Interesses Amorosos e Afins

30/08/2010

Estou exportando interesses amorosos.

Um, cuja relação eu não entendia, foi a trabalho pra Buenos Aires. Ficou lá.

Outro, por quem eu tava babando, foi a trabalho pra Nova York. Ficou lá.

E eu, onde fico?

No máximo, no máximo, na Lapa!

E sem brincadeirinhas de que querem namorar comigo pra ver se surge um emprego em outro país. Meus amigos já bastam dizendo isso! 😛

O paulista da Fosfobox foi embora. Ficou uma semana no Rio, nos vimos três vezes e ele é um fofo. Apesar de médico. E apesar de paulista.

Sobre a implicância com médicos e paulistas é simples:

Meu ex namorado é médico (ou estudante de medicina ainda, não sei mais). Trauma puro.

Quanto aos paulistas, geralmente gosto muito de ficar com eles. Mas eles são de… São Paulo, claro! E adoro sacanear o sotaque deles e seu ar blasé.

Agora, paulista e médico é demais pra minha cabeça processar.

-Quero namorar! Cansei de ficar solteiro, piriguetando por aí.
-A-ham, claro que quer. E por quê você dispensa todos esses caras lindos que ficam atrás de você.
-Porque são todos loucos. Em uma semana estão falando em namoro. Gente carente.
-Já parou pra pensar que o louco pode ser você?

Fiquei lá. Pensando. É, pode ser!

Quer me conquistar?

Deixe um bilhete na minha casa, quando eu não estiver:

Amor da minha vida, estive aqui e vc não estava! 😦
Beijo no coração!
E.      🙂

Juro, eu derreto!

“Quem vai me entregar suas emoções?
Quem vai me pedir que nunca lhe abandone?
Quem vai me cobrir à noite, se fizer frio?
Quem vai curar o meu coração partido?”
Corazón Partío (Ivete Sangalo & Alejandro Sanz)


Flashes de um Sábado à Noite

23/08/2010

Sexta-Feira. Madrugada.

-Festinha amanhã, então, fechou?
-Fechado.
-Fechado.
-Fechado.
-Esquenta na sua casa, Autor, tranks?
-Combinado.

Sábado. 20 horas

-Uau, quanta coisa pra beber, Autor.
-Nada demais. Cerveja. Vodka. Martini com Soda. E a cereja do bolo, pra nossa única dose antes de sairmos pra festa: Absinto!

Sábado. 22 horas. 15 long necks, uma garrafa de Vodka e meia garrafa de Martini depois

-Bora partir pra festa. Até chegarmos em Copacabana, vai demorar um pouco.
-Mas vamos de metrô, vai ser rapidinho.
-Hoje eu quero dançar. Só dançar. Vou pegar ninguém.
-Sei, Autor, sei.
-Partiu pra dose de Absinto?
-Vocês sabem, né? Absinto bate, tipo, umas duas horas depois.
-Bora, bora, bora!
-Uhnnn, tem gosto de Listerine essa porra.

Metrô. Gargalhadas. Mundo Girando

-Cara, cadê o seu óculos?
-Que óculos, Sil?
-O seu, Rê. Cadê o seu óculos? Roubaram!
-Eu não uso óculos, carai!

Sábado. Meia Noite. Fosfobox. Fila. Gente.

– Que linda você é, Karen, linda, linda, linda!
-Liga não, Karen, o Autor tá bêbado.
-Nem tô. Vou cuidar de todo mundo hoje. E vou dançar e não vou pegar ninguém.
-Obrigado pelo linda.
-Você não vai ser mais sapatão. Não quero! Tenho preconceito.
-Tá bom então.

Interior da boate, música tocando, menino me olhando e rindo. Se aproxima. Puxa papo.

-Oi!
-Oi.
-Tá com seus amigos, né?
-Tô.
-Você é hetero? Tem muito hetero aqui hoje.
-Hum, depende. Pra quem?

Amigo chega:

-Beija ele logo, Autor tem preguiça de gente, se você não beijar ele vai cansar.

Beijo bom. Muito bom. Menino bonito.
Mas… Eu sou preconceituoso. E ele usava uma camisa com lantejoulas. Que eu só vi depois.

