Palavras Soltas e Incoerentes Sobre Questões Emocionais ou Daquilo Que Insisto em Não Pensar

24/02/2011

E daí que você anda numa boa safra. E isso te assusta. Porque você fica sozinho, pegando o mundo, esperando que talvez surja alguém interessante e que te faça querer largar a putaria em prol dos programas de casal e nada acontece. Nadinha. Tudo bem que você pode ter sua parcela de culpa, já que você tende a sabotar suas (possíveis) relações, mas o assunto não é esse.

Então, eis que de uma hora para outra parece que você tomou algum tônico embelezador ou ganhou na loteria. Aqueles caras que você nem lembrava mais que existiam surgem do nada e começam a te elogiar. O infeliz que um dia já mexeu minimamente contigo diz que você está mais bonito, enquanto outros te chamam para ‘dormir’ junto em noites de carência (deles) ao mesmo tempo em que aqueles que você julgava interessantes te chamam para conversar e tomar um chopp qualquer e você sabe bem onde aquilo terminaria.

O estranho é você ficar feliz com os elogios, mas dispensar todos os convites. É você estar animado com o carnaval, mas não ficar pensando em quantos caras vai beijar e sim que vai se divertir com os bons amigos que tem e que, certamente, o farão rir muito o tempo todo. É você ter uma lista de compromissos para ir e, sinceramente, querer abrir mão de quase todos eles para ficar em casa curtindo seus pensamentos e, talvez – e somente talvez – bater aquele papo casual no MSN. É amaldiçoar os fins de semana e ansiar por uma segunda-feira específica, ou terça, ou quarta, ou todos os dias daquela semana. O estranho é você estar (irritantemente) feliz ao ponto de seus amigos mandarem você parar de rir, já que isso os faz ter vontade de arrancar sua cabeça e jogar no poço de piche, afinal, chegar sorridente no trabalho numa segunda-feira não é normal.

Talvez nessas horas você decida que deve sim dar chance àqueles caras que te elogiam e que querem sair com você. Entabula conversas, chega a marcar alguma coisa para, logo em seguida, arranjar uma desculpa e seguir seu atual momento.

E você se pergunta (e seus amigos te perguntam): Até quando?

Sua resposta mais sincera? Não sei. Mesmo. Mas deixei de pensar e planejar e de ansiar. Tô vivendo e vamos lá!

Mesmo que no fundo você saiba que você não é assim e até imagine como tudo vai terminar. Mas agora, e somente por agora, você ignora tudo isso e aproveita o momento. Um dia de cada vez, cada momento intenso como se fosse o último. Carpe diem! é seu mantra, pois, contrariando qualquer previsão, você está sorrindo, bem, feliz. Você está se sentindo… vivo! E essa sensação, outrora adormecida, compensa qualquer inconveniente futuro.

Porque a vida é assim e a gente a vive como bem entender, não é mesmo?

When the night has come and the land is dark
And the moon is the only light we’ll see
No I won’t be afraid, No I won’t be afraid
Just as long as you stand, stand by me…
Stand By Me (Ben E. King)

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Na Beira do Abismo (Republicando)

22/02/2011

Porque eu acho que tô nessa vibe, o blog é meu e eu republico na hora que eu quiser.
#SouDesses

Na Beira do Abismo

Já compararam o ato de apaixonar-se com jogar-se de um abismo: você sabe que a queda é dolorosa, mas a sensação de pular, o frio na barriga, o vento no rosto, o sentir-se vivo, inteiro, faz tal loucura valer pena.

Você está sozinho e procura por alguém. Fato: o ser humano não sabe ser sozinho. Procura sua metade, alguém que lhe faça bem, que o complete. Mas nessa busca (que não é fácil, muitos sequer conseguem terminar essa jornada) você acaba se deparando com questões complexas, como ‘O que eu realmente quero?’. Afinal, se todo mundo busca por alguém, por que tantas pessoas sozinhas ao nosso redor? Essas pessoas já não deveriam ter se encontrado?

