar conta do que já fazia antes. Moral da história: falta tempo.

Mas escrever aqui nunca foi uma obrigação. Sempre o fiz porque gosto e me sinto bem de compartilhar minhas insanidades e cotidiano. E não quero deixar isso de lado. Mas também acho que devo uma explicação para os meus fiéis leitores (tão chique ter leitores, né? Beijos, mãe!).

No geral, é isso: estou bem, feliz e não pretendo deixar o blog de lado. Mesmo que não venha aqui com a mesma frequência de antes!

Das coisas que meu namorado faz:

Namorado fora do Rio, passando o fim de semana na casa dos pais, comemorando o aniversário de casamento deles. Eis que depois de trocarmos mil SMSs, recebo a seguinte mensagem depois da meia noite, da pessoa que já devia estar encharcada de Absolut, sua bebida favorita:

“E já tô ficando bêbado, e vc sabe que bêbados não mentem… E na próxima mensagem vou começar a ser pornográfico! #prontofalei!”

(Mensagem levemente editada para não chocar os mais pudicos)

Tem como não amar??? S2


A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A Felicidade (Tom Jobim)