Verbetes Ao Acaso

22/03/2010

Acho que não tenho o que dizer. Ou não tenho vontade de dizer. Não sei se são as palavras que não querem sair ou se sou eu a prendê-las dentro de mim.

Algumas foram as vezes em que abri essa página e comecei a digitar algum post e parei na metade. Qual a relevância disso pra vida do outro? Por que alguém ia querer ler baboseiras sobre a vida de alguém tão desinteressante como eu?

Estarei em crise ou será uma súbita onda de bom senso que toma conta de mim nesse momento?

Tantas perguntas, poucas respostas. Me sinto escrevendo o roteiro de algum episódio de Lost, mas não, essa é a minha vida no momento. Sinto-me como se estivesse numa sinuca de bico, com aquelas dúvidas existenciais avassaladoras, do tipo: caso ou compro uma bicicleta? Acho que nem uma coisa nem outra, eu preferia mesmo era pegar um avião e viajar pelo mundo.

Tenho sonhado acordado e tido pesadelos adormecidos. Quem é o Autor de hoje? Quem será o Autor de amanhã?

De todas as perguntas que tenho me feito, apenas uma me deu uma resposta satisfatória: sim, estou feliz, apesar dos pesares e aproveitando a vida, um dia de cada vez!

No geral, vamos indo: meu TOC anda moderado; ainda dói pensar no dito cujo; conheci e saí com pessoas interessantes; não, não estou pronto pra namorar ninguém; sim, eu odeio o Dourado; o teor alcóolico melhora o meu inglês; e estou vendendo o meu carro.

Porque eu sou assim. Um amontoado de clichês e adepto das filosofias de botequim.

Mas, o que tudo isso importa? Tudo ou nada! Só sei que me olhei no espelho e resolvi raspar o cabelo! E assim, de máquina 2, vou sendo feliz!

Carpe Diem!

“Sweet dreams are made of this
Who am I to disagree?
I traveled the world and the seven seas
Everybody’s looking for something
Some of them want to use you
Some of them want to get used by you
Some of them want to abuse you
Some of them want to be abused…”
Sweet Dreams (Eurythmics)


Bate Papo Surreal

07/03/2010

Foi uma terça-feira atípica, em todos os sentidos.

Cheguei em casa da natação cansado, liguei o computador, li uns emails, mas decidi assistir ao BBB deitado na minha cama, para imediatamente após o programa, dormir. Mesmo cansado, estava sem sono e assim, assisti a todo o programa e depois, ainda fiquei rolando para lá e para cá por algum tempo. Como não gosto de ficar assim, levantei, preparei um copo de leite com chocolate e me sentei na frente do pc.

Poucas pessoas online, nada de interessante para ler e decidi me aventurar por uma sala de bate papo da UOL. Todos sabem bem como são as salas, né? Mil horas de papo com mil pessoas para não se chegar a objetivo nenhum. Depois de muitos ‘como você é?’ e ‘qual o tamanho do seu pau?’ ele puxou papo comigo.

Um nick sutil: um nome próprio e não aquelas aberrações que vemos nesse ambiente. Perguntou a minha idade e se eu gostaria de conversar um pouco. E começamos. Papo interessante para uma sala daquelas e acabamos trocando msn.

Ele não tinha foto na exibição e eu, engraçadinho que sou, tive de perguntar:

‘Você é feio? Somente feios não colocam foto no msn.’

‘E vc é escroto? Somente alguém escroto pra perguntar algo do tipo…’

Eu ri e continuamos nosso papo. No meio da conversa ele pediu minha webcam e eu liberei. Ele me viu, fez alguns comentários e quando eu perguntei se ele também tinha, ele disse que sim, mas que não poderia abrir. Eu fui direto:

‘Beleza! Vou te deletar. Não falo com pessoas sem rosto!’

Me chamou de nervosinho e pediu meu telefone. Sei lá porque, passei. E ele me ligou e com aquela voz interessante e papo pra boi dormir, conseguiu me convencer a encontrá-lo sem ver nada dele antes. Sim, eu sei, sou louco. Mas, sei lá. Ele tinha algo mais, um bom papo, algo de sedutor que me atraia.

Disse que não sairia de casa e do meu bairro e, se ele quisesse mesmo me ver, que se despecansse de onde morava até uma pizzaria perto da minha casa e, quando estivesse lá, que me ligasse e eu desceria para encontrá-lo. Ele disse que tudo bem, que não se importava. 22 minutos depois ele me ligou e disse que estava no local marcado.

Saí de casa e ao sair do meu prédio vi o carro parado em frente à pizzaria. Ele, que me reconhecia, colocou a cabeça para fora e me chamou até ele. Era bonito, o que me surpreendeu, e tinha um certo ar familiar que eu não sabia de onde o conhecia. Entrei no carro, nos apresentamos e ele ainda fez uma brincadeirinha com respeito aos nossos nomes. Ele saiu com o carro e o papo fluia da mesma forma que no msn e no telefone. Até que ele, do nada, virou para mim:

‘Você está se fazendo de desentendido ou realmente não sabe quem eu sou?’