Mas vamos supor que você encontrou alguém. E você está naquela situação, empolgado, na beira do abismo, borboletas na barriga (“butterflies, you make me feel like butterflies…”) e tem que se decidir: pulo ou não pulo? O céu azul, o vento no rosto, a liberdade… Parece que uma força te puxa, te chama, diz ‘Pule, seja feliz!’.

E é nessa hora que você pode escolher. Pois sim, existe um determinado momento em que a gente escolhe se vai ou se fica, se damos a cara à tapa ou se puxamos o freio, se pulamos no abismo ou se damos meia volta. A partir daí, sinto lhe informar, é por sua conta e risco.

E, normalmente, a gente pula. Sem verificar se existe rede de proteção, se temos asas, se sobreviveremos à queda. Pensamos apenas no céu azul, no vento no rosto, nas borboletas na barriga. Aquela sensação! Ahhhh, aquela sensação vale tudo!

Mas, muitas vezes, nos estabacamos no chão. Com força! E ficamos ali, machucados, expostos, desprotegidos… E dói. Dói muito. Até mesmo nos esquecemos que sentir aquela dor era um risco que estávamos dispostos a correr. E praguejamos, choramos, sofremos. Amaldiçoamos o abismo, o frio na espinha, as borboletas na barriga. Malditas borboletas, infelizes borboletas! Juramos que nunca mais, NUNCA MAIS! vamos sofrer daquele jeito. Não vale a pena! E juntamos nossos caquinhos, nos remontamos, nos reerguemos. Pois apesar de não nos acharmos capazes, nós sempre sobrevivemos. É nosso instinto, é humano. Podemos nos refazer e ressurgir das cinzas. Seguimos nossas vidas. Observamos as pessoas à nossas volta, deixamos que o tempo se encarregue de colocar as coisas no devido lugar.

Até que num belo dia a lembrança daquela dor ficou pra trás. Estamos refeitos, trilhando o nosso caminho, a vida novamente nos eixos. E então surge um novo alguém que nos convida para um passeio… Empolgação, felicidade e, sem nos darmos conta, estamos ali novamente, na beira do abismo, apreciando aquele maravilhoso céu azul, o vento batendo em nosso rosto, o frio na espinha, as borboletas na barriga… Ah, as borboletas na barriga! Que sensação maravilhosa! E é nessa hora que você pode escolher. E então você pula novamente! Afinal, você pode voar!

*Originalmente publicado em 27 de março de 2009, mas eu poderia ter escrito isso hoje.

I believe I can fly
I believe I can touch the sky
I think about it every night and day
Spread my wings and fly away
I believe I can soar
I see me running
Through that open door
I believe I can fly…
I Believe I Can Fly (R. Keller)


Afinidade

15/02/2011

Quem consegue me explicar esse sentimento que nos toma quando conhecemos alguém que parece sempre ter estado em nossas vidas? Por que com algumas pessoas as coisas são tão mais fáceis e com outras tão mais difíceis?

Você conhece a pessoa, sai com ela e então, em questão de minutos, está falando de sua vida, sem se esforçar pra ser simpático, simplesmente sendo você. Fala, ri, vê o sorriso do outro, sente que aquilo é recíproco e não quer que aquele momento termine. Quando termina, você quer saber quando poderá conversar mais, ter momentos como aquele novamente.

Afinidade ocorre com amigos. Com aqueles irmãos que não tem os mesmos pais que você, mas que pensam igualzinho, tem alguns dos mesmos defeitos e qualidades, ri das mesmas coisas bestas e fica puto com o mesmo que você. Mas não é só isso. Você pode ter afinidade com alguém completamente diferente de você, mas que te complete, te instigue, te mostre novas possibilidades e te apresente um novo mundo. Meus amigos, os que ganharam esse rótulo, são perfeitos exemplos de afinidade para mim. Tudo farinha do mesmo saco, conforme diria minha avó.

Afinidade existe entre pessoas que se gostam. O beijo pode ser bom, o sexo pode ser fantástico, mas o papo flui facilmente, os silêncios não são constrangedores e a presença da pessoa te basta. Olhar nos olhos é divertido, descobrir sinais característicos, marcas de expressão, explorar aquela pessoa que lhe parece tão familiar apesar de tão pouco tempo ao seu lado.

