Friday Night Lights

28/05/2010

É sexta-feira à noite. Da janela do meu quarto vejo uma lua majestosa, linda, brilhando solitária no céu do Rio de Janeiro. De um lado, Santa Teresa, do outro, prédios e mais prédios. Aqui, apenas eu.

Apago as luzes do meu quarto, coloco músicas diversas a tocar aleatoriamente aqui no meu player e digito. Pensativo, solitário, me sentindo bem.

Ando inquisidor (de mim mesmo) demais, contemplativo, pensativo. Hoje, com as luzes dessa sexta-feira à noite invadindo meu quarto, vejo que o silêncio do meu quarto é bom, que as vozes na minha cabeça são conselheiras, que o mundo pulsa e eu pulso junto. Apesar da música, quase posso ouvir o tum tum tum ininterrupto do meu coração. Coisa boa estar vivo, não é mesmo?

Há muito não tirava uma sexta-feira à noite pra mim. Só pra mim. Pra mais ninguém. Gosto da minha companhia, sempre gostei. Penso na época que morava com meus pais e que meu quarto era o meu mundo e eu era o único rei ali. Hoje, sinto falta dos meus pais, da certeza de bastar sair do meu espaço para encontrá-los sentados na sala ou papeando na cozinha. Entretanto, vejo que essa saudade é boa, porque eles não estão aqui, mas que eu cresci e evoluí. Mas que basta a saudade chegar que posso correr para a casa deles e eles estarão lá para mim.

Lá fora, a vida acontece. Aqui dentro, eu penso. E, olhando pra essa tela fria de computador, sorrio. Porque hoje a sexta é minha e eu sou meu. Mas sei que numa segunda, quarta ou quem sabe, outra sexta, você aí do outro lado, lerá isso. E saiba que você não está sozinho. Eu aqui. Você aí. O mundo inteiro, cada um em seu canto. É a vida, pessoa! E é bonita, é bonita e é bonita…

“Mas eu preciso de outros sapatos,
De outras roupas, outros temperos
Para formar minhas ideias
E meus sentimentos.
Eu sou a soma de tudo que vejo
E minha casa é um espelho
Onde à noite eu me deito
E sonho com as coisas mais loucas
Sem saber porque…”

Meu Reino (Biquini Cavadão)

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O Amor e Uma Porção de Linhas Sobre Ele

24/05/2010

Vou me dar o direito de ser chato e falar dele novamente. Não, pode respirar aliviado, não falo de nenhuma pessoa específica, nenhum ex-namorado ou de uma paixão avassaladora. Mas sim dele, do sentimento, aquele filho-da-puta-desgraçado-sem-vergonha que chamam de Amor.

Então vou ser direto pra vocês: ele existe, viu! E não o confundam com uma prima dele, uma tal de Paixão, que chega avassaladora e fazendo uma porção de estragos, mas que vai embora tão rapidamente quanto chegou.

O Amor é mais sutil. Chega aos poucos, sem fazer muito alarde e, quando você vê, ele tá ali, morando em você, dentro do seu peito e do seu cérebro. E ele é muito agradável.

Mas não confundam sua agradabilidade com cegueira. Porque enquanto a prima Paixão é cega e cheia de arroubos, o Amor é sereno e tem visão de raio X. Quase um super herói, já que ele enxerga os defeitos, tem consciência que eles existem, mas consegue relevar, fazendo muitas vezes o impossível: te deixar menos exigente e menos egoísta.

Mas para muitos, a existência desse talzinho é uma lenda. Todo mundo diz que existe, conhece alguém que conhece alguém que já amou de verdade. Então, estou aqui pra dar meu depoimento real: ele existe sim e já morou em meu coração. Coisinha boa, sabe! Não faz arruaça, é um bom inquilino, te deixa mais… feliz!

A diferença entre ele e a tal da prima Paixão é que ele simplesmente não vai embora. Ele só nos deixa depois de morto. E tenho de dizer que não existe coisa mais triste do mundo do que a morte do Amor. Muitas coisas podem matá-lo, já que ele é bem sensível. Sufocamento, solidão, falta de reciprocidade… E, mais triste ainda, é quando você é obrigado a matá-lo de qualquer jeito já que ele, que deveria existir em par (um morando em você, o outro dentro de uma segunda pessoa), de uma hora pra outra passa a existir sozinho no mundo. É triste, mas necessário.

