Bonito É, Se Bonito Lhe Parece

25/11/2010

Tenho quatro amigas do trabalho. Quatro meninas que entraram na minha vida por causa da empresa, mas que ficaram e hoje fazem parte dela, me divertem e formam um grupo um tanto quanto diferente. Poderiam ser o quarteto de Sex and the City e eu o Stanford, o amigo gay, se minha vida não fosse bem mais interessante e movimentada que a das quatro juntas, rs. Foram elas quatro as primeiras pra quem contei, morrendo de medo, que era gay sim e foda-se o mundo. E são elas (nº 1, nº 2, nº 3 e nº 4) com quem tenho os papos mais surreais e divertidos do mundo.

Essas mesmas quatro mulheres vivem me apontando e me chamando de fútil ao afirmarem que eu não ficaria com um cara feio. Afirmação essa que eu contesto, afinal, beleza é um conceito relativo e o que pode ser bonito para mim, não necessariamente será para você. Mas elas duvidam e riem quando eu digo que ficaria com um feio. Tenho culpa se quase não acontece?

Eis que por causa desse assunto, uma delas se deu conta de que com ela acontece sempre o contrário. Ela só fica e se vê atraída pelos feios. Simples assim. Foi assim que fizemos um trato de que ela teria de ficar com um bonito e eu com um feio. Mas, fazer o quê se a vida não colabora?

Ela anda agora toda empolgada porque descobriu o tal do Badoo. Eu, que sempre recebia uns convites para adentrar no site, nunca dei importância para o dito cujo. Para mim era apenas mais uma rede social, tipo o Orkut (que eu nem uso mais). Mas, pelo que uma outra pessoa nos informou, o Badoo é praticamente o Manhunt dos heteros. E, empolgada com essa informação, minha amiga desbravou o admirável mundo dos encontros virtuais.

Depois de criar um perfil, em apenas algumas horas ela foi abordada por vários e diferentes caras. Peneira um pouco e uns privilegiados foram parar no seu MSN. Desses, ela conseguiu agendar três encontros, com três caras diferentes. Segundo ela, dois lindos, gostosos, cheirosos e afins; um, feio. Adivinha de qual ela gostou mais, mesmo tendo dado uns beijos nos três? Do feio, claro, que diferentemente dos outros, ganhou outros encontros e outros beijos.

O ‘feio’ é o mais inteligente, simpático e, segundo ela, mais foda dos três. Tão foda,  que ela – uma fashionista de plantão – me contou com olhos brilhantes como ele estava vestido num dos encontros dos dois: camisa gola V preta, jeans e havaianas retrô (aquelas, de solado branco e tiras azuis ou pretas, que quando eu era criança eram consideradas chinelo de pobre). Então tá, então, né?

Eu, como ela, prefiro estar com uma pessoa foda ao meu lado do que exibir um troféu por aí. O problema (ou não) é que eu normalmente dou sorte e conheço caras bonitos E interessantes. E com uma equação dessas, pra quê abrir mão e/ou dispensar? Eu me divirto, oras! Problema deles, que devem ser cegos e dão trela pra mim. Eu que não vou reclamar.

Dessa forma, todos ficam felizes. Bonitos, feios e aqueles que a gente não sabe definir exatamente o que são, os exóticos. Afinal, é sempre válida a velha máxima: há sempre um chinelo velho para um pé cansado. Ou não.

Whatever… Eu ainda hei de ficar com um feio. Questão de honra provar que eu consigo. Mas coloco isso na minha gaveta de projetos de longo prazo. E ponto final.

I am beautiful no matter what they say
Words can’t bring me down
I am beautiful in every single way
Yes, words can’t bring me down
So don’t you bring me down today…
Beautiful (Christina Aguilera)

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Uma Manhã Na Polícia Federal

23/11/2010

Passei a manhã inteira da minha segunda-feira num posto da Polícia Federal. Calma, ainda não sou um grande perigo para a sociedade. Apenas, bom brasileiro que sou, deixei para a última hora o lance de resolver a pendência do meu passaporte e, só conseguindo agendar às vésperas da minha viagem, me dirigi ao único posto no Rio com possibilidade de atendimento para antes de janeiro: o do aeroporto do Galeão.