‘Sinceramente? Você me tem um ar familiar, mas eu não faço idéia de onde posso te conhecer.’

‘Ah, sim… É que eu sou ator, já fiz novelas na Globo e na Record. Meu nome é Fulano… De Tal!’

‘PUTAQUEOPARIU!’ – foi o que consegui dizer. Quando ele disse seu  nome e sobrenome, tudo fez sentido e o rosto familiar ganhou contornos muito conhecidos para mim e finalmente descobri de onde o conhecia.

Ele riu, eu ri e acabamos no apartamento dele, na zona sul do Rio. Aquele homem lindo, que certamente já havia povoado meus pensamentos em alguma ocasião da minha vida, famoso, ali, no apartamento dele, comigo. Me desejando, me abraçando, transando comigo.

Depois do sexo, ainda ficamos deitados na cama, conversamos, rimos um pouco. E eu fingindo naturalidade ao estar ao lado dele, alguém que eu nunca  imaginaria sequer conhecer. Tomei um banho e ele insistiu para eu ficar um pouco mais, entretanto, já passava das 3h da manhã e eu trabalharia cedo. Ele se vestiu e me levou até meu prédio.

No meu quarto, pronto pra dormir, eu imaginava como o Rio é uma esquina e como minha vida daria uma boa de uma novela (mexicana, eu admito). E quando estava quase adormecendo meu telefone tocou de novo. Era ele, dizendo que tinha gostado de me conhecer e que a noite tinha valido a pena. Que os contatos estavam salvos e que ele adoraria me rever novamente.

Pois é. Surreal pra mim.

E, como bem dizem por aí, é melhor não dizer o nome do santo. Afinal, quem come quieto, come duas vezes!

“Empapuçados de amor
Numa noite de verão
Ai, que coisa boa
À meia luz, à sós, à toa…”

Caso Sério (Ed Motta)


Fragmentos do Cotidiano (17)

01/03/2010

=> Não sei o que quero. Mesmo. O vale março foi extendido. E eu na verdade estou evitando o mocinho lá. Não quero namorar com ele, mas não sei como dizer isso a ele. Filhadaputice modo On.

=> Conheci um cara no pós carnaval (outro). Em dois dias com ele, senti tudo aquilo que não senti em meses com o mocinho do vale março. Sei lá. Mais velho, bem resolvido, irônico, simpático. E casado com outro cara. Nada é perfeito, né?

=> Não sinto absolutamente mais nada pelo meu primeiro ex-namorado. Mas na sexta, em plena Noite Preta, cruzei com ele e com o atual namorado. Vontade imensa de sair dando uma voadora naquele namorado escroto e dançarino de Axé dele. Muita franqueza na minha vida. Como ele caiu no meu conceito quando começou a namorar o Axé.

=> Finalmente conheci o Paul, do Notas Sobre Uma Vida. Absurdo nós dois morando aqui no Rio, sendo da mesma cidade do interior e ainda não nos conhecermos. Na saída da Noite Preta, na TW. Eu levemente alcoolizado, mas o reconheci e dei um abracinho nele! Foi legal. E ele é gato! (pronto, fiz propaganda sua, viu!).

=> Sobre a(s) Noite(s) Preta(s). Gente, o que são os shows da Preta Gil na TW do Rio? Me ACABO naquilo. E fui em todas de janeiro. A última, Ressaca da Preta, estava excelente.

=> Voltei de férias um pouco antes do carnaval. E já estou ansioso pelas próximas. Preciso viajar. Adoro viajar. Em abril, vou dar uns vôos pra São Paulo. Em julho quero voltar à Argentina. Janeiro do ano que vem, até o momento, os planos me levam até Londres. Vamos ver!

=> Reencontros. No meu pós-carnaval reencontrei um menino que ficava há anos atrás. Ele de Juiz de Fora, eu do interior do Rio. Nos desencontramos. E agora cara a cara de novo, na cidade maravilhosa. Estranho e empolgante.

=> O que é esse BBB10? Dourado já é vencedor certo da edição e eu me pergunto: eu que estou errado ao achá-lo um escroto homofóbico abominável?

=> Living la vida loca!

“Eu ponho quem eu quero aqui no meu colchão
E se não dá valor eu trato de esquecer
É que eu também sou feita de deixar de ser
Só vou te contar porquê voce ja é de casa
Eu tenho um lado doce que quase ninguém vê
Se dou festa, trato bem até quem chega de penetra
Quem me beija nao consegue me esquecer…
Tudo me interessa, tudo tem mistério
Sou devota da paixão
Menina e menino, pego em estéreo
Mas não venha grudar, não…”
Estéreo (Preta Gil)