Paixões Europeias

31/01/2011

Eis que minhas férias na Europa foram maravilhosas, como eu sempre soube que seriam. Paris e Londres são belíssimas, os pontos turísticos são tudo que se falam deles, mas eu não sou lá uma pessoa muito turística. Para mim, basta ver uma vez a Torre Eiffel e tá ótimo. Vi o Big Ben? Beleza! Acho lindo, tiro fotos, mas chega né? Única excessão é a Champs-Élysées, porque aquilo é uma tentação para se fazer compras e ver coisas que ainda nem chegaram ao Brasil. Futilidade, a gente vê por aqui!

Mas, o que eu realmente tenho de falar é sobre os homens! Só uma palavra para definir os homens que conheci nesses 17 dias de férias: putaqueopariu! Franceses e ingleses são lindos. Fato! Fora os turistas que esbarrei pelo meio do caminho. Andar de metrô em Paris e Londres é motivo para se apaixonar umas 5 vezes em cada estação. Entretanto, entre os caras que conheci e fiquei durante esses dias, dois foram, sem sombra de dúvidas, os mais marcantes e que me arrancaram mais suspiros.

O Italiano

Um pub no Le Marais, primeiro dia do ano. Música pop, shower boys (sim, me choquei com isso lá!), meu amigo e eu animados, curtindo a noite. Nesse meio tempo eu o vi. Ou ele me viu, não sei bem precisar. Lindo, com uma amiga e um amigo, olhava para nós e sorria. Estávamos próximos e eu achei ter ouvido ele falando em português ou algo semelhante a português. Comentei com meu amigo, começamos a rir e a dançar, quando a amiga dele se aproximou para dançar conosco. Claro que ele e o amigo vieram à tiracolo. Acharam que fôssemos italianos, pois, segundo eles, falávamos alto e com as mãos, como eles. Rimos e, quando o amigo deles se despediu, ficamos os quatro dançando e conversando.

Luigi era seu nome. 27 anos, professor em Florença e com um namorado na Itália. Mas ele falava comigo botando a mão na minha cintura, os lábios sempre tocando minha orelha quando vinha cochichar algo. O inglês-italiano dele encontrando barreiras com o meu inglês-português, o que gerava muitas, muitas gargalhadas.

Até que não deu mais e um beijo foi inevitável. Um beijo demorado, quente, visceral, aplaudido por Cassandra (sua amiga) e por meu amigo. Uma paixão arrebatadora que durou um pouco mais do que aquela noite.

Hoje, ele está na Itália e eu estou no Brasil. No Facebook (bendita rede social) ele faz parte da minha lista de amigos e me garante gargalhadas em papos surreais. E ganhei uma alcunha bonitinha: my brazilian boyfriend.

Então tá então!

O Francês

Porque sim, eu sou incoerente. Apesar de ter ficado com franceses, durante toda a minha estadia na França minha maior ‘paixão’ foi um italiano.  Mas eis que vou para Londres e quem é que fica na minha mente? Um francezinho de 21 anos, a coisa mais linda que eu encontrei.

Cheguei em Londres doente. Os graus negativos de Paris e os mil choques térmicos (na rua um frio de lascar, nos lugares fechados, por causa da calefação, um calorzinho gostoso, convidativo. Um tira e bota de roupa de frio do cão.) me garantiram uma infecção a garganta, com direito a febre e dores no corpo, que só queria cama. Mas eu estava em Londres, né? Então, vai pra rua, faz turismo, pega chuva (maldita chuva londrina!) e volta pro hostel moído de cansaço e com febre.

Foi no segundo dia que eu o vi. Sentados na área comum do hostel, não tinha como olhar para outra pessoa a não ser para ele. Loirinho, olhos verdes, cara de moleque travesso, distraído com seu laptop no sofá bem ao lado ao que eu estava sentado com minha amiga. Eu queria, eu precisava falar com ele e por isso criei um motivo: perguntei se o wi-fi do hostel já estava funcionando, já que no dia anterior não estava. Com um inglês sofrível, ele me disse que não, que a previsão era para o dia seguinte. Foi quando minha amiga e eu começamos a conjecturar, em português, de onde ele seria, pois com aquele inglês, da Inglaterra certamente é que não era.

Minha amiga foi pro nosso quarto e eu, apesar da febre, fiquei um pouco mais, assistindo aos clipes do programa que passava na televisão. Ele imediatamente trocou de lugar e se sentou ao meu lado, puxando conversa. Em pouco tempo descobri seu nome – Florian – e que era francês, de mudança para Londres para ficar 06 meses estudando inglês. Apesar dos 21 anos, tinha terminado a faculdade de biologia, mas ainda não sabia o que faria da vida. Um fofo, lindo, com um sorriso que iluminava toda a sala onde estávamos. Meia hora depois meu amigo chegou, os apresentei, e, cansados que estávamos, fomos nos deitar. No caminho, meu amigo foi direto: Ele tava te olhando com uma cara! Vai pegar quando?

