Lembranças Desfocadas

30/07/2008

Fábio pegou o álbum de fotografias e se perdeu em lembranças.
Aqueles momentos agora estáticos tinham tanto significado, guardavam tantas lembranças, causavam tanta saudade.
Saudade!
Que sentimento era aquele que tanto afligia Fábio? Por quê não conseguia viver o presente e se desapegar do passado?
Mas ela estava sempre lá, batendo no ombro de Fábio e lembrando-o:

-Viu como vc já foi feliz? Como era lindo o seu passado, não?

E as lágrimas escorriam por seu rosto ao se lembrar de tantas gargalhadas, tantos sorrisos, tantos sonhos.
Agora, entretanto, se alimentava do que já passara e tornara-se um refém da saudade.
O que para algumas pessoas era um sentimento acolhedor, com uma palavra para definí-lo apenas em português, para Fábio era uma prisão.
Maldita saudade que o afligia e o impedia de seguir adiante.
Ali, naquelas fotos, via o rosto de Clara. Linda, sorridente, feliz!
Quantas saudades de Clara! Tanta que até doía!
Mas agora ela já se fora e o abandonara.
Como era possível amar tanto uma pessoa e, ao mesmo tempo, odiá-la tanto?
Clara despertava isso em Fábio. Amava-a e odiava-a com a mesma intensidade, com a mesma força, com a mesma paixão.
Bendita e maldita! Perfeita e ordinária!

Conheceram-se e apaixonaram-se!
A convivência perfeita, os sonhos, os planos. Morar junto foi o passo seguinte.
Tudo era perfeito para Fábio.
Até o dia em que ao chegar em casa, encontrou Clara quieta, contemplativa, estranha.
E assim Clara continuou por um bom tempo.

Primeiro ficava assim em alguns momentos. Depois o comportamento se tornou habitual.
Clara deixou de ser luminosa e tornou-se amargurada, seca, áspera.
Até que um dia ela não estava mais lá. Apenas o maldito bilhete:

Não dá mais! Você não me completa. Estou indo embora. Vou sentir saudades, mas já tenho outra pessoa…

Saudades! Ia sentir saudades!
Ela que morresse, fosse pro inferno e se esquecesse dele.
Ele conseguiria refazer a vida, conhecer outra pessoa, ser feliz.
Não conseguiu.
As outras mulheres não tinham graça e Clara tornou-se uma obsessão.
E assim Fábio passou a viver do passado, amargurando aquela saudade do que nunca realmente havia sido verdade.
Trancou-se em lembranças e esqueceu que a vida continuava e que o presente era bem mais belo que aquelas imagens estáticas do álbum de fotografia.
Mas Fábio não sabia disso.
E acabou morrendo sem saber.
26/09/2006


Como acho que poucos aqui conhecem meu lado contista, vasculhando uns arquivos encontrei esse texto e resolvi postar.
É meio trágico, mas eu sempre escrevo com esse tom meio cinza. E gosto do resultado.
Espero que gostem.

OBS: Tenho uma grande amiga que tem fez um blog, mas que não o divulga para ninguém. Mas acho um pecado outras pessoas não terem acesso a material tão bom quanto o que ela coloca lá. Assim, se quiserem ler coisa de qualidade:

Baboseiras Sobre O Tudo E o Nada

 

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Das Páginas do Velho Diário (3)

28/07/2008

…Ele se levantou, deitou no meu lado na minha cama de solteiro e me beijou.

Um beijo urgente, demorado, intenso.

Os dois na estreita cama, mas não precisávamos de mais espaço. Estávamos exatamente onde e como gostaríamos de estar.

No chão, as roupas largadas. Na cama, nossos corpos nus e a descoberta um do outro.

Aquela pele alva que a cada aperto um pouco mais forte ficava vermelha me deixava ainda mais excitado. Os cabelos negros totalmente bagunçados por minhas mãos. Sua boca que passeava pelo meu corpo e me levava às nuvens por me proporcionar tamanho prazer.

O que me intrigava era que não tínhamos tido aquele papo chato do ‘curte o quê?’ tão comum na internet. Estávamos ali e um apenas esperava o outro agir para acompanhar. Não precisamos pré-estabelecer nada. Tudo aconteceu de forma natural.

 

No pós-gozo, deitados na cama e olhando pro teto, um silêncio no quarto. Em minha mente, apenas uma pergunta:

E agora?