Só que nesses casos, muitas vezes ele fica lá, fingindo-se de morto, quando na verdade está apenas em estado de coma profundo, podendo acordar em qualquer  momento, te lembrando que não basta você querer que ele morra.

O foda de tudo em realmente conhecer esse filho da puta sentimento é que você vai passar a usar a maldita da comparação em todos os seus possíveis relacionamentos. E isso é uma grande de uma merda.

Mas tenho fé e tento abstrair. Afinal, o que é pior: tentar encontrar o que já se teve um dia ou sequer saber que algo existe?

Afinal, se a vida não é simples e somos complicados em essência, por que o Amor deveria ser preto no branco e simples como um teorema matemático?

O que posso garantir é que ele tá por aí. Dentro dos outros. Dentro da gente. Pelo mundo e pelo ar. Porque, posso garantir, a vida sem amor é bem menos colorida.

“Não fosse amor, não causaria medo
Feito um brinquedo cansaria logo
Fosse ilusão não traria tanta saudade
E eu não choraria no chão…”
Deve Ser Amor (Kid Abelha)


Pra Não Dizer Que Não Postei Um Conto

18/05/2010

Porque de vez em quando é bom exercitar o meu lado dramaturgo (A-ham, Claudia, senta lá!). Um pequeno conto que, se não fosse publicado aqui, ficaria guardado pra sempre na minha pasta Meus Documentos.

Aqueles Dias Inesquecíveis…

Daqueles dias, o que mais ficou na memória foram os tempos passados na Casa da Tia Sônia. Forçando a mente, revivendo momentos, consigo até mesmo sentir odores e sabores daqueles dias inocentes passados no interior, onde as horas se arrastavam e tudo era inocente e juvenil. E Tia Sônia, claro, com seus olhos risonhos e sua frase sempre repetida: Juízo, menino, juízo.

A pequena propriedade, não um sítio ou um rancho, mas uma casa no meio do campo, com muito espaço à sua volta, ficava no interior e era comum passar dias lá nas minhas férias. Ver e rever os primos, jogar bola no campinho, subir nas árvores e comer fruta direto no pé, nadar livre no rio límpido de águas ora calmas ora traiçoeiras.

Naquele verão específico, tudo era diferente. O moleque dava lugar ao rapaz, as espinhas brotavam no rosto e os desejos afloravam. A filha da vizinha de Tia Sônia deixara de ser inoportuna e passara a ser atraente. Os primos comentavam sobre as formas adquiridas pela garota e eu apenas ouvia calado. O garoto da cidade grande era o mais bobo dos primos e eu naõ gostaria de ser motivo de chacota. Enquanto todos já tinham aventuras, eu apenas imaginava o que seria viver todas aquelas histórias.

Numa tarde de calor insuportável fomos todos para o rio de águas geladas. Ponto de encontro de todos  na região, o rio era como se fosse a praia daquelas pessoas. Por obra do destino, ou não, Glorinha estava lá naquele dia. Eu não disse isso antes, não é mesmo? Glorinha era o nome dela. E Glorinha tinha a capacidade de me deixar ainda mais mudo, pois eu sempre gaguejava quando em sua companhia.

Enquanto todos se divertiam, eu fiquei sentado naquela pedra, pensando na vida, nos afazeres, no que me esperava quando finalmente retornasse à minha vida cotidiana na cidade. E foi assim que ela se aproximou devagar, sem que eu nem mesmo reparasse em sua presença. Quando me dei conta, ela já estava no meu lado, olhando para minha cara perdida e com um ar zombeteiro no rosto.

Como ela era linda, meu Deus! E como eu era idiota. Não fui sequer capaz de formular uma frase, de me fazer entender. Lembro apenas de falar algo estúpido como ‘que dia quente, não é mesmo?’. Glorinha do meu lado e eu falando do tempo. O que me consola é que eu amadureci e aprendi a ser menos bobo nessas horas. Mas ali, naquele dia, eu fui bobo. O que eu não sabia é que ela tinha um plano.

Sem dizer nada, Glorinha me puxou pela mão e, quando gaguejei alguma coisa, perguntando para onde estávamos indo, recebi de volta apenas um ‘Psiiiu’. E, claro, a segui. Pelo trilho na mata fomos parar numa campina de árvores esparsas, mas cujas folhas produziam sombras aconchegantes. Subitamente, Glorinha parou em minha frente, jogou os braços em meus ombros e, sem cerimônia, disse: ‘Me beija, vai! Eu sei que você quer!