-Vou ali no banheiro, volto já.
-Vai sim. Tô aqui com meus amigos. Até.

-Autor, olha o outro menino te olhando. O barbudinho.
-Hum… Mas o menino foi lá e disse que volta.
-A-ham.

Olha. Olha de novo. Sorri. Ele sorri de volta. Pronto, perdeu, mermão.
Vou. Beijo. E gosto. Muito. Alguns beijos depois.

-De onde você?
-Daqui mesmo do Rio.  Você?
-São Paulo. Sou médico. Vim pra um congresso, fico essa semana aqui.
-São Paulo. Médico. Ok, eu já tenho preconceitos para com você.
-Tô vendo o preconceito me beijando e me olhando desse jeito.
-Odeio paulistas. E odeio médicos.
-Ok. Mas me beija de novo então.

-Sil, onde você tava? Sumiu, homem!
-Hum.
-Você tá bem?
-A-ham.

Deita a cabeça no meu ombro e, no meio da boate, meio que dorme.

-Lah, vamos embora?
-A-ham. Mas dá mais uns beijos nele que tá tudo girando pra mim.
-Ok. Fica aí deitadinha no puff, que tô com o paulista ali na pista.

Meia hora depois.

-Podemos ir embora agora, Lah?
-Mais meia hora de beijos iam me fazer bem. Vai lá. Tá tudo meio girando pra mim ainda.
-Ok.

-E agora, vamos? O paulista já foi, acabei de ir até a saída com ele. Não quero mais dançar, levante-se.
-Ok. Cadê os meninos? Eles sumiram. Ninguém se despediu de mim.
-Tá louca? Todo mundo te deu tchau. E você nem tchum.
-Hum.

E coloca a cabeça no meu ombro.

Detalhe: me diverti muito. A Fadinha Verde bateu apenas levemente para mim.

😉

“Todo mundo espera alguma coisa
De um sábado à noite
Bem no fundo todo mundo quer zuar
Todo mundo sonha ter
Uma vida boa
Sábado à noite tudo pode mudar…”
Sábado à Noite (Cidade Negra)


Diálogos Reais de Pessoas Bem Normais

16/08/2010

-Ah, eu gosto dela. Cabelos ao vento, pelo morena. Ela é linda, oras!
-Sim, é. Concordo. Mas não acho que você seja ela. E, digo mais, não é legal ficar falando que você quer ser a Pocahontas, porra! Pára de beber, seu viado maluco!
-Ah, eu quero ser a Pocahontas.
-Ok, seu louco.
-E As Panteras, que tal?
-Oi???
-Isso, As Panteras. Mas eu sou a Cameron, falei primeiro!

-Eu bem conheço aquele menino ali, ele tem um blog também.
-Oi, a música tá alta, repete!
-EU ACHO QUE CONHEÇO AQUELE MENINO ALI, OH!
-Ué, cumprimenta ele então.
-Vou fazer isso.

(“You show me love, you show me how to breakaway, living in a brand new day…”)

-Oi, você é o Fulano, não é?
-Sou sim.
-Do blog Tal e Tal, né?
-Sim! Você lê meu blog?
-A-ham, prazer, sou o Autor, do Confissões a Esmo.
-Ah, sim, que legal, você até comenta.
-Às vezes.
-Posso perguntar uma coisa totalmente fútil e fora de contexto?
-Claro, manda brasa!
-Como você acha que eu tô de corpo?
-Hum… Gostoso! Pode continuar sem camisa!
-Ai, obrigado! Pela primeira vez em anos estou me sentindo feliz com meu corpo.
-No que entendo perfeitamente seu contentamento.

-Where you from, guy?
-I live here, in Rio. And you?
-Soy mexicano y mi novio vive en Texas.
-Stop. We speak in English, Spanish or what? I’m drunk, man! Me estoy volviendo loco ahora!
-But, now es usted quien estas hablando español.
-Oi??? Tô confuso, juro!
-I need your kiss and my boyfriend want your friend.
-Eu preciso de mais tequila, isso sim!

