Permitir-se

22/06/2010

Algumas vezes acho que precisamos de um pouco de emoção na nossa vida. Seja pulando de um bung jump, sentindo o vento na cara ao andar de moto ou, quem sabe, sentindo o coração acelerar ao pensar em alguém.

Confesso que andei me inibindo durante muito tempo no que diz respeito a me permitir me empolgar e até gostar de quem quer que fosse. Mas tô começando a achar que o jejum acabou.

Não, não estou apaixonado. Mas também não estou mais evitando que isso aconteça. Estou… deixando fluir. A vida, as experiências.

Sábado, Chá da Alice no Circo Voador, eu trêbado. Já cheguei na festa mais do que calibrado porque passei a tarde no churrasco de aniversário de um amigo, com um grupo de pessoas que adoro, bebendo e me divertindo. Em casa, uma soneca, banho e bora pro Chá. Literalmente apaguei depois da festa e só acordei quase na hora do jogo do Brasil contra a Costa do Marfim. Jogo assistido, apesar do cansaço, um convite irresistível: ‘bora pra Farme?‘. E fui.

Putz, parecia carnaval. E me diverti muito com um bando de loucos que me acompanhava e com os que conheci lá. Até que ele chegou e, para mim, tudo ficou mais interessante. Lindo, com um sorriso radiante. Eu, tímido que sou (e curando uma ressaca) não fui até ele, assim como ele não vinha até mim. Grupos inibem.

Eu usava uma camisa do Brasil, azul. Ele a tradicional amarelinha, mas com um diferencial: o nome dele estampado nas costas. Claro que meus amigos acharam engraçado um trocadilho que poderia ser feito com o nome do rapaz que é o mesmo do protagonista de uma conhecida música; um deles, foi até ele e, apontando pra mim, disse que EU gostaria de ser o par do personagem principal da dita música.

E então conversamos. ! O papo, o ambiente, o nervosismo… Foi tudo… perfeito.

Rápido, divertido e sem traumas. E sim, casaria com ele (adoro meu drama!). Mas, a vida segue seu rumo e posso ou não nunca mais vê-lo.

Mas são os momentos que ficam. E permitir-se viver esses momentos é o que nos interessa.

“Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?”

Eduardo e Mônica (Legião Urbana)

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Os Heteros e Eu

08/06/2010

Sério: me internem! Porque, tipo, eu tenho algum raio ou emano alguma substância que atrai os heteros. Ou os ‘heteros’. Ou os heteros flexíveis. Ah, sei lá, nomeie-os como bem preferir.

Pior que isso, eu me envolvo com eles. Fico feliz em sua companhia. Gosto da situação, do jogo, da conquista. E, invariavelmente, nada dá efetivamente certo, afinal, eles são heteros. Ou deveriam ser. Ah, sei lá, sou confuso.

Vou tentar explicar. Já passei daquela fase idiota da vida em que a gente esconde tudo de todo mundo e vive trancado dentro do armário. Não que eu já tenha abstraído todo o preconceito da sociedade e carregue mil bandeiras, mas digamos que meu armário é bem espaçoso e confortável, quase um closet.  Não tenho mais paciência de ficar, pelo menos para meus amigos, forjando um papel de hetero pegador e de ficar tendo de contar mil mentiras para eles. Por isso, simplifiquei minha vida e meus amigos mais próximos sabem que sou gay. Ponto. E se eu faço um novo amigo a ponto de me sentir à vontade, minha homossexualidade não é um assunto tabu.

É aí que, às vezes, a coisa complica. Eu gosto do jeito ‘hetero’ de ser. Respeito as individualidades de cada um, mas um cara com jeito de homem me atrai MUITO. Então, se um cara sabe que sou gay e eu o acho bonito, se tenho intimidade, brincadeiras são inevitáveis. Meus melhores amigos hetero sabem que, em outro contexto, eu os pegaria facilmente e levam isso super na brincadeira.

Entretanto, sei lá porque, algumas vezes a brincadeira vira um tiro que sai pela culatra. Alguns caras vivem a dizer que eu não pareço gay, que acham legal isso e bla bla bla. E, como sou bem persuasivo, muitas vezes eu me vejo em adoráveis flertes descompromissados com caras heteros.

E é nessa que me encontro agora. Um cara hetero, adoravelmente sedutor, com quem passo o dia a conversar no msn e que me diverte muito ao se assustar ou rir de minhas investidas. E penso da seguinte forma: se a brincadeira é inofensiva, por que parar?

E se você me ler (será?), anote aí: te pego muito e dou uns beijos muito dos bons no cantinho da sua boca! #FicaDica Hehehehe (Piada totalmente interna)

É, fala sério, pode me internar!

Update:
Autor no Twitter! Follow Me lá: @AutorConfissoes

“Te ver e não te querer, é improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer é insuportável, é dor incrível.
É como esperar o prato e não salivar
Sentir apertar e não descalçar
É ver alguém feliz de fato sem alguém pra amar
É como procurar no mato, estrela do mar…”

Te Ver (Skank)