Eu, particularmente, gosto muito do clima de aeroportos. Aquele vai e vem de executivos e pessoas bonitas é bastante atrativo e, na maioria das vezes, um colírio para os olhos. Entretanto, minha aventura na Polícia Federal foi um tanto quanto… antropológica.

De acordo com o site da Polícia Federal, é agendado apenas um atendimento por horário disponível no site. E eu, idiota que sou, acreditei nisso, claro! Escolhi o horário das 10:30h e, 15 minutos antes disso estava no local. Passei por uma triagem, viram minha documentação e fui orientado a sentar em determinado lugar que na minha vez seria chamado pelo nome. Peguei minha revista semanal e me sentei.

Tic Tac 10:30 – 10:45 – 11:00 – 11:15 – 11:30 Tic Tac

Nada de eu ser chamado e, por isso, perguntei para a menina que me atendeu:

-Só uma dúvida, a chamada é feita por ordem de agendamento ou por ordem de chegada?
-Ordem de agendamento, senhor!

Então tá, fiquei lá. Eis que como na espera, todo brasileiro puxa papo com outro fudido na mesma situação, a menina sentada ao meu lado começou a chorar as pitangas. Em menos de cinco minutos soube que ela era de Curitiba, tinha 28 anos, já morou na Espanha, era publicitária, trabalha no centro do Rio, na Avenida Rio Branco e que ia de férias para o Canadá. E, o que me deixou tenso: o horário de atendimento dela era 10:15. E já eram 11:40. Mas como pra quem tá fudido e já perdeu a manhã de trabalho, ligar o foda-se é o melhor caminho, fiquei até que felizinho quando ela foi chamada para ser atendida.

Por um passe de mágica, mal ela foi chamada e uma outra menina sentou-se do meu lado, consultou o relógio e se dirigiu até a policial do atendimento:

-Senhora, onde estamos? -querendo saber em qual horário do atendimento a lista se encontrava.
-Num posto da Polícia Rodoviária Federal. -foi a resposta seca que ela recebeu.

Eu ri, mas acabei ficando com pena, quando o papo continuou.

-Ah, é que eu estou agendada para 11:45h e já são 11:42.
-Quando for a sua vez seu nome será chamado.

Ah, porra! Eu estava agendado para 10:30 e estava lá, sentado, lendo e esperando, e a apressada queria ser atendida na hora exata? Aloooowwww, estamos no Brasil, alguém conta isso pra essa criatura, por favor? Mas como sou bem legalzinho e sádico, quando ela se sentou, falei:

-Olha, meu horário é o de 10:30h e ainda não fui chamado. Então, prepare-se para, pelo menos, 01:30 h de espera.

E sorri com meu mais puro sorriso de ‘filha, você tá fudida, relaxa’ e me levantei feliz porque fui chamado nesse exato momento. Beijos pra ela!

Na cabine, a atendente foi super simpática, me pediu desculpa pelo atraso e disse que das sete cabines, apenas três estavam funcionando porque quatro funcionários tinham faltado. Então tá, né? Eu já tava indo embora mesmo, pra mim que se explodisse o mundo.

A merda é que achei que ia ver mil policiais federais tesudaços, com óculos escuro e caras de mau pra eu ficar viajando em mil fantasias, mas o que vi foram várias policiais com caras de poucos amigos e de mal comidas, que agiam como se estivessem prestando um favor para todo mundo no recinto. Uma merda, na verdade.

Mas, liguei o foda-se! O que importa é que resolvi minha situação, meu passaporte está ok, as passagens estão compradas e a França me aguarda.

Au revoir!

O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência…
Paciência (Lenine)


Essa Complicada Questão dos Menores de Idade

12/11/2010

Parece que o meu post anterior deu o que falar. Não pela história em si (que foi sim, bem excitante), mas pela minha decisão de deixar o menino em stand by por ele ter 17 anos. A meu ver, natural agir assim, afinal, ele tem 17 anos que, para mim, é uma idade proibida.

O que me chocou foi ver a enxurrada de comentários questionando minha atitude e dizendo que se eu tivesse ficado com o menino não teria problemas legais. Gente, sério, vivemos em países diferentes? Porque sim, no Brasil É CRIME se relacionar com menores de 18 anos, mesmo com o consentimento deles. E não me venham dizer que a idade de consentimento é 14 anos, porque NÃO É! Antes dos 14 anos, quase tudo é encarado como estupro ou atentado violento ao pudor. Dos 14 aos 18, como bem comentado no post anterior, dependendo da situação, isso dá um problema DAQUELES: corrupção de menores, mesmo que o menor diga que queria a transa.