Afinidade é querer mais e querer agora. É querer que o tempo não passe, que o relógio pare, que o mundo se exploda. Afinidade é congelar aquele momento e querer viver ali para sempre. Mas, quando o tempo passa e a vida segue, é a afinidade que faz com que o reencontro seja uma continuação daquele momento onde paramos.

Arthur da Távola foi melhor que eu e disse bem:

“Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou, sem lamentar o tempo da separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado.”

Pra mim, não há muito mais a ser dito. Só que afinidade é bom. Muito bom. Viciantemente bom! Bom pra caralho!

Mr. Jones and me tell each other fairy tales
And we stare at the beautiful women
“She’s looking at you.
Ah, no, no, she’s looking at me”
Smiling in the bright lights
Coming through in stereo
When everybody loves you,
You can never be lonely…
Mr. Jones (Couting Crows)


Entre Aspas

13/02/2011

“Se tá difícil pra gente, imagina pra classe média…”
Amigo, no meio de uma felicitação de aniversário a outro amigo.

“Estranho isso, não? As pessoas aqui chegam conversando, querendo saber quem é você. Quando é que começa a pegação?”
Amigo de fora do Rio, sobre uma determinada festa que, segundo ele, descaracterizava o Rio de Janeiro.

“Deus se manifesta nos lugares com ar condicionado.”
Eu, sempre que entro num shopping center nesse calor dos infernos.

“Você tem que ir no meu aniversário. TEM de ir! É meu aniversário e eu tenho esse direito, não acha?”
Stalker, me convidando para o aniversário e recebendo um óbvio não retumbante de minha parte.

“Você até tenta, Autor, mas não consegue fazer bullying direito.”
Nuno, do in.Constante, debochando do meu insucesso em tentar amendrontar o atual peguete dele.

“Pra mim pouco importa com quem você dorme, se você dá ou você come. Tá feliz, que bom, você é apenas você. Mas, isso tenho que dizer: quanto homem bonito você pega, putaqueopariu!”
Amiga linda do MBA, depois que falei que eu era gay.

“Eu cheguei no francês meia hora atrasado, falando à beça, fazendo até a professora rir. That’s not me. Culpa sua, será?”
Ele, numa SMS depois de uma das melhores noites que tive nos últimos, sei lá, dois anos?

“Já escolhi a sua foto. Mostra você, mas de longe; e você lindo e sereio. E não te expoe ao mundo porque eu tenho ciúmes. Falei!”
Serginho Tavares, do Justo & Digno, ao escolher uma foto minha para participar do concurso TOP 10 Blogayros do Brasil (obrigado, fiquei lisongeado de concorrer, aliás! Mas nem faço campanha.)

 

Palavras não são más, palavras não são quentes
Palavras são iguais sendo diferentes
Palavras não são frias, palavras não são boas
Os números pros dias e os nomes pras pessoas…
Palavras (Titãs)


Do Que Pode ou Não Ser Verdade

07/02/2011

O calor insuportável, o suor escorrendo, o corpo mole, a preguiça. Na verdade, apenas mais uma sexta feira de fevereiro no Rio de Janeiro. Em casa, sentado de cueca na frente do computador, pensava que dali a pouco precisava se encontrar com os amigos pela Lapa, o point definitivo daquele grupo tão díspar e, ao mesmo tempo, tão homogêneo. Farinha do mesmo saco, ele pensava. Amigos, ele tinha certeza.

Atrasado, depois de duas duchas, teve sua atenção despertada pela tela do computador. Um nick conhecido e uma pequena conversa seguida de um sutil convite que saberia não ser aceito, seguido de um adeus e de um ‘se decidir ir, me liga, tô saindo!’. Fecha o computador e sai, antes mesmo de qualquer resposta.

No elevador, o susto. O telefone tocando, o convite aceito, as mãos suadas e todo o desânimo indo embora como que por encanto.