Lembrando hoje disso, vejo que não foi nada romântico nem mágico como visualizei naquela época. Lembro-me de repassar a cena dias e dias e de suar muito em cada vez que me recordava do que havia acontecido. Os lábios quentes, a pele macia, os cabelos bagunçados. E eu ali, dando meu primeiro beijo.

E tão impetuosamente como começou, o beijo acabou. E ficamos ali, olhando um para o outro, sem saber o que fazer. Até que ela, sempre ela, me puxou pelas mãos e voltamos pela trilha até a pedra no rio onde eu fiquei olhando para o nada e ela foi mergulhar com o resto das pessoas.

Por causa daquele beijo eu me tornei invencível. Fui o melhor no jogo de futebol, ganhei três partidas seguidas de purrinha e contei até mesmo piadas.

Mas a cara de Tia Sônia e seu olhar de quem sabia o que tinha acontecido me deixou angustiado e, ao mesmo tempo, orgulhoso de mim. Poxa, eu tinha beijado a Glorinha! Na hora de dormir, o beijo de boa noite de sempre e as palavras divertidas da boca de Tia Sônia: Juízo, menino, juízo.

Hoje, passado tanto tempo, é do olhar divertido de Tia Sônia do que mais tenho saudade. O único beijo em Glorinha se foi, os dias no campo também. Mas o que Tia Sônia representava, seu olhar, seu abraço, sua comida, ah, isso eu nunca vou conseguir esquecer…

“Quando me sinto assim
Volto a ter quinze anos
Começando tudo de novo
Vou me apanhar sorrindo…”
15 Anos (Ira!)


Inquietações e Resoluções Bipolares

11/05/2010

Depois de um longo inverno, estou de volta. Por quanto tempo eu não sei, com qual frequência, menos ainda. Só sei que sempre volto, pois essa minha necessidade de escrever fala mais alto do que a falta de tempo/vontade que às vezes me toma.

Tenho passado por um período de botar a casa em ordem, de ajeitar pensamentos, de organizar a bagunça. Penso e repenso, passo pelas mais estranhas fases e isso me ajuda muito. Pensar faz bem; demais, enlouquece, mas já passei dessa fase tem tempos.

Ando carente e isso é fato, o que me faz imaginar que posso estar me apegando a coisas ‘inapegáveis’ com mais facilidade. Desde o término do meu namoro que efetivamente não me interesso por alguém. Claro, flertes sempre acontecem, joguinhos amorosos (nos quais sou PÉSSIMO) estão aí, mas nada que me desse o frio na barriga, a vontade de realmente investir em algo, de tentar construir uma relação.

É onde me pergunto como cheguei aqui. Fazendo um exercício de retrocesso mental, chego ao ponto em que era noivo e planejava casar e constituir família, até o dia em que me vi apaixonado por um cara e todas as minhas certezas se foram por terra. De lá pra cá, muita coisa mudou; eu principalmente. O Autor de hoje não lembra nem de longe aquele rapazinho de tempos atrás e, sinceramente, não tenho saudade nenhuma daquele tempo. Mas sinto falta de uma certa ingenuidade que perdi no meio do processo de crescimento.

O problema de viver intensamente é a maldita comparação. E eu sempre vou comparar tudo que vivi e, pelo menos no momento, penso que não conseguirei superar alguns ápices que tive até então.

Tô chegando naquela fase em que a demanda tá me cansando e tudo que eu queria era ficar em casa num sábado à noite ao invés de sair pra encher a cara e pegar um milhão. Não que pegar um milhão não me divirta, mas acho que tô é ficando velho mesmo. O problema é que de um milhão, não encontro um que eu ache que vale a pena investir. E quando encontro, as ações e atitudes não deixam o encanto durar mais do que uma semana.

Assim, chego onde estou: estacionado, pensativo, contemplativo. E cansado de tanto pensar.

A resolução de agora? Versão 2010.2: Autor, No Drama!

Até quando? Até que horas?

Porque você sabe, né? Decisões de Bipolar tendem a durar a eternidade de um minuto.

“I could be brown, I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful, I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green, gotta be mean
Gotta be everything more
Why don’t you like me? (…)
Why don’t you walk out the door?”

Grace Kelly (Mika)