De boa, temos um monte de casos fresquinhos na mídia provando a MERDA que pode dar se envolver com um menor. Ou vocês já se esqueceram da professora que se envolveu com uma aluna de 14 anos e está presa? E o garoto de 18 anos que foi preso por beijar o garoto de 13 anos?

Isso, sem esquecermos uma coisa chamada PAIS. Vivemos numa sociedade preconceituosa (por mais que a gente não queria admitir isso e desejar um mundo que aceita os gays com naturalidade). Me digam, quantos pais aceitam naturalmente o fato de terem filhos adolescentes gays? E se você, meu caro, se envolve com um desses, cujos pais não aceitam de jeito nenhum a situação, acha que a culpa será de quem? De você, o monstro que provavelmente seduziu o pobre filhinho deles e o levou para esse caminho.

Outro fator a ser considerado: uma menor de 18 anos sabe realmente o que quer da vida? Eu, pra exemplificar, tenho a tendência de atrair stalkers e malucos no meu encalço. Agora, imagina se, além disso, arranjo uma criatura dessas menor de idade? Tô fora!

Já ouvi planos mirabolantes de adolescentes (meninos ou meninas) que queriam seduzir adultos para tirarem proveito da situação. Sim, caráter não tem idade. E um adolescente pode sim causar um estrago tremendo na vida de um adulto (ninguém assistiu MeninaMá.com? E olha que o cara do filme tava TODO errado e se fudeu bonito com a Ellen Page).

Por isso, numa situação semelhante, não se enganem: a merda PODE acontecer com qualquer um. E eu não dou chance pro azar, porque Murphy é meu amigo pracarai e eu tenho um medo danado dele.

Não nasci pra ser o Lobo Mau. Inclusive porque cresci ouvindo e lendo contos de fábula e, nessas histórias, é sempre ele, o Lobo, que se fode bonito! Obrigado, mas eu passo!

Cuidado com a cuca, que a cuca e pega
Te pega daqui e pega de lá
A cuca é malvada e se fica irritada
A cuca é zangada, cuidado com ela!
A Cuca Te Pega (Cássia Eller)


Essas Coisas Inusitadas do Nosso Dia a Dia

05/11/2010

Domingo, tardezinha, a caminho da zona sul. Na estação, fone de ouvido, pensamentos perdidos. O vagão chegou, eu conferi “Destino: Estação General Ozório – Ipanema”, entrei. Alguns lugares vagos, e eu escolhi um ao lado de um menino muito bonitinho, que segurava uma bola de futebol e trajava roupas esportivas, provavelmente vindo de algum jogo.

Preciso descrevê-lo, mesmo tendo o encarado brevemente: olhos azuis, cabelos castanhos escuros e bagunçados, fone no ouvido, cara séria.

Sentado ao lado do menino, eu cantarolava e o observava pelo reflexo na janela à nossa frente. Foi quando vi que ele também me olhava disfarçadamente e sorria. Eu, que fico tenso nessas situações, comecei a rir.

O menino, com uma tranquilidade tremenda, tirou o casaco esportivo que usava, e jogou sobre as pernas e, com a mão debaixo do casaco, começou a deslizar os dedos pelo lado da minha coxa. Eu olhei pro lado e ele riu, o que me deixou mais constrangido. Sem se importar, ele colocou o casaco também sobre a minha perna e pousou a mão sobre a minha coxa e ficou com ela parada ali, fazendo um leve carinho.

Não trocávamos nenhuma palavra, mas a excitação pairava sobre nós. Quando os alto falantes anunciaram a estação Cardeal Arcoverde, em Copacabana, ele se virou para mim e disse:

-Me dá seu telefone.

Vou parecer estúpido, mas o que fiz? Eu dei o telefone. Mas não, não dei o número, não falei nada. Simplesmente peguei meu aparelho de celular e dei na mão dele, achando que todas as demais pessoas no vagão olhavam para nós. Ele riu, digitou um nome e um número no meu aparelho, salvou e deu um toque para o seu próprio celular. Piscou para mim, se levantou e, ao chegar na estação Siqueira Campos, saiu do vagão.