 

Ele puxou um papo casual, vestiu sua cueca, se levantou, abriu a janela e ficou olhando pra rua. Ele falava feito uma metralhadora giratória, mas o que tínhamos feito não era o assunto em pauta.

Resolvi dar o tempo dele e fiquei deitado na cama, coberto por um lençol, olhando pro teto e fingindo prestar atenção ao que ele dizia.

 

Foi então que ele ficou quieto. Voltou-se e ainda me lembro da sua imagem: a cueca branca no corpo todo certinho naquele quarto à meia luz.

Veio até mim e me beijou novamente. E tudo recomeçou.

A noite (e o dia seguinte) foram frenéticos. Transamos várias vezes e em cada uma das vezes o prazer era maior, mais intenso.

 

No domingo à tarde, depois do almoço, ele me disse que tinha de ir embora. As despedidas de praxe na minha casa e o acompanhei até a rodoviária. No caminho, os dois em silêncio, até que ele puxou o papo:

-Cara, foi muito bom. –ele disse.

-Eu também achei. Mas, tenho de perguntar… Como ficamos agora? –eu questionei.

-Acho que como estamos. Somos amigos. Ou melhor… Que tal sermos sócios? –ele mandou.

-Sócios? Como assim?

-Sócios. Amigos que tem um segredo e uma sociedade. Me amarrei nessa idéia. –ele disse sorrindo.

 

Deixei-o no ônibus e ele fez uma última recomendação:

-Não vai contar pra ninguém, né?

 

Claro que disse que não contaria.

O ônibus dele foi embora e eu pra casa do meu melhor amigo, o que havia me falado sobre ele, meses antes, dizendo que era o meu número.

Contei tudo, com detalhes sórdidos pro meu amigo que ficou sem acreditar no que eu tinha dito.

-Você é louco, Autor! Totalmente louco! Quer dizer que o D., com aquela carinha, curte? –ele ficava repetindo.

 

A semana passou e não consegui falar com ele. Não aparecia no msn, não atendia aos telefonemas. Chá de sumiço.

Apesar de ter achado tudo excelente, já estava desencanando quando ele surgiu novamente, quase um mês depois. Disse que precisou de um tempo pra acertar as coisas na cabeça dele, mas que agora já estava tudo certo e queria me ver de novo. Acabei indo pra cidade dele e tudo se repetiu.

E entrei num ciclo meio confuso, que funcionava mais ou menos assim: ele tinha tesão e me ligava, a gente se encontrava, a gente transava, ele sumia.

Até que o mais improvável, pelo menos para mim, aconteceu: eu estava apaixonado por ele.

Fiquei desesperado, pois nunca havia me apaixonado por um homem antes e ele não era a pessoa mais indicada pra ser minha primeira paixão gay.

Só pra terem uma idéia da complexidade da situação: ele sozinho em casa num fim de semana, dei meu jeito e fui pra cidade dele. Tudo perfeito, tudo ótimo, o sexo cada vez melhor. Até que uma hora, depois do sexo, ele se senta na beira da cama e fica quieto lá. Eu, preguiçoso por natureza fiquei na minha, deitado. Quando ouvi soluços. Ele chorava quieto e murmurava:

-Eu não posso gostar disso! Eu não posso gostar disso!

 

E essa situação durou 8 meses.

Até que num dia fui surpreendido por ele, depois de um fim de semana perfeito juntos, na hora em que nos despedíamos:

-Cara, essa foi a última vez. Tô meio que gostando de uma garota aí e vamos ser apenas amigos a partir de agora. A sociedade acabou. –ele disse, meio sem graça.

-Tudo bem. –eu disse e fui embora.

 

E no caminho, chorei feito uma criança.

Doeu, eu corri atrás, disse que tava apaixonado e ele me ignorou um bom tempo.

Até que teve tesão de novo e me procurou. E depois me ignorou. E então voltou a me procurar.

Entrei numa relação doentia, em que eu era totalmente subserviente ao tesão dele. E ficava feliz com as migalhas, com o pouco que ele me dava.

 

Até que resolvi mandá-lo se fuder. Sem mim!