-Posso te fazer uma pergunta e você promete ser sincero?
-Isso já é a pergunta que você tá pedindo para fazer?
-Ah, você entendeu. Tão engraçadinho você.
-Manda.
-Você realmente não gosta de mim?
-Não.
-Não gosta de mim ou ‘não, eu gosto de você’.
-Não, eu não gosto de você. Pelo menos não do jeito que você tá perguntando.
-Você é muito divertido, sabia? Nem sei porque eu ainda te pergunto isso.
-É, eu também não sei. E não, eu não estou brincando, eu realmente não gosto de você. É só diversão.
-Você é meio insensível, né?

-Mas você disse que ia me levar, junto com seu pai, no Pão de Açúcar quando a gente viesse aqui te visitar.
-Disse, mãe, mas isso foi antes de eu saber que custa R$ 45 por pessoa pra subir naquele troço. Vamos em outros lugares lindos, você vai ver.
-A gente cria filho pra isso,  pra ficar economizando R$ 45 na hora de levar a gente pra passear. Que mundo é esse, meu Deus?
-O mundo onde o seu filho teria de pagar R$ 135 só pra ver o Rio do alto. Fica pra próxima.
-Não se fazem filhos como antigamente.
-A-ham, mãe, senta lá!
-Sentar onde, menino, tá maluco?

“Eu não tenho nada pra dizer
Também não tenho mais o que fazer
Só pra garantir esse refrão
Eu vou enfiar um palavrão: CU!”
Nada a Declarar (Ultraje a Rigor)


Notas Aleatórias Sobre Coisas Quaisquer

10/08/2010

-Carinho é algo difícil de agradecer, mas não tem como fazer diferente. Na impossibilidade de abraçar a todos que se manifestaram e tantos outros que leram e, em seu silêncio, compartilharam do meu desabafo sobre a morte da minha avó, deixo-lhes meu muito obrigado. Pode parecer estranho, pode soar irreal, mas mesmo nesse mundo virtual, esse carinho que chega até a gente faz um bem tão grande. E o objetivo de carinho não é esse, fazer bem? Obrigado, mais uma vez.

-Fim de semana com meus pais na minha casa, no Rio. Sabe aquela coisa boa de arrumar tudo, colocar sabonete novo, separar toalhas, deixar tudo cheiroso quando se vai receber visitas mais do que especiais?
Eles chegaram no sábado e passamos dois dias juntos, o que foi muito legal. Fiz o papel de filho que saiu do interior e mora na cidade grande e fiquei de ciccerone, mostrando os pontos turísticos, aproveitando o belo dia que fez no domingo. Aterro do Flamengo, Mirante do Leblon, Lagoa Rodrigo de Freitas, Praia de Botafogo. Fomos em vários pontos do Rio, não tão tradicionais, mas tão charmosos quanto. E, tenho de admitir, é bom demais estar com esses dois que sempre me deram tudo e poder proporcionar algumas coisas, por minha conta.

-Conferi A Origem (o nome em inglês, Inception, é realmente MUITO melhor do que o em português) nos cinemas. A parceria entre Leonardo DiCaprio e Christopher Nolan é realmente tudo o que estão elogiando e um pouco mais. O filme é impactante, com uma história visceral que não termina quando sobem os créditos. O final dúbio e toda aquela história te acompanha depois que o filme termina e você se faz várias perguntas e questionamentos sobre tudo aquilo que viu. Vale muito a pena a conferida.

-Mudei meus planos de fim de ano. Ia para Londres, tudo definido desde o início do ano, mas mudei de idéia. Não por causa de hospedagem, mas sim pelo que ia efetivamente gastar lá. Fiz uns cálculos e, ia gastar uma fortuna com alimentação e diversão, por isso abri mão de gastar em euro e libras e vou, novamente, gastar em moedas sul americanas. Definindo o roteiro, mas é certo de voltar a Buenos Aires, principalmente agora que tenho um amigo lindo (ai ai) daqui do Rio morando lá.