Dia seguinte, café da manhã, eu numa mesa com outras duas brasileiras que conheci no hostel e ele chega, cantando e dançando, fazendo uma brincadeira com uma famosa música da Lady Gaga e o meu nome (incrível como todos faziam a mesma brincadeira, apesar de eu não ter o nome da música). Depois do café, a caminho de nossos quartos, ele foi direto:

-Are you gay? – me perguntou.
-Of course. The world is! – eu disse.
-Thank you, God! – ele falou rindo.

E nada rolou entre nós. Nada. Apesar de todas as possibilidades, eu estava doente, com febre. No mesmo Facebook, entretanto, ele é sempre direto e diz que perdemos uma oportunidade única. Que desde que me viu naquela sala não conseguiu me tirar da cabeça. Mas, fizemos uma promessa simples e objetiva um para o outro:

See you around the world!

Além de eu ter tentado traduzir pra ele, para o inglês, um poema de Paulo Setúbal muito bonitinho:

De todos que me abraçaram,
De todos que me beijaram
Já não me lembro, nem sei.
São tantos os que me amaram
São tantos os que eu amei…
Mas tu – que rude contraste!
Tu, que jamais me beijaste,
Tu, que jamais abracei
Só tu em minh’alma ficaste
De todos os que eu amei…

Agora me resta esperar pela próxima viagem, pelas próximas paixões. Se tudo der certo, ainda esse ano me aventuro novamente pelo mundo. Os destinos? Barcelona, Berlim, Amsterdã e Roma.

Porque a vida é curta, mas os amores podem ser muitos!

See ya, folks!

OBS: Sim, as fotos são reais. E sim, eu sei que vcs vão preferir o Luigi. rs

Leste, oeste, norte, sul, onde o homem se situa
Quando o sol sobre o azul, ou quando no mar a lua
Não buscaria conforto, nem juntaria dinheiro
Um amor em cada porto, ah se eu fosse marinheiro..
Maresia (Adriana Calcanhoto)

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Game Over

22/01/2011

Acabou há dois anos. Ou era pra ter acabado. Pelo menos, oficialmente, acabou há dois anos. Não dava mais, não nos entendíamos, o namoro já estava abalado e, como bons adultos que somos, terminamos. Seguimos a vida, o vi apenas uma única vez depois disso, mas o carinho enorme sempre existiu. Ele foi meu último referencial, meu último namorado, o cara (e a pessoa) que eu mais gostei na minha vida.

Muita coisa mudou, eu mudei, ele também, certamente. Mas, para mim, ele ainda era presente, uma certeza, algo ‘não resolvido’. Conheci caras maravilhosos, tive a oportunidade de namorar alguns, mas sempre que a situação ia ficando mais séria, eu recuava. Inconscientemente (ou conscientemente mesmo) eu achava que ainda ficaríamos juntos. Que era apenas um tempo, um stand by na nossa relação. Eu podia ficar com outros caras, eu podia transar, mas no fim, era com ele que eu voltaria a namorar, era ele o cara certo e a hora errada ia passar.

Até que agora, quase dois anos depois, eu o revi. Com aquele que eu sempre achei que fosse apaixonado por ele, o melhor amigo ‘hetero’ da faculdade, o que desabafava, o que ele confiava. O mesmo cara que ele não teve a coragem de me dizer, mas que apresentou para o meu amigo como o atual namorado.

Na minha cidade, porra! Na Gambiarra, que é a ‘minha’ festa no Rio. Meu território, meu lugar. Fiquei puto, irritado, fui infantil e quase fui embora pra casa. Minha noite acabou ali, cinco minutos depois que entrei na The Week. Por pouco não o mandei à merda, exigi que voltasse pra Petrópolis e nunca mais botasse os pés no Rio.

Mas amigos existem pra te colocar no eixo, pra te trazer pra realidade, pra deixar que você tenha suas crises, mas te poupam de um vexame. E eu segui minha noite. Me diverti, beijei, brinquei, dancei até o dia nascer. Não o vi mais e, na verdade, não queria vê-lo mais.

Por mais que tenha doído, que parecesse como se algo quebrasse em meu coração, era necessário. O game over uma hora precisa acontecer. Para você seguir em frente, para você se desvencilhar de histórias inexistentes, para você se permitir.

A história finalmente acabou. Ponto final. Game over!

E eu precisava ver para que minhas fichas caíssem. E agora, caídas, não há mais nada a fazer a não ser viver. Plenamente!

I’ve been roaming around always looking down at all I see
Painted faces, fill the places I can’t reach
You know that I could use somebody
Someone like you, and all you know, and how you speak
Countless lovers under cover of the street…
Use Somebody (Kings of Leon)