Alguns minutos depois recebi uma SMS:

“Adoro esse tipo de coisa inusitada que acontece nos lugares mais improváveis. Prazer!”

Eu ri da situação, respondi a mensagem passando meu MSN para ele e segui meu caminho.

Dias depois ele me adicionou no MSN e finalmente conversamos. Que menino simpático, divertido, ousado e tão… jovem! Todo o tesão que eu senti com a situação foi embora quando ele me disse que tinha 17 anos. Pois é, sou bobo, medroso e quero distância de problemas, por isso dei uma desculpa para ele que estava viajando para a França (ok, antecipei a viagem para ele em 2 meses) e que só voltaria em janeiro e o bloqueei no meu MSN.

Melhor manter a tentação em stand by, não é mesmo? Mas em janeiro, quando eu já tiver voltado de férias, ele já terá completado 18 anos. E então, quem sabe?

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar,
Cores de Frida Kahlo, cores…
Esquadros (Adriana Calcanhoto)


Drugs and other Drugs

01/11/2010

Já disse aqui, mais de uma vez, que não tenho muita paciência para o tumtumtum das boates em geral. Por isso mesmo, prefiro festas, como o Chá da Alice, a Gambiarra (alguém falou que em SP não é tão legal, mas aqui no Rio é ótimo, alto nível, SÓ gente bonita) e a Noite Preta. Mas no último sábado, pilhado por um amigo de fora do Rio, acabei indo à The Week, mais interessado na Wallpaper, festa com música pop que rola na pista deck da TW Rio.

Mas não é sobre o tumtumtum ou sobre a qualidade da festa em si que quero falar. E sim, de como me sinto uma ilha num ambiente em que todo mundo se droga de todas as formas possíveis.  Eu sou chato, logo, não fumo, não cheiro, não injeto. Não tenho paciência com fumaça de cigarro, quanto mais com as de outro tipo. Meu único “vício” é lícito, já que pra bebida alcóolica eu não tenho muito filtro.

Mas também não vou ser hipócrita aqui. Sim, eu  já tomei bala e sei bem o efeito dela na mente da gente. Quando tomei a dita cuja, eu era parte da música, uma sensação muito doida e que me faz até que meio entender a vibe desse pessoal. Entretanto, o pós-bala pra mim foi uma merda. Fiquei doente e peguei uma cacetada de infecções no mês seguinte. Porque sim, de acordo com meu médico, dependendo do organismo da pessoa, essa porra baixa a sua imunidade e pode acontecer o que aconteceu comigo, afinal, Murph é meu amigo. Ou seja, não compensa um barato de umas horas se depois eu vou ficar na merda, gastando mó grana com mil antibióticos e afins. Pra mim, não rola. Experimentei e vi que não era a minha, simples assim.

Mas o que eu realmente não entendo, é esse pessoal que SÓ toma bala, toda semana, toda vez que sai. Eu, que só bebo, acho uma merda quando exagero a dose e não consigo me lembrar de nada no dia seguinte. E, sinceramente, não acho que metade dos caras que vi no sábado se lembrarão do que faziam na TW. Creio que o organismo já deve estar tão habituado à substância, que via gente tomando dois comprimidos, colocando gotinhas de não sei o quê nas garrafas d’água, fumando maconha na área da piscina. Assim, livremente, como se estivessem em Amsterdã. Porque os seguranças lá presentes fazem vista grossa total para esse tipo de comportamento, que é o habitual.

Sei lá, eu posso ser velho, chato e implicante, mas me deu um certo nojo por estar naquele ambiente. Acho que cada um sabe o que quer pra sua vida e estou longe de ser juiz da vida alheia. Mas posso dizer que EU fiquei incomodado com aquilo tudo, com aquele way of life que não é o meu e não é o que quero pra mim. Acho que lembrei daquela velha e boa máxima: Diga-me com quem andas e te direi quem és.

A noite foi legal? Divertida, mas não das melhores. Aprendi que me divirto muito mais com meu grupo habitual de amigos. E essa impressão de que sou o último dos que não se drogam só serviu para atestar isso.

Devo estar ficando velho. Ou não. Acho é que sempre fui careta mesmo. E pretendo continuar sendo assim.

A vida é bela, o paraíso um comprimido
Qualquer balaco ilegal ou proibido…
Natasha (Capital Inicial)