-Ando bem humorado. Mais que o normal. Aliás, tenho uma amiga que diz que meu bom humor é irritante. Mas, sei lá, sou assim. E ando assim. Mais que o normal. Mas acho que já disse isso. Ou não. Tô feliz, me deixa! Porque daqui a pouco eu oscilo. E depois fico feliz de novo. Ces’t la vie!

-Eu já disse que tenho os amigos mais lindos do universo todinho? Pois é, tenho! De todos os tipos, jeitos, gostos. E sou feliz por tê-los, sempre tão presentes e dispostos. Vocês sabem quem são e os amo demais.

-Primeira quinzena de agosto, logo logo chega setembro e, com ele, a primavera. Ah, primavera!
É, estou irritantemente feliz hoje. Acho que me vou. Um beijo sorridente em cada um de vocês!
See ya, folks!

“Que saudade, agora me aguardem,
Chegaram as tardes de sol a pino.
Pelas ruas, flores e amigos
Me encontram vestindo meu melhor sorriso.
Eu passei um tempo andando no escuro,
Procurando não achar as respostas,
Eu era a causa e a saída de tudo,
E eu cavei como um túnel meu caminho de volta.”

Temporada das Flores (Leoni)


Sobre Perder e Viver

06/08/2010

É irônico como a vida faz certas coisas. De repente, você é obrigado a confrontrar situações para as quais não estava preparado e, sem ter muito o que pensar, apenas aceitar que aquilo aconteceu.

Há pouco mais de um ano meu avô, pai de meu pai, morreu. Aconteceu, mas a vida seguiu. Alguns meses depois, minha avó, mãe da minha mãe, também faleceu. Essa avó era o que poderia definir como uma típica avó: cabelos brancos, velhinha, doce. Mas, adoentada, sua morte não nos pegou de surpresa e não foi tão impactante (se é que perder alguém querido pode não ser impactante). Duas perdas num curto espaço de tempo, para as quais eu nunca havia me preparado. Meu outro avô, pai de minha mãe, havia falecido quando eu era bem pequeno e, sinceramente, minhas recordações dele são muito reduzidas.

Restou minha avó, mãe do meu pai. Ela, ao contrário da outra, fugia totalmente do esteriótipo que você possa fazer mentalmente de uma avó. Boca suja, divertida, ativa, era, sem sombra de dúvidas, a pessoa que mais me admirava no mundo. Sou seu neto mais velho, o primogênito de seu filho primogênito. Sim, fui muito mimado por aquela velha maluca que eu tanto amo.

E o engraçado é que eu nunca imaginei o mundo sem a sua presença. Sei lá, com meus outros avós eu tinha outra visão, sabia que iam acabar nos deixando uma hora ou outra, mas com ela eu não conseguia visualizar isso. Até mesmo quando ela brincava dizendo que quando morresse não ia querer chororô desmedido nem muitas velas, que fazia questão que nos lembrássemos dela viva e cheia de energia, eu ria e pensava: ‘isso não vai acontecer tão cedo.’

Mas eis a ironia dessa vida, que, vez por outra, faz questão de nos lembrar quão frágeis e finitos somos. Depois de passar com sucesso por uma cirurgia que, aparentemente, era bem simples, na segunda feira, na madrugada de quarta para quinta, minha querida avó sofreu um ataque cardíaco e não sobreviveu.

Acordei na quinta feira com uma ligação da minha mãe me contando isso e fiquei anestesiado, sem entender como isso podia acontecer. Não, eu nunca imaginei o mundo sem a minha avó. Não, eu não estou preparado para seguir em frente, sem saber que, mesmo distantes, ela está lá, feliz, rindo, debochando do mundo à sua volta.

No velório, a dor. Uma dor intensa, forte. Lágrimas, choro, soluço. Acho que nunca senti tanto uma perda na minha vida como senti a morte da minha avó ontem. Entretanto, mesmo nesse momento de tristeza, vez por outra era fácil sorrir ao lembrar de como ela se comportaria se visse toda aquela situação. No mínimo ela estaria se divertindo e mandando todo mundo tomar vergonha na cara e não exagerar tanto na dose, porque, convenhamos, não era para tanto. Minha linda avó, minha doce avó. Minha amada avó.