Carnaval, praia e, coincidentemente ele me liga dizendo que estava na mesma cidade que eu (coincidência o caralho! Meu amigo me disse depois que ele ligou perguntando onde eu passaria o carnaval). Eu estava na minha pior fase, deprimido, sem motivação pra porra nenhuma, largado na areia quando o telefone tocou e vi que era ele perguntando onde eu estava para logo em seguida aparecer ao meu lado e me chamar pra conhecer o apartamento onde ele estava hospedado, já que todos estavam na praia naquela hora.

Um amigo fez a maldita e mandou a sugestão pra mim:

-Vai, larga de ser bobo. Come ele, goza antes, deixa ele na mão e vai embora.

 

E foi o que eu fiz. E ao sair disse que a sociedade realmente tinha acabado e que era pra ele me deixar em paz.

Por um tempo ele deixou, até que passou a me perseguir. Ligar e não falar nada. Mandar emails dizendo que tava com saudade. Aparecer do nada me chamando pra tomar um chopp.

E eu, cada vez mais seco com ele. Mas sofrendo, pois tudo que eu queria era ceder, apesar de saber que tudo voltaria a ser do jeito dele, da forma que ele queria.

 

Até que no inicio desse ano eu conheci o meu atual namorado. O primeiro homem que estou namorando e que surgiu feito um furacão na minha vida. Não é bem resolvido, não é a pessoa mais simples de se entender, mas é muito mais fácil de lidar do que o D.

E eu me dei conta de que podia gostar de outra pessoa. E de que alguém poderia gostar de mim.

Assim, quando D. me ligou um dia, quando já estava namorando, eu atendi e disse:

-Estou namorando.

-Que legal! Adoro você namorando. Fica ainda mais interessante. –ele disse.

-Namorando um homem. E feliz! –mandei na lata.

– …

-Isso mesmo que você ouviu. Um homem! –enfatizei.

-Você me decepcionou. Nunca imaginei que viraria um viadinho desses… Se bem que essa história é interessante. Que dia vamos colocar chifres nele? –ele insistiu.

 

E eu desliguei o telefone.

Bloqueei e excluí do msn.

E passei a não atender nenhum telefonema com DDD 32 que aparecesse no meu celular.

 

Até que dias atrás chegou o tal email do início dessa história.

 

Dá pra me desbloquear no msn.

Preciso falar com vc.

D.

 

Contei pro namorado e ele disse:

-Mas não vai desbloquear mesmo! Mas pode responder ao email dizendo pra ele falar o que quer por email, pq também fiquei curioso.

 

Foi o que fiz.

A resposta do email?

 

Nada demais.

Apenas estou com saudade da nossa amizade, dos velhos tempos.

Estou querendo marcar de ir na sua cidade, rever seus pais, te dar um abraço.

Pode ser?

D.

 

Saudade?

Sei…

Hoje me sinto aliviado. Mesmo.

Porque tenho a plena consciência de que, pelo menos para mim, essa história é assunto encerrado.

Me traz ainda boas recordações (e outras tantas nem tão boas, que me deixam puto de raiva), mas que ficam somente na lembrança de uma história que eu, definitivamente, não quero reviver.


Fragmentos do Aniversário

25/07/2008

21/07/2008 – 23:50 h

Sonolento, já deitado e o celular toca!

Alô… –digo bocejando.

Boa noite, meu amor! Liguei para ser o primeiro a te desejar Feliz Aniversário. Mas como ainda faltam 10 min, vamos ficar conversando nesse meio tempo. Tudo pra nenhum outro viadinho se atrever a falar contigo antes de mim no dia do seu niver. –diz o namorado.

 

 

22/07/2008 – 08:00 h

Acordo num pulo, me arrumo, ligo o celular.

10 SMS no aparelho desejando Feliz Aniversário.

O dia começa bem!

 

 

No trabalho, uma surpresa: um super café da manhã organizado pela chefe e os parabéns de todo mundo.

E a cara de caneca que permanceria em meu rosto durante todo o dia.

(Sou mestre em fazer cara de caneca quando não sei como reagir)

 

 

O almoço com os bons amigos de todos os dias e a adorável companhia de todos eles.
À noite, um jantar com outros bons amigos que simplesmente chegaram à minha casa para não me deixarem sozinho no dia do aniversário.

 

 

23/07/2008

Teoricamente, o aniversário já passou, né?

Mas a noite, um chop com uns amigos num barzinho agradável e um susto.