E foi assim que o outro, tímido, quieto, improvável, foi apresentado ao grupo de amigos. E amigos, quase sempre, são péssimos. Amigos praticam bullying com ficantes e peguetes dos membros do bando, amigos soltam as declarações mais polêmicas (sobre você) na frente de novatos, amigos testam até o limite aqueles que ousam adentrar aquela bolha tão específica, aquele círculo já traçado. Todos os amigos são assim? Não saberia explicar, afinal, ele não conhecia os amigos de todo mundo. Mas os amigos dele – os melhores! – eram todos assim.

Mas, apesar dos pesares, a noite foi mais do que agradável. Intimidado, o jovem rapaz se saiu super bem, foi acolhido, ficou horas deixando-se conhecer e sendo surpreendido pelo amigo mais inquisidor, mais resistente. Mas a noite, longa noite, avançava e ele (o personagem principal, não o novato) foi relaxando.

Por fim, apenas ele, o novato e o amigo inquisidor sentados numa mesa do Bar das Quengas. Nome propício, pensariam alguns. Nome infame, bradariam outros. Um nome, apenas um nome, nem mesmo esboçariam tantos outros.

E uma eletricidade no ar. Arrepios ao encarar os olhos, pau duro apenas num esbarrão de pernas. Tesão, apenas ele.

O amigo, o bom amigo, o melhor amigo, o mais sutil dos amigos, é sagaz e discreto: “É, tenho de ir. AGORA!”

Os dois ali, sentados, sem ter o que dizer, apenas a olharem-se, desejando-se.

E a noite, tão longa noite, chega ao fim. Porque, ao acordar, naquela cama que não era a sua e nem dele, com ele ao seu lado, ele só pensaria: Sonho? Realidade? Ou apenas a vida, sempre ela, a lhe pregar uma peça?

Não saberia a resposta. Ninguém saberia. Porque ele pode ou não existir e esse texto, letras e sinais gramaticais, acaba aqui. Já a vida, a real ou imaginada vai seguindo seu fluxo, sem se preocupar com certo e errado, com pontos ou vírgulas, interrogações ou exclamações.

E, pra que um ponto final se eu posso usar reticências?

(…)

“Teus sinais me confundem da cabeça aos pés
Mas por dentro eu te devoro
Teu olhar não me diz exato que tu és
Mesmo assim eu te devoro…”
Te Devoro (Djavan)


Brincando Com Fogo

02/02/2011

Conhece aquela máxima de que o que é proibido é mais gostoso? Assino embaixo.

Ele é um lindo. Lindo mesmo e em vários sentidos. Pra começar faz o meu tipo físico absurdamente e tem a capacidade de me deixar com tesão apenas por ver a plaquinha do MSN ‘subindo’ na tela do meu computador. Além disso, é inteligente, tem assunto, fala as maiores besteiras, os papos mais toscos, ao mesmo tempo em que pode discutir teorias mirabolantes e falar dos assuntos mais sérios. E, cereja do bolo, é cínico. Ao extremo. Daqueles que falam as barbaridades na minha cara com um sorriso (que ilumina o ambiente) no rosto. #TemComoNãoAmar?

Mas (sabe aquele MAS que tudo que é bom sempre tem?) ele é comprometido. Casado. Com um cara. Há anos morando juntos.

Se o relacionamento é aberto? Não.
Se o outro sabe das escapulidas? Não.
Se eu tô preocupado com isso? Nem um pouco.

Para mim, na verdade, seria algo como uma fast foda. Atraídos um pelo outro, ficamos e até nunca mais.
Entretanto, não é bem assim. O papo é ótimo (e o cheiro, o gosto, o beijo, whatever…) e temos aquela mania de provocação mútua. Eu tento, juro que tento (mentira!) não provocá-lo, mas não consigo. E ele age da mesma forma comigo.

Se corro o risto de me apaixonar? Nem de longe, uma vez que conheço o tipo (o meu). Mas gosto tanto da situação em si. E de provocá-lo. E de me imaginar com ele novamente. E de falar com ele.

Entretanto, tenho de me perguntar:

Por que o proibido é mais gostoso? Ou melhor, por que a gente é assim?

Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo ao nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos…
Pra Ser Sincero (Engenheiros do Hawaii)