Agora que ela se foi, a nossa vida segue em frente. E eu a levo comigo dentro do peito e nas minhas mais belas memórias. Momentos únicos e particulares, tão nossos e tão significativos.

E não vou me lembrar dela doente ou convalescente , afinal, ela se foi exatamente como sempre disse que iria: em seu auge, como um artista que sabe a hora de dizer adeus. E em minha memória, irei sempre me lembrar daquela senhora desbocada, sentada numa cadeira em sua varanda, morrendo de rir me falando as maiores barbaridades. Porque ela sim soube viver e foi feliz!

E tenho obrigação moral de ser também!

“Devia ter amado mais, ter chorado mais,
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais, e até errado mais,
Ter feito o que eu queria fazer…
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe alegria e a dor que traz no coração…”

Epitáfio (Titãs)


Sobre Relacionamentos e o Futuro das Relações

03/08/2010

O papo surgiu com o Leitor, numa mesa de bar, tomando um chopp antes de uma sessão de cinema: seria o relacionamento aberto o futuro das relações gays? E o papo surgiu naturalmente, enquanto eu comentava sobre um casal de amigos que adotaram o sistema em seu relacionamento e outro casal de amigos que, teoricamente fiéis, viviam dando escapulidas ocasionais não admitidas. O chop terminou, fomos assistir o filme mas, dias depois, o Leitor me enviou um texto da Martha Medeiros intitulado Traição e Semântica que, segundo ele, se enquadrava um pouco no que havíamos conversado.

Encaminhei o texto para um grupo de amigas, o que gerou uma nova discussão sobre o assunto, já que uma as amigas ressaltou a seguinte parte específica do texto:

“…com o passar do tempo a relação passa a satisfazer apenas parcialmente – e parcialmente pode ser mais do que suficiente quando inclui amizade, cumplicidade, diversão, leveza. Porém, a parte que começa a faltar – a sedução – deixa o campo aberto para novas experiências que podem acontecer ou não. Nada disso tem a ver com desamor.”

Claro que eu peguei no pé, afinal, a referida amiga é aquela do grupo que tem o relacionamento mais estável: casada, convive com o marido há 10 anos, é aparentemente feliz. Provoquei falando sobre a minha visão do ‘felizes para sempre’ que considero não existir. O que gerou uma boa resposta da minha amiga:

“…a questão é o que vc considera “felizes”. Se é o frisson de começo de relação, não, não existe felizes pra sempre. Mas quando o frisson acaba, o que fica não é necessariamente acomodação, medo e preguiça. Isso é preconceito seu. O que fica é exatamente o que ela disse: amizade, cumplicidade, diversão, leveza. A questão é ponderar o que tem mais valor pra você.”

Papos que rendem e que fazem pensar.

Eu, pra finalizar a discussão, complementei enviando o seguinte:

“…Acabei me lembrando de um texto do Quintana, onde ele diz, em parte, isso:
‘E quanto ao amor? Ah, o amor… não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.’
No final, cada um sabe bem o que lhe completa.”

Porque no fim, cada um é responsável pelas decisões que toma e pelo estilo de vida que melhor lhe apetece. Se dois julgam que essa ou aquela forma é a melhor, quem são os demais para julgar?

Mas o que realmente pegou, para mim, foi não conseguir chegar a uma resposta que me agradasse. Afinal, qual o futuro das minhas relações? Que tipo de relacionamento há de melhor se adequar a mim e ao meu provável parceiro (se ele vir a existir)? Afinal, não, não sou moderninho, mas também estou longe de ser tradicional.

Mas fiz com essas questões o que tenho feito com a maioria das minhas dúvidas existenciais: guardei-as numa caixinha, num canto qualquer da minha mente, e as deixei lá, guardadinhas. Um dia, uma hora, quem sabe, eu volto a me debruçar sobre elas. Afinal, no momento, penso apenas na minha vidinha de solteiro confuso. Que, por sinal, está boa demais!

Até breve.

“E a gente vive junto e a gente se dá bem
Não desejamos mal a quase ninguém
E a gente vai à luta e conhece a dor
Consideramos justa toda forma de amor…”

Toda Forma de Amor (Lulu Santos
)