Um dos amigos sai e volta com um bolo nas mãos e todos os outros 4 amigos o acompanham num coro de ‘Parabéns Pra Você!’

 

 

24/07/2008
Hoje a noite, a comemoração oficial.

Open Bar, bons amigos, música!

Me segurem!!!!

 

 

E, agora, por último, o que mais me deixou com cara de idiota.

Mini-flashback

22/07/2008 – 14h

Acabo de voltar do almoço, escovo os dentes e volto pra minha estação de trabalho.

Distraído lendo uns emails quando ouço uma das meninas que trabalham comigo falando com alguém?

-Autor? É aquele dali, que ta escondido naquela estação de trabalho.

Levanto a cabeça para ver o que se passa e fico gelado.

Um entregador entrando na minha sala com um buquê de flores na mão.

(Gente, eu nunca ganhei flores da minha vida!!!!)

-Sr. Autor é você? –ele pergunta.

-Sim, e-e-eu mesmo. –gaguejo.

-Flores para o Sr. Assine aqui por favor.

Nisso já estava todo mundo do trabalho em volta de mim olhando para um buquê enorme de flores do campo.

E eu sem saber como reagir, o que fazer.

Foi quando alguém lembrou.

-Abre e lê o cartão!

Com o coração disparado, li:

 

“Eu gosto tanto de você

Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar subentendido

Tem certas coisas que eu não sei dizer…”

 

Parabéns pelo teu dia… Teu Amor!

 

Tipo assim…

Tenho ou não o namorado mais lindo do mundo?

Fim do mini-flashback


E na segunda, continuação da história que tá bombando (pelo menos os comentários estão ótimos!)

Beijos e bom fim de semana!


Das Páginas Do Velho Diário (2)

23/07/2008

Passou o natal e na semana que antecedeu o Ano Novo quase não nos falamos no msn.
Até que exatamente uma semana depois, na véspera de Ano Novo, por volta das 20h nos encontramos online novamente.

 

D. diz: E aí, ganhou muitos presentes de Natal?

Autor diz: Ah, um pouquinho… Foi um Natal legal e você?

D. diz: Também foi legal. Mas tô com a impressão que esse novo ano será melhor ainda.

 

O papo continuou e ele foi o primeiro a tocar no assunto, de uma forma não muito direta.

 

D. diz: Vai passar a virada onde?
Autor diz: Por aqui mesmo, na casa da minha namorada.
D. diz: E tá vestido como?
Autor: Ah, a bermuda é branca, mas a camisa é verde!

D. diz: Mas garanto que a cueca é vermelha! Aliás, liga a webcam. Quero ver se você tá bonito pra sua namorada.

 

Liguei a webcam e ele ficou me elogiando e dizendo que não conseguia entender a atração que sentia por mim.

Até que eu fui direto.

 

Autor diz: E vamos ficar com esse joguinho até quando? Acho que o melhor seria partir pra real e vermos como isso se desenrolaria.

D. diz: Por mim, na semana que vem está ótimo, que tal?

 

Confesso que fiquei estático, não acreditando naquilo.

Disse a ele que poderíamos marcar para a semana do dia 15 de janeiro, já que meus pais estariam pra praia e eu ficaria sozinho em casa.

Ele disse que 15 dias era muito tempo e ele podia perder a coragem. Que pelo que ele sabia, meus amigos estavam acostumados a dormir na minha casa e que ele queria ser um amigo me visitando. Se eu não teria coragem de recebê-lo com meus pais em casa.

Eu nunca tinha feito isso, de levar um cara pra casa, mas apertei o botão do FODA-SE! e disse pra ele que estava combinado então.

 

Durante a semana nos falamos todos os dias e finalmente ouvi sua voz pelo celular na quarta-feira quando ele me ligou dizendo que tinha acabado de comprar a passagem. A voz era máscula, com um lindo sotaque mineiro.

Marquei de encontrá-lo na sexta-feira, na rodoviária da minha cidade.

 

A sexta-feira demorou a passar. Nos falamos algumas vezes por telefone e a ansiedade foi tomando conta de mim.

Até que chegou o momento. Cheguei antes à rodoviária e quando seu ônibus parou e ele desceu eu estaquei. Ele era ainda mais bonito pessoalmente: altura mediana, cabelos lisos, branquinho, sorriso no rosto. Me viu e se encaminhou em minha direção. Me cumprimentou com um abraço e falou:

 

-E aí, moleque! Prazer conhecer pessoalmente! Qual vai ser a boa de hoje?

 

Fomos para o meu carro e no caminho até minha casa o assunto fluiu como se fôssemos velhos conhecidos. Entretanto, sexo não fazia parte dessa conversa.

Na minha casa, apresentei aos meus pais como um amigo e ele logo se entrosou com todo mundo.

Tomamos um banho e saímos para conversar. Detalhe: ele, minha namorada, uma amiga dela e eu.

Bebemos, comemos e por volta das 2h da manhã fomos pra casa. Deixei as meninas em casa e ao chegar no meu quarto, minha mãe tinha deixado tudo arrumado, com uma cama preparada e tudo pra ele.

Trocamos de roupa, deitamos e eu não sabia o que dizer, como agir.

E foi ele quem tomou a iniciativa depois de um longo e constrangedor silêncio.

 

-A noite foi legal, né? –ele disse.

-Sim, muito… –eu respondi.

-Mas você pensa que eu vim aqui pra sair com sua namorada e ficar de paquera com a amiga dela? –ele perguntou.

-Hum… E para que veio? –eu disse.

 

Ele se levantou, deitou no meu lado na minha cama de solteiro e me beijou.

(Continua…)


Pensamentos Avulsos (3)

21/07/2008

-Muito se falou sobre Batman – The Dark Knight, principalmente sobre a performance derradeira de Heath Leadger.

Assisti ao filme na sexta feira, logo na estréia.

Minhas impressões? Simplesmente o melhor filme do ano, ao lado de Wall-E.

E sim, Heath Leadger é o Coringa definitivo. Jack Nicholson deve estar se remoendo de inveja.

 

-Uma mensagem no celular. Um sutil ‘um beijo na boca’ como despedida na referida mensagem.

O celular nas mãos do namorado e a mensagem sendo lida por ele.

Resultado da equação? Uma briga. Ou melhor, uma não briga, já que o namorado se fecha no mundo dele e prefere não comentar sobre o assunto e simplesmente ficar de cara fechada pra mim.

Vá entender essas pessoas.

 

-Planejamento de férias por vir.

Pouco dinheiro e muita vontade.

Gostaria de algo com o namorado, mas sua profissão o impede de viajar antes do recesso jurídico do fim de ano.

O que fazer?

Visitar os amigos.

MG e SP, aí vou eu em setembro!

 

-Uma ligação do meu banco.

Um depósito de R$ 1.000,00 na minha conta.

Dentro do envelope, um folder do banco e nada do dinheiro.

O que você sabe sobre o assunto? –pergunta o gerente.

Que alguém pregou uma peça no banco e em mim, já que até esbocei um sorriso ao imaginar mais R$ 1.000,00 na minha conta.

 

-Por falar em dinheiro… R$ 25 milhões acumulados na Mega-Sena.

Será que terei os meus números da sorte, tal qual o Hurley, de Lost?

 

-Véspera de aniversário.

27 anos.

Estranho se imaginar com essa idade.

Outro dia eu queria muito fazer 18.

Agora já estou bem perto dos 30.

Coisa doida.

 

 OBS: Adorei as reações diversas sobre o último post e a curiosidade gerada pela continuação da história.
Calma, pessoas!

A história vai se desenrolar. Aos poucos, mas vai!

A gente não espera uma semana pra saber o que vai acontecer em Lost (ou no seu seriado favorito) no meio da temporada? Então, vão esperar bem menos do que isso.


Das Páginas Do Velho Diário (1)

18/07/2008

Eventualmente, alguns defuntos que deveriam estar bem enterrados resolvem dar o ar de sua graça e surgem para nos assombrar.
Dessa vez, meu fantasma mais teimoso apareceu por email, com o seguinte recado:

Dá pra me desbloquear no msn?
Preciso falar com vc.
D.

Nos conhecemos tem alguns anos.
Lembro que era outubro e, conversando com meu melhor amigo (continua sendo, até hoje!) ele disse que tinha ido a uma festa de aniversário e descoberto que a aniversariante, grande amiga dele, tinha um irmão gêmeo.

-Amigo, você ia adorar! Seu tipo. O nome dele é D., mas acho que ele não curte. –ele me disse.

Ouvi, registrei o nome, mas mudamos de assunto.
Tempos depois, entro no msn e, milagre, ninguém online.
Entrei no orkut desse meu amigo para deixar um recado e vi um amigo dele, D., aparecendo na sua lista. Lembrei do comentário e fui fuxicar na vida da pessoa pra ver se era o mesmo.
Realmente era e realmente era o meu tipo.
Como tinha disponível o msn no orkut, adicionei na cara dura e ele estava online na hora.

D. diz: Quem é você?
Autor: Sou amigo do E., tudo bem? Conheço sua irmã também… Como estava de bobeira no orkut vi seu perfil e resolvi adicionar no msn, tem problema?
D. diz: Claro que não! Qual o seu perfil lá?

Acreditem ou não, nascia assim uma coisa que eu a princípio achei ser amizade.
Durante uns três meses conversávamos ocasionalmente falando de nossas vidas e assuntos banais. Ele sabia que eu tinha namorada e me contava os casos dele.
Até que um dia, véspera de natal, o assunto foi se aprofundando até chegar no sexo.

D. diz: Já realizou todas as suas fantasias sexuais?
Autor diz: Todas não, mas já fiz bastante coisa nessa vida.
D. diz: Acho legal isso… Mas ainda sou meio bloqueado… Tem alguns coisas que tenho vontade, mas não sei se tenho coragem de realizar.
Autor diz: Tipo??? Pode falar, a gente é amigo e não vou comentar nada com niguém.
D. diz: Já transou com outro homem? Já teve curiosidade?

E o assunto rendeu…
Menti e disse que nunca tinha estado com outro homem, mas que tinha sim a curiosidade.
Ele disse que também, mas que pra isso acontecer teria que ser com alguém que ele confiasse muito e que prometesse manter tudo em absoluto sigilo.

D. diz: Acredite ou não, apesar de não te conhecer, você me passa essa confiança. Com você eu acho que rolaria. Além do que te acho bonito e tem namorada, o que é um diferencial que me interessa.
Autor diz: Você é meio maluco, né?
D. diz: E você não?

Eu sempre fui maluco.
E não prestou muito esse papo inicial.
Era véspera de Natal, desconectamos para passar a data com nossas respectivas famílias, mas fiquei com aquela conversa na mente.
Não nos conhecíamos pessoalmente, morávamos em cidades diferentes, mas ele me atraía. Era uma coisa diferente.
E eu pagaria para ver até onde isso daria.

(continua…)


Fragmentos do Cotidiano (5)

16/07/2008

Singelo e educado email enviado para os amigos, falando sobre a comemoração do meu niver:


Amigos,

Na próxima terça, 22/07, faço 27 aninhos (PARABÉNS PARA MIM, ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê!!!).

Pensei na melhor forma de comemorar, de reunir os amigos e tal e acho que uma boa maneira é juntar todo mundo na mesma boate.

A gente se vê, vocês se vêem, vocês se pegam, vocês pegam desconhecidos e todo mundo fica feliz, risos!

Dessa forma, comemorarei meu aniversário na sexta-feira, 25/07, no Cine Ideal.

Sim, no Cine. Tem gente que não gosta, que torce a cara, mas vai ser lá mesmo e pronto.

Vai ser lá pq é mais barato e tem bebida liberada.

E vai ser lá pq eu quero e eu sou o aniversariante e ponto final.

Para evitar ficarmos na fila com aquele monte de bicha esperando pra entrar, farei uma lista pra facilitar pra todo mundo.

Por isso, preciso que os interessados me confirmem a presença e informem o nome completo pra eu incluir nessa lista o mais breve possível pois tenho que enviar a mesma para o Cine.

Se desejarem levar algum amigo, me informar o nome do dito cujo também.

Grande abraço e saudade de vocês!

 

Eu não sou simpático?

 

Melhor foram as respostas dos amigos.

Mas, sem dúvida, a melhor foi:

 

Minha presença está confirmadíssima.

Anote ae meu nome todo: SAULETE SCARLAT D’CHAMPS

 

E estendo o convite aos possíveis leitores do Rio (ou quem estiver na cidade no dia 25, sei lá!).

Se quiserem se divertir com um bando de gente louca numa sexta-feira da vida, favor me avisar nos comentários que eu entro em contato.

Será uma satisfação conhecer pessoalmente pessoas com quem só tenho